estreia

"A Onda" faz paralelo entre Alemanha atual e a de Hitler

por Martha Lopes - 25 de agosto de 2009
Professor em "A Onda"No meio do caos de uma balada na Berlim contemporânea, um adolescente diz ao outro: "A gente não tem pelo que lutar. Não tem com o que se revoltar. Sabe quem é a pessoa mais procurada no Google? A Paris Hilton!" Nesse contexto de ausência de ideais, é possível surgir uma ditadura?

Esse é o ponto de partida do filme "A Onda", dirigido por Dennis Gansel, em cartaz nos cinema paulistanos desde a última sexta-feira (21). A produção alemã apresenta um professor moderninho que, ao assumir, de última hora, um curso sobre autocracia, decide proporcionar aos alunos uma experiência prática de como se constrói um governo fascista.

A vivência dura uma semana, e começa com aplicações simples de disciplina: os alunos devem chamar o professor de "senhor", devem se levantar para falar e sempre pedir permissão para se colocar. Com o passar dos dias, o grupo começa a se vestir da mesma maneira e a menosprezar os não-membros da organização. Não demoram a aparecer atitudes violentas e coercivas, típicas de uma ditadura.

DESORIENTAÇÃO E AUSÊNCIA DE VALORES


Ao serem questionados sobre a possibilidade de uma ditadura na Alemanha, os alunos do filme são unânimes: é impossível. Mas algo relaciona a Alemanha atual àquela das décadas de 1930 e 1940, em que Hitler subiu ao poder: a insatisfação.

No momento da ascensão de Hitler, pós-Primeira Guerra Mundial, reinava o sentimento de fracasso. Segundo Dietrich Schwanitz, em "Cultura Geral", "a Alemanha  foi amputada, sofreu a humilhação de ser considerada culpada pela guerra e foi sobrecarregada com o pagamento de indenizações, que levaram o país ao desespero".
Grupo dominado pela ideologia em "A Onda"
Anos mais tarde, "A Onda" mostra um país contaminado por outro tipo de fracasso: a ausência de valores e de orientação. Entre os alunos, há aquele cujos pais não lhe dão atenção, há a menina certinha que tem pais liberais, que não imprimem nenhuma disciplina sobre a prole, e há ainda os filhos de famílias ricas, que passam as tardes sozinhos, bebendo, fumando maconha e jogando videogame.

Voltando no tempo mais uma vez, os fardados de Hitler, segundo Schwanitz, "recuperaram certa autoestima e deixaram de sentir-se isolados, pois passaram a fazer parte de um grupo". E o mesmo acontece com os alunos de "A Onda". A organização é um conforto para os jovens que, além da falta de motivação e valores característica da contemporaneidade, enfrentam as dores tão próprias da adolescência: a ânsia em ser aceito e encontrar uma identidade.

HISTÓRIA VERÍDICA

O filme é baseado em uma experiência real que se deu em 1967, na Califórnia, e que já foi tema de filmes e livros. Assim como o professor da ficção, Ron Jones queria transmitir aos alunos o poder de uma autocracia. Claro que a história não acabou bem: uma das 300 crianças envolvidas no movimento -- que começou com os 25 membros da classe -- perdeu a mão construindo um explosivo. Por fim, o professor foi demitido e proibido de lecionar em escolar públicas.

Ao transpor o caso para a Alemanha, familiarizada com os terrores de uma ditadura, o diretor Dennis Gansel parece alertar para a importância de refletir sobre os atos sangrentos do passado. E do presente, em que movimentos xenófobos e neonazistas sugerem que os demônios de uma autocracia fascista não foram exorcizados por completo.
Últimos comentários
  • VANESSA - 28/06/2011 às 00:39:44

    SOBRE O FILME A ONDA

    ESTE FILME MOSTRA DE COMO É IMPORTANTE ESTARMOS EDUCANDO NOSSOS ALUNOS PARA O BEM. NÓS PROFESSORES TEMOS GRANDES INFLUÊNCIAS NA VIDA DE NOSSOS ALUNOS, ENTÃO QUANDO FORMOS ABORDAR UM TEMA EM SALA DE AULA CUIDADO. VANESSA PROFESSORA DE EDUCAÇÃO INFANTIL E FUNDAMENTAL I, PEDAGOGA E TURISMÓLOGA.

  • Bruna - 10/03/2013 às 18:19:52

    Ótimo

    Baixar o Filme - A Onda - Recomendado para educadores - http://mcaf.ee/qoh0u

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