doce guerra fria
Sorvetes mundo afora traduzem a experiência de uma viagem
Alguns sabores que valem a pena em Paris, Roma e Cidade do México
por Adriana Guivo - 25 de setembro de 2009
Um dos pontos turísticos mais visitados em Paris é a Catedral de Notre Dame. E talvez seja por conta de um milagre que duas delícias gastronômicas se ofereçam abertamente na rua ao lado, a Saint-Louis en Île. Dependendo do dia, pode ser um verdadeiro formigueiro de gente em busca dos sorvetes das grifes Berthillon e Amorino A primeira só é encontrada neste endereço em Paris, havendo boutiques em outras cidades francesas. Já a segunda é quase arroz de festa, mas por ter sido a primeira da franquia, essa loja de esquina tem um sabor amplificado.
De produção artesanal e pertencente a família Berthillon desde 1954, as bolinhas servidas no corneto desaparecem em segundos boca a dentro. Talvez sejam pequenas para que peçamos logo outro. Ou combinemos sabores, como pera e chocolate. Uma das mais tradicionais é a de frutas do bosque, um sabor entre ácido e doce, em que a fruta realmente prevalece como natural. Feitos à base de leite ou de frutas, o desejo é experimentar todos. Caramelo, café, mandarino, pistache, crocante de nozes – uma experiência dessa não se calcula em calorias. Mas em euros: os valores são livres para os quiosques que revendem, mas custa cerca de 3,50 uma bola simples, 5 euros duas e por aí vai. Lembro de ter apresentado a sobremesa à uma pianista do Uzbequistão. Ela nunca havia tomado um sorvete em sua vida. Experimentou, me pediu licença e disse: “É como um orgasmo!” Não discordei.
Mas meu grande prazer era com as opções da Amorino. O nome significa cupido, símbolo da marca. Criada em 2002 por dois italianos, tem ao todo 12 pontos em Paris, e também no interior da França, Barcelona e Shangai. A textura do sorvete tem consistência cremosa, e nem de leve aparenta conter algo de gordura em sua fórmula. Quando solicitado em casquinha, uma única bola pode ter porções de diversos sabores. E o melhor vem na apresentação, que é montada como uma flor com diversas pétalas.Recomendo uma combinação que além de saborosa fica linda: manga, pistache e l’inimmitable – ou Nutella. O amarelo, verde e marrom chamam a atenção. Contrário ao seu concorrente direto, a porção é farta mesmo em uma única bola, que também custa 3,50 euros. Como li no blog Moveable Feast, Amorino é a verdadeira guerra fria.
ENTRE GELATOS E HELADOS
Considerando que a origem dos sorvetes em massa vem do “gelatto italiano”, aconselho aos que forem a Roma manter viva a tradição de tomar um aos pés da Fontana di Trevi. O lugar se imortalizou com o filme “La Dolce Vitta”(1960), com Anita Ekberg e Marcello Mastroianni. Escolha qualquer sabor, mas atente para dois só encontrados na Itália: panna (um tipo de creme branco) e amaretto (espécie de licor). Divinos, vão traduzir no paladar a experiência da viagem.
E se o México for o seu destino em algum momento, procure pelo centro da Cidade do México uma fórmula caseira ao extremo, montada em um saquinho plástico e com um palito fincado no meio. A maior parte das combinações é à base de fruta, com suco e pedaços picados. A preferida foi a combinação de metade creme chantilly com metade morango, com a fruta quase inteira. É impossível não se melar ao comer, mas a brincadeira de criança é inesquecível. O preço custa em torno de 10 pesos, o que nos dá menos de dois reais. Pena a passagem de avião custar tanto...
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