bastidores de um videoclipe
Arnaldo Antunes: de ídolo a parceiro
Por Rafael Gomes*
por Mr. Fork - 21 de outubro de 2009
A história começa em 2001, ano em que, ainda adolescente, entrei na Faculdade de Cinema e no qual foi lançado o filme “Bicho de Sete Cabeças”. Como jovem que cresceu prestando atenção nas coisas do mundo, eu sabia da existência de Arnaldo Antunes. Mas foi naquela ocasião, através do belo filme de Laís Bodanzky, que eu realmente o conheci.“O Seu Olhar” e “Fora de Si”, tão díspares e tão complementares em suas delicadezas e convulsões, foram as duas primeiras músicas que me cativaram de imediato. Não tardou para que eu comprasse o disco “Paradeiro” (2001) e os alto falantes do meu carro gastassem de tanto ouvir “Essa Mulher”, “Paradeiro”, “Se Tudo Pode Acontecer”, “Na Massa” e tantas outras que foram se tornando a trilha sonora de meus anos de faculdade. Eu e meus amigos ouvíamos Arnaldo Antunes nas festinhas, usávamos suas canções nos trabalhos curriculares, discutíamos seu talento e inteligência, íamos a seus shows – enfim, éramos perfeitos fãs.
Em 2004, eu estava me formando e Arnaldo lançava o disco “Saiba”. Inevitavelmente, “Pedido de Casamento”, “Cabimento”, “Grão de Amor” e “A Nossa Casa” embalavam as dores e delícias dos amores explosivos e de todos os tipos de relacionamento – amantes, amigos, inimigos – que cultivamos com tanta intensidade no princípio dos 20 anos.
Em 2006, eu já era um diretor iniciante, atuando pra valer no mercado audiovisual, contratado da produtora Ioiô Filmes. Já assinara três curtas-metragens bem sucedidos e estava às vésperas de experimentar o furacão que foi “Tapa Na Pantera” (feito em parceria com Esmir Filho e Mariana Bastos). O disco “Qualquer”, que Arnaldo lançava naquele ano, já não me causava só furor e imensos prazeres emotivos e estéticos – eu queria fazer um videoclipe de uma daquelas músicas, brincar de transformá-las em imagens. Não o fiz, o que não me impediu de gostar demais do álbum e de me encantar especialmente com “Contato Imediato”, “Qualquer”, “O Que Você Quer Saber de Verdade”, “Num Dia” e basicamente todas as outras.
Em 2007, encasquetei que ia colocar de pé um projeto que daria vazão à minha eterna vontade de trabalhar com a área musical, de fazer “música para ver e vídeos para ouvir”. Assim nascia o Música de Bolso, concebido e realizado em parceria com os colegas Daniel Ribeiro, Tatiana Fujimori e Marcus Preto.
O site ainda nem estava no ar e nós já tínhamos a lista dos artistas que queríamos ver nele o mais rápido possível. Não foi preciso mais do que um e-mail com as devidas apresentações para que Arnaldo Antunes me convidasse à sua casa para uma reunião. Sua gentileza e generosidade rivalizavam com a legítima vontade que ele demonstrava em fazer parte do que propúnhamos.
Em uma invernal tarde de domingo, Arnaldo executou um total de quatro músicas para nossas câmeras, em diferentes lugares, o que resultou em dois “volumes” dele estreados em nosso site: o de nº 5 e o de nº 23.
Desde o primeiro momento, sei que Arnaldo gostou do que fez, gostou do que fizemos, gostou do que viu. Algumas semanas depois, ele gravaria o DVD “Ao Vivo No Estúdio” e fez questão de nos convidar para integrar a platéia. Fizemos questão de ir.
Eis que a história desemboca em 2009. Leio nos jornais que Arnaldo está para lançar dois discos novos (um deles, o do excelente projeto “Pequeno Cidadão”) e arrisco um e-mail propondo novos vídeos para o Música de Bolso lançar simultaneamente ao CD. Arnaldo me responde dizendo que estava pensando em me convidar para dirigir o videoclipe da musica de trabalho do álbum, “Iê Iê Iê”*, e pergunta se é algo que eu teria vontade de fazer. “Desde 2001”, penso estupefato.
Em sua casa, Arnaldo me mostra as canções novas, indica a que filmaríamos, trocamos algumas idéias. “Longe” é uma canção climática e bela, que me sugeria viagens interiores e/ou sobre uma geografia fantasiosa bem mais do que sobre simples distâncias realistas de um corpo no espaço. Eu fui então esboçando um roteiro, com sua constante aprovação. O universo visual do clipe sempre quis trabalhar a simbiose, misturar técnicas (manipulação de objetos ao vivo com animações em computador), fundir referências. Durante o processo, estabeleci parceria com a dupla de diretores Vellas & Laga, meus colegas de produtora, responsáveis imediatos por toda a pós-produção. O resultado é o que está aí abaixo.
A experiência foi boa? A melhor possível. No dia em que Arnaldo foi assistir ao resultado final, ele exultava em satisfação e entusiasmo. Arnaldo Antunes estava feliz com o trabalho que fizemos juntos. Em algum lugar dentro de mim, o garoto de 18 anos que eu fui mal podia acreditar que aquilo estava acontecendo.
* Arnaldo Antunes está em turnê com o disco "Iê Iê Iê" e lotou o Sesc Pompéia em São Paulo no último fim de semana. Neste sábado tem show no Rio de Janeiro, no Circo Voador. Pra você ficar por dentro da agenda de shows dele é só entrar no www.arnaldoantunes.com.br
* Rafael Gomes é cineasta, um dos criadores do projeto virtual “Música de Bolso” e diretor da série infanto juvenil “Tudo O Que É Sólido Pode Derreter” (TV Cultura, 2009). Atualmente, ensaia o espetáculo teatral e escreve o roteiro de longa metragem do projeto híbrido “Música Para Cortar os Pulsos”.
Últimos comentários
-
cassio - 23/10/2009 às 23:55:09
esse clipe é de cinema
como vcs conseguiram essas fotos de mk do novo clipe do arnaldo. esse clipe é sensacional. lance de cinema. não conhecia o música de bolso. valeu ae pela dica!
-
arnaldo - 22/10/2009 às 12:13:18
eu fui neste show
o arnaldo está muito bem acomponhado nesta turnê do novo dics. showzásso! e esse clipe é muito bom. não tinha visto ainda. adorei. parabéns! ronaldo










