segunda tentativa
Mostra de Stand-Up Comedy pode reacender polêmica
Sucesso de bilheteria, o fenômeno é acusado de "deformar o público de teatro"
por Estela Cotes - 21 de agosto de 2009
Seis nomes que atuam com este gênero teatral participam da 1ª Mostra Brasileira de Stand-Up Comedy, no Teatro Alterosa, em Belo Horizonte de sexta (21) até domingo (23). Apesar de acontecer em apenas três dias, o evento terá dois espetáculo por noite, na ordem: Ângela Dip e Marcelo Mansfield, Bruno Motta e Márcio Ribeiro, Nany People e Fábio Porchat. A proposta é novamente popularizar (ainda mais) o estilo no Brasil.
“Causando”
Apresentado de maneira simples, com ator de cara limpa, banquinho e microfone, o Stand-Up Comedy consagrou-se como espetáculo de entretenimento nos Estados Unidos. Bill Cosby já arrancava gargalhadas nos anos 1970 quando o gênero eclodiu. Por aqui, a turma do Terça Insana, comandada por Grace Giaboukas, deu os primeiros passos. Ângela Dip e Marcelo Mansfield são suas “crias”. Hoje, a lista de comediantes está maior: o elenco do CQC (menos o Marcelo Tas), Marcela Leal, Guilherme Uzeda, Diogo Portugal, entre outros.
Mas o sucesso entre o público evocou a ira da crítica, mesmo que tardiamente. Em março deste ano, os produtores Fernando Padilha e Clarissa Rockenbach idealizaram o mesmo tipo de mostra, mas somente para os paulistas. Na época, o Caderno Ilustrada, da "Folha de S.Paulo", dedicou (pela primeira vez) algumas palavras sobre o gênero de humor. Sob o título "Sorriso Amarelo", o texto do crítico Luiz Fernando Ramos detonava as apresentações, dizendo que "a 1ª Mostra (paulista) de Stand-Up Comedy, apesar do sucesso, deforma o público de teatro".
Ser ou não ser
Em resposta publicada também na "Folha de S.Paulo", Newton Cannito – criador e diretor-geral do espetáculo "Confissões de Acompanhantes" e também criador e roteirista-chefe do seriado "9 MM: São Paulo" – defendeu os espetáculo de Stand-Up como um novo angariador de espectadores para o teatro.
A grosso modo, esse tipo de apresentação assemelha-se mais a um show, a uma performance, do que a um estilo teatral clássico ou de vanguarda (chamado de “teatro de verdade” por Luiz Fernando Ramos), seja tragédia ou comédia. Cada peça tem sua proposta, seja entretenimento ou não. Neste caso não há figurino, cenário, enredo. Existe sim um roteiro e as piadas são sempre relacionadas ao cotidiano, ampliando a proximidade com o público.
Fato é que muitas pessoas que nunca sairiam de suas casas para assistir a uma peça de teatro mudam de opinião depois de passar por boas risadas em um Stand-Up. A iniciação por meio de um espetáculo leve e despretensioso – ótimo para relaxar e rir da vida – pode ser o primeiro passo para despertar a curiosidade por peças com outras propostas.
Serviço
Teatro Alterosa
Avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta.
Tel: (31) 3237-6611.
Sexta (21) e sábado (22), às 21h e domingo (23), às 19h.
R$ 40,00.
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