maciez
Leda Catunda ganha retrospectiva na Estação Pinacoteca
Mostra fica em cartaz até 11 de outubro, em São Paulo
por Martha Lopes - 19 de agosto de 2009
Tecidos costurados, cobertores pintados e colagens que misturam diferentes figuras e materiais. À primeira vista, pode ser difícil compreender e admirar o trabalho da brasileira Leda Catunda. Com retrospectiva atualmente na Estação Pinacoteca (antigo Dops), em São Paulo, a artista é um dos principais nomes da geração de 1980, que marcou a arte da redemocratização no Brasil.No espaço amplo e bem-cuidado depois da revitalização, foram reunidas obras que vão de 1983 a 2009, divididas em três salas. A primeira traz trabalhos pequenos e colagens, compostas por desenhos a lápis, tecidos e elementos de diferentes texturas. Nelas, é visível a experimentação de formas e cores, gerando uma reconstrução influenciada pelos movimentos cubista e dadaísta.
É interessante notar também a interação entre os elementos combinados. Em "Grupos", por exemplo, Leda costura em um aparente botão grande tecidos que mostram um casal de mulheres, outro de homens e um terceiro composto de um homem e uma mulher -- quase como a união da diversidade, que convive ali tranquilamente.
A segunda sala traz paisagens desconstruídas. Em vez de encontrarmos a linha do horizonte povoada de montanhas e do mar, vemos pedaços costurados e colados de algum ambiente. Como em "Katrina", em que retalhos de fotos do mar, de cenas de surfe e de tecidos com casinhas estampadas são organizados circularmente -- numa desconstrução semelhante à do furacão que destruiu a cidade norte-americana de New Orleans em 2005.
A dificuldade
O terceiro espaço traz as obras que consagraram o trabalho de Leda Catunda como "a poética da maciez". Em sua composição, a artista explora acolchoados, formas "fofas", em relevo, criando o que é talvez a parte mais difícil de admirar da exposição. Enquanto é palpável a criatividade da artista em usar esse tipo de material, é desafiador ver algum significado em pedaços meio amorfos de tecido, lânguidos como línguas ou ondas do mar, como é o caso de "Quatro Partes com Lagos" e "Siameses".Apesar de contar com trabalhos interessantes em um espaço agradável, a forma como a exposição está organizada torna a visita um pouco menos prazerosa. Talvez tivesse sido mais fácil dispor os elementos cronologicamente. Os títulos dos trabalhos também poderiam acompanhá-los -- listados, todos, na lateral das paredes, é preciso que o visitante se desloque para procurar o nome daquilo que vê.
Fica a impressão de que, sendo arte contemporânea, não é para ser entendida.
Estação Pinacoteca - (11) 3337-0185. Até 11 de outubro.
Últimos comentários
-
rime cara jose - 09/04/2010 às 13:45:27
pinacoteca dops
como posso localizar as pessoas responsáveis pela pinacoteca dops? em
Ressaltamos que nenhum estabelecimento foi incluido neste guia por ter feito publicidade em qualquer publicação nossa e que nenhum tipo de pagamento influenciou as resenhas. As opiniôes publicadas neste site são dos escritores do Colherada Cultural e são totalmente independentes









