new journalism
Sua Santidade: Gay Talese
Entenda melhor a importância do jornalista norte-americano
por Martha Lopes - 16 de julho de 2009
Diante de todo o burburinho que o jornalista norte-americano Gay Talese causou ao vir para a Flip, cansei de ouvir gente questionando: "mas, afinal, quem é este fulano?" E, ainda que os veículos de comunicação tenham apresentado a figura, pouco falaram a respeito da importância do trabalho dele.Explico: Gay Talese representa, em larga medida, a possibilidade de se fazer um jornalismo diferente, melhor do que o que vemos hoje. Como você deve ter ouvido exaustivamente, ele integrou a escola do "new journalism" (ou jornalismo literário, como foi chamado por aqui), que agregava estilo narrativo típico da literatura a fatos reais. Ou seja, relatava acontecimentos verdadeiros com a gostosura de um texto literário.
Para isso, no entanto, precisava dedicar um tempo longo para a apuração e pesquisa -- o avesso do que acontece hoje, quando muitos jornalistas são preguiçosos e apuram tudo na base do google. Para uma de suas grandes reportagens, que deu origem ao livro "A Mulher do Próximo" (Cia. das Letras), acerca da sexualidade norte-americana da década d
e 1970, chegou a embarcar na rotina das comunidades livres e grupos de trocas de casais -- o que repercute até hoje, uma vez que Talese é casado desde aquela época com a mesma mulher.Outra aspecto interessante é que Gay Talese sempre buscou abordar o lado menos atraente da notícia. Por exemplo, depois da final de um campeonato mundial de futebol feminino em que o time dos Estados Unidos bateu o da China, ele procurou conhecer a jogadora chinesa que falhou no último pênalti. Esta e outras histórias, bem como sua rotina profissional, você encontra em "Vida de Escritor" (Cia. das Letras), recém-lançado livro do mestre.
Abaixo, confira um trechinho da conversa com Gay Talese na Flip, em que ele fala sobre sua intimidade com a esposa.
Últimos comentários
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Martin Cezar Feijó - 21/07/2009 às 20:39:12
Demonstração de maturidade e bom gosto.
Eleger Gay Talese para iniciar o Colherada Cultural já é demonstração de maturidade e bom gosto. É impressionante a qualidade deste jornalista: qualidade literária, rigor na pesquisa e consistência ética. Até parece historiador! (Brincadeira, claro!). Talese é a demonstração da possibilidade de um jornalismo sério e profundo. E isto exige não só seriedade, mas também tempo, o que nem sempre temos. Mas fica o valor e a busca, e isto é fundamental.
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Jorge Wagner - 22/07/2009 às 11:59:39
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sou fã! aprender sobre Talese deveria ser obrigatório, e não apenas nas faculdades de comunicação. se me permite apenas uma observação, chamo atenção apenas pro "escola do new journalism (ou jornalismo literário, como foi chamado por aqui)"; new journalism não é bem sinônimo de JL, mas um momento de popularidade dele. JL já existia antes e ainda existe, mas no NJ passou em questão de alguns anos. bem, continuemos a apreciar a obra do Talese e a esperar pelo próximo livro dele, sobre o casamento de 50 e tantos anos. abraço











