Hoje tem marmelada!
“A Noite dos Palhaços Mudos” é simples e poético
por Estela Cotes - 5 de agosto de 2009
Está em cartaz até 30 de agosto no Teatro Eva Herz, em São Paulo, uma das peças de maior sucesso no ano passado. Na época, teve cinco indicações para o Prêmio Shell, levando o de Melhor Ator (dividido entre os protagonistas), da Cooperativa Paulista de Teatro de Melhor Espetáculo e Elenco e da FEMSA de Teatro de Melhor Iluminação para Wagner Freire. Foi indicado, ainda, como o melhor espetáculo de 2008 pela revista "Bravo!". Tudo isso mais do que merecido.
“A Noite dos Palhaços Mudos” tem história simples inspirada nos quadrinhos homônimos desenhados por Laerte, em 1987, para a revista "Circo nº 4". Nela, dois palhaços se aventuram pela noite para resgatar o nariz vermelho de um deles, decepado por um algoz, membro de grupo defensor do extermínio da “raça”.
Interpretado por Domingos Montagner e Fernando Sampaio, do Grupo La Mínima, com direção de Álvaro Assad, o espetáculo consegue, em poucas palavras (literalmente!), figurino simples e poucos elementos visuais em preto e branco, uma poesia estética que emociona. Como num filme do memorável Charles Chaplin.
No palco, resgata a essência do palhaço com sua ingenuidade e burrice proposital, com direito a mágicas, número musical e até cambalhota. A ode ao circo é mais clara quando Palhaço Carequinha, um dos maiores nomes do gênero no Brasil, aparece em forma de um boneco. Ao mesmo tempo em que mantém a reflexão sobre intolerância e violência, temas mais que atuais.
Outro acerto foi ter optado pela mímica. A história não teria o mesmo valor se tivesse falas e o silêncio volta o foco do espectador para cada gesto, expressão e respiração dos atores – exemplos de talento com interpretação riquíssima; sem contar a harmonia entre os dois, perfeitamente alinhados nas coreografias.
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