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Jornalismo e literatura: editora compila crônicas de Ruy Castro e Vinicius de Moraes

por Martha Lopes - 24 de agosto de 2009
Ainda que o jornal de hoje embrulhe o peixe de amanhã, muito do conteúdo impresso sobrevive à essa perenidade. É o caso dos textos que se equilibram sobre a linha tênue que separa o jornalismo da literatura: as crônicas, que, com estilos narrativos literários, retratam o cotidiano.

A necessidade de fazer com que esses trabalhos não se percam motiva a publicação de compilações de artigos para jornais e revistas. Dois lançamentos nacionais deste mês atestam esse fenômeno: "O Leitor Apaixonado -- Prazeres à Luz do Abajur" (Cia. das Letras, 368 páginas), de Ruy Castro, e "Para uma Menina com uma Flor" (Cia. das Letras, 224 páginas), de Vinicius de Moraes.

Ruy CastroCronista e biógrafo

Ruy Castro começou como jornalista aos 22 anos, na revista semanal "Manchete". Depois disso, passou por um longo aprendizado, de editor da revista "Seleções", em Portugal, a redator de sketches de humor para a TV Globo. No meio do caminho, no entanto, enveredou pelo mundo das biografias, onde encontrou um espaço próprio.

Autor de livros como "Chega de Saudades -- A História e as Histórias da Bossa Nova" (1990), "O Anjo Pornográfico -- A Vida de Nelson Rodrigues" (1992) e "Carmen -- A Vida de Carmen Miranda, a Brasileira Mais Famosa do Século XXI" (2005), Ruy se firmou como um biógrafo capaz de equilibrar literatura e jornalismo. Dessa forma, ele alia longas pesquisas a humor e exatidão de linguagem. Paralelamente, é colunista da "Folha de S.Paulo", onde brinda os leitores com crônicas e comentários.

De sua faceta crônica e de sua paixão pela literatura, nasceu o livro "O Leitor Apaixonado". Ali, há uma reunião de 45 artigos, originalmente para a imprensa, sobre autores nacionais e estrangeiros, obras, palavras e tendências literárias. Não espere encontrar a consistência das críticas: o que há é uma pegada leve e descontraída debruçada, com bom humor, sobre grandes nomes do mundo dos livros, como Oscar Wilde, Scott Fitzgerald e Nelson Rodrigues.

Vinicius de MoraesO poeta popular

Com linguagem e romantismo simples e acessível, Vinicius de Moraes se tornou um poeta tão popular que um de seus versos mais famosos -- "Que não seja eterno, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure", do "Soneto de Fidelidade" -- virou quase um bordão dos apaixonados. Basta "googlar" o trecho: há 32.800 ocorrências, grande parte de citações em blogs.

O poeta, escritor e compositor musical teve também espaço na imprensa. A partir de 1941, colaborava com crônicas para jornais como o "Última Hora". Dos 25 anos de produção para publicações, foram selecionados os textos que compõem "Para uma Menina com uma Flor". No livro, sob organização de Eucanaã Ferraz, é possível conhecer o lado "poeta do cotidiano" de Vinicius, em crônicas que comentam, por exemplo, uma visita ao parque e a morte de Cecília Meireles.
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