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Um panorama da crítica de arte na internet
Luis Fernando Santos
por Mr. Fork - 12 de agosto de 2009
Tarefa árdua a que me foi sugerida pelas Colheres para esta coluna: falar sobre música na internet. Mesmo ampliando o foco para todo tipo de arte, correria o risco de chover no molhado (alguém ainda não sabe que a internet potencializou a divulgação de artistas e abriu espaço na cena para novos entrantes?) ou de entrar em detalhes técnicos e teorias complexas e chatas que rolam nos mais famosos eventos de discussão de cultura digital ao redor do mundo (daquelas que só fazem feliz mesmo um publicitário). Ora, a maioria das pessoas tem ideia suficiente do comportamento inovador que a arte tem na web: os músicos e o MySpace, os fotógrafos e designers e o Flickr, os motion designers e o Vimeo. Por isso, inspirado pelo próprio projeto das meninas de criarem este site, resolvi contar um pouco as histórias de personagens do mundo da arte que tiveram tanto a comemorar com a internet quanto os próprios artistas: os críticos.Sabe aquele seu amigo que se diz entendido de música? Pergunte a ele se ele conhece o Pitchfork; se não conhecer, pare de ouvir os discos que ele indica. Mesmo que seja para criticar o jeito empolado ou taxativo das resenhas do site, ninguém pode receber o carimbo de formador de opinião no mundo da música sem dar uma olhadinha diária nas massivas atualizações do Pitchfork. Conhecido hoje como a bíblia da música na web, ele foi fundado em 1995 por um nerd que ainda estava no colégio, chamado Ryan Schreiber, e que queria levar para a web as experiências de sucesso dos zines de sua cidade, Minneapolis. Hoje, Ryan é dono de um império indie com milhões de visitantes, lançamentos de boxes e coletâneas de discos e livros. Além disso, também tem seu próprio festival de música, o elogiado Pitchfork Festival, sobre o qual atentam olhos de cool hunters do mundo todo. Com um poder hoje comparado ao de veículos como a "Rolling Stone" (mas muito mais corajosos e autênticos), Ryan e seus amigos seriam, sem a internet, apenas um grupo de geeks de música editando um zine inexpressivo para falar de suas bandas preferidas.
Talvez mais visionário ainda no uso da plataforma digital possa ser considerado o jornalista americano Josh Spear. Decepcionado com o modo como seus professores ignoravam o fenômenos dos blogs (e olha que já estávamos em 2004!), Josh decidiu fundar seu próprio espaço, o JoshSpear.com, onde escrevia simplesmente sobre coisas legais que via on e offline. Seu pequeno blog sobre design, comportamento, arte e propaganda (como ainda há vários hoje) se tornou, pelo caráter visionário e pioneiro de Josh, uma das maiores referências em cool hunting de toda a internet. Atualmente, talvez para o espanto de seus professores, Josh Spear viaja o mundo à procura de tendências bancado pelo blog (que tem mais ou menos duas dezenas de colaboradores e já teve um no Brasil), pelas palestras que dá em agências de propaganda e pela agência de consultoria de marca que fundou em 2007, a Undercurrent.
No campo das artes plásticas (mais restrito ainda aos acadêmicos e aos reconhecidamente entendidos no assunto) também encontramos os novos críticos digitais, como Heinrich Schmidt da Vernissage TV. Tudo começou com uma documentação em vídeo de uma exposição em um escritório de arquitetura de um amigo. Daí a documentar outras exposições e a coisa fugir do controle foi um passo. Hoje o site tem mais de 50 mil plays em seus vídeos por dia (que incluem de pequenas galerias a aberturas de Bienais europeias) e, mesmo não tendo como objetivo fazer crítica de arte, contribuiu muito para a evolução da linguagem de documentação das vernissages, com vídeos longos, pausados e sem comentários.
Já Régine Debatty tem orgulho de ser crítica mesmo, das mais ferozes. É editora do blog We Make Money Not Art e vive viajando pelo mundo cobrindo também de bienais a exposições maiores. Esteve no Brasil no ano passado cobrindo a Paralela e é referência para 9 entre 10 curadores de arte digital e contemporânea. Ainda duvida do poder dessa "blogueira de arte"? Pois parece que é só você: tente mandar um contato para ela e está lá, para evitar o assédio, "note to all PR people: we're not interested" [nota para o pessoal de RP: não estamos interessados].
* Luis Fernando Santos é produtor cultural e planner da Garage Interactive Media. Não tem blog, apenas twitter. É editor do site de música brasileira Banana Mecânica.
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