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Marisa Orth estreia show "Romance Vol. 2"

por Sarah Oliveira - 13 de agosto de 2009

Foto: Priscila PradeSe você ainda não viu Marisa Orth cantando ao vivo, não sabe o que está perdendo. Sim, é divertido. Mas é muito mais que isso.

O show "Romance Vol. 2", cuja nova temporada estreia hoje em São Paulo, é um verdadeiro mix de música, improvisação e tiradas inteligentes e bem-humoradas da atriz. O repertório emociona -- canções de Hildon, Tim Maia, André Abujamra, Roberto Carlos, Rita Lee, Cartola e outros que traduzem em suas composições as dores e delícias de uma história de amor.

O cenário é de um bom gosto tremendo (acervo pessoal dos irmãos Campana - que tal?), mas o mais legal de tudo é ouvi-la cantar. Bem-preparada, Marisa se sai muito bem interpretando desde "Minha Fama de Mau", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, passando por "Fruto Proibido", de Rita Lee, e "Sofre", de Tim Maia, entre outros hits memoráveis -- como a balada estilo rádio AM "I'm Not in Love", de Grahan Goldman e Erich Stewart, sucesso oitentista que, na versão dela, fica hilária e deliciosa.

Ao lado de Carneiro Sandalo na bateria, Paulo Bira no contrabaixo, Ale Prade nos teclados, Marco Camarano na guitarra e Hugo Hori nos sopros, Marisa está cada vez mais sexy no palco e sabe bem abusar disso. Seu figurino é o máximo e suas pernas continuam as mesmas -- famosas nas saias curtas de Magda, de "Sai de Baixo".

A música sempre esteve presente em sua vida. Foi cantora da banda Luni -- sucesso nos anos 1980 -- e da Vexame -- que muitos de vocês devem se lembrar. Era algo bem cult na década de 1990, mesma época em que Marisa estourou com a personagem Nicinha da novela "Rainha da Sucata", que lhe rendeu o prêmio APCA de atriz revelação.

Quando se formou em Artes Cências pela EAD (Escola de Arte Dramática - USP), já tinha o diploma de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mesmo não parecendo, tem tudo a ver com ela estudar o ser humano através de um olhar mais psicanalítico. "As pessoas acham que, por eu ter essa veia cômica, eu sempre estou tirando um sarro, descompromissadamente. Sou também séria, bem profunda e sensível. Saco muito os outros e sei ficar na minha."

Ex-competidora de natação, é daí também que vem sua determinação. Malha 3 vezes por semana e não dispensa seu personal por nada. Marisa ainda adora navegar na internet. Tem blog, site e twitter.

Sua companhia preferida é João Antônio, seu filho de 11 anos. Menino esperto, bom de bola e de papo, é a cara do pai  (o publicitário Evandro Pereira, ex-marido dela). E, assim como a mãe, é louco por música. "O João ouve de tudo. Puxou a mim, vendido ao sistema (musical). Já foi nesse show tantas vezes que perdi a conta", ela diz rindo.  E ele é bobo de perder a oportunidade de curtir uma mãe dessas?

O papo exclusivo que eu tive com ela serve de aperitivo para quem gostou da ideia de vê-la no palco:

S: Esta nova temporada vem com tudo, hein? Vários convidados. Como você fez a escolha deles?
Convidei pra esta temporada o Edgard [Scandurra] e o DaLua, que gravaram o disco comigo. O André Abujamra vem pois tem uma música composta por ele no meu show, chamada "Insanidade Temporária", que adoro e faz sucesso quando eu canto no palco - fala da insanidade da mulher causada pela TPM (risos). Pensei também em convidar a Fabiana Cozza, pois eu a acho uma craque. Lembramos do Paulo Ricardo, o que vai ficar divertido. Tem aquele acordeonista, [Marcelo] Jeneci, que um monte de gente me indicou... Vai ser legal, né? Cada dia um convidado!

S: E o bacana é que vem com um disco gravado. Terá o mesmo nome?
Sim, o disco leva o mesmo nome do show, "Romance Vol. 2". O próximo já vai direto pro volume 21 (risos).

S: Então vai ter a próxima temporada com um novo CD?
Ah! Este formatinho romance é gostoso. Minha ideia é fazer minitemporadas de quintas-feiras. Não ficar em cartaz direto. Dar umas pausas e nunca parar de vez, sabe? Assim, dá pra fazer shows "forever" em curtas temporadas e ainda gravar sempre discos!

S: Pelo visto, foi uma etapa natural ir do show pro disco, né?
Sabe que devo isso à minha amiga Bia Flecha, que é publicitária. Ela ia me ver nos shows e dizia: "Eu quero comprar o disco. Cadê o disco??" Aí, ela levou o pessoal da gravadora Lua Music no meu último dia de show no Uranus [na Barra Funda, em São Paulo] e eles me obrigaram a gravar, e eu amei a ideia. O disco foi produzido por mim e pela banda. Isso foi uma experiência ótima.

S: Quando o CD sai para venda?
Nossa, tá tudo muito em cima. O Gringo Cardia terminou a capa, o projeto gráfico tá muito bacana, as fotos são da Priscila Prade. Ai, preciso falar os nomes deles, Sarita, pois eu fiz tudo de última hora e na faixa! Bem na faixa. Só entre amigos! Mas começa a ser vendido agora junto com a turnê.

S: Esse seu projeto "Volume 2" deu muito certo em São Paulo, no Rio e em todas as cidades em que você se apresentou. Obviamente por conta de sua atuação no palco, mas o repertório do show é muito bem-selecionado. O disco segue o repertório?
Tudo do show estará no disco, e as participações inclusive. São minhas releituras pra essas músicas românticas que amo. A única "meio" inédita é "Insanidade Temporária", que o André [Abujamra] fez com o Flavio de Souza. Na real, eles fizeram pra trilha de um curta-metragem e eu cantei nesse curta, mas foi gravada pela primeira vez em disco agora. De resto, consegui autorização de todos pra gravar. A família do Tim Maia foi superlegal, me liberaram a belíssima música "Sofre". Tivemos que mudar apenas a música "Fama de Mau". Demos uma adaptada, pois a base era muito descaradamente chupinhada da trilha do "James Bond" (risos) e tivemos que mudar, então ficou mais "denorex", menos "James Bond", senão não poderíamos gravar.

S: Acho importante a gente falar de suas influências musicais. Você estreou na Luni, passou pela banda Vexame, cada qual com seu estilo. E sua relação com a música em geral?
Minha história com a música é intensa. Bom, sou uma fã, uma groupie, né? Vim de uma família adoradora de música. Meus pais sempre loucos por uma musiquinha boa. Inclusive o sonho de minha mãe era ser cantora, sabia? E eu acho que tive a sorte de nascer e viver num período musical brasileiro incrível. Penso que quem participou das décadas de 1960 e 1970 é uma pessoa muito feliz musicalmente falando. Aliás, tudo o que acontecia na música do Brasil e do mundo era precioso naquela época. Tudo o que pintava era bom pra caramba, mesmo a discoteque, o "bate-estaca", do qual as pessoas tiram onda. Eu adoro. Acho tudo bem bom, até esse lado mais pop que surgiu lá. E meus irmãos me trouxeram o rockn'roll.

S: Quantos irmãos você tem?
Tenho dois. Uma mais velho e um mais novo. Super-roqueiros!! Aprendi a curtir um som mais pesado, um bom rock inglês, como New Order, Lou Reed, David Bowie, com eles. E esse lado brega que tanto amo vem de minhas funcionárias do lar! (risos). Muitas com quem convivi e com quem sempre curti um som junto.

S: E o João, seu filho, o que ele ouve?
Ah! O João tá superdentro do sistema. Adora hip-hop, Rihanna, Beyoncé, gosta de rock'n'roll também, viu? Olha, até axé ele curte. Ih, tá ficando igual a mãe, um vendido! (risos)

S: Ele já foi te ver nesse show?
Sim, várias vezes, até enjoou. E vai nesta nova temporada com certeza. Ele adora.

S: Você encontrou sua turma com essa banda que te acompanha no "Vol. 2"?
Ah, eu tô amando! É um tesão trabalhar com eles em termos de envolvimento, capacidade, humildade. O trabalho em grupo com eles é maravilhoso.

S: Fica mais aqui ou no Rio, Marisa?
Sou superpaulistana. Mas o Rio hoje é uma de minhas cidades. Por conta de minha profissão de atriz, já viajei pra caramba. Passei 2 meses na Europa quando eu tinha uns 19, 20 anos. Mas São Paulo é bem-movimentada, né? Resume tudo o que preciso. Vivo voltando pra cá.

S: Como você acha que as pessoas te enxergam?
Você quer saber de alguma discrepância? Algo que o povo acha que sou e não tem a ver comigo?

S: Não sei... você percebe isso?
Ah, sim, percebo. As pessoas acham que, por conta da comédia, eu sou engraçada o tempo todo. Na real, eu sou beeem séria também. Sou profunda. E outra coisa, pareço, mas não sou rápida na piada, não. Ih, eu pego pilha, sou devagar pra entender as tiradas, caio total igual uma boba nas brincadeiras (risos).

Miniquestionário Colherada, por Marisa Orth:

S: O que você gosta de comer de colher?
Ah! Brigadeiro, né? Fazer essa pergunta nesse friozinho de São Paulo é uma sacanagem.

S: Pra quem você dá uma colher de chá?
Pros músicos brasileiros.

S: Quem merece uma colher de sobremesa?
Vou ser bem demagoga, bixo. Todos os artistas do Brasil.

S: Em quem você bateria com uma colher de pau?
Olha, eu bateria em quem falsifica carteirinha de estudante. Carteirinha falsa no balcão? Mando na hora uma colherada de pau na mão!

S: Onde você meteria sua colher?
De preferência onde estiverem rolando bacanas manisfestações artísticas.

Serviço:

TOM JAZZ
Av. Angélica, 2331 . São Paulo
Informações: (11) 3255-0084
Dia 13/08 às 22h00
Participação especial: Paulo Ricardo

TOM JAZZ
Dia 20/08 às 22h00
Participação especial: Marcelo Jeneci
Dia 27/08 às 22h00
Participação especial: Fabiana Cozza

TOM JAZZ
Dia 03/09 às 22h00
Participação especial: Edgard Scandurra
Dia 10/09 às 22h00
Participação especial: DaLua
Dia 17/09 às 22h00
Participação especial: André Abujamra

Últimos comentários
  • ISABEL - 18/08/2009 às 13:11:02

    Bela entrevista!

    Adoro a Marisa ! Mandou bem Sarah. Parabéns pela entrevista.

  • carla - 18/08/2009 às 15:13:54

    bem bacana

    como diz a prória sarah diz adoooooro! as entrevistas que a sarah faz são as mais gostosas e sempre foi assim. tô adorando ler. amei a do casseta de quem nunca tinha lido algo sobre. beijos em todas

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