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Seres fantásticos misturam realidade e ficção nas artes plásticas

por Adriana Guivo - 31 de outubro de 2009
No maravilhoso mundo das bizarrices artísticas, habitam o mais alto grau os seres concebidos para nos fazer confundir os sentidos, misturando realidade e ficção. Depois que já se viu um rato com orelha humana nas costas e um coelho fosforescente de verdade, os absurdos passam a ser revistos sob uma ótica de maior credibilidade. Tudo parece ser possível, porém nem sempre aceitável.

Em comum, os artistas Joan Fontcuberta e Walmor Corrêa têm a criação de seres híbridos desconcertantes. Um urso-centauro ou um peixe-pinguim existem por meio de seus desenhos e fotografias, parecendo tão reais - ou surreais - quanto mulas-sem-cabeça.

Os animais captados pelas lentes de Fontcuberta teriam tudo para serem verdadeiros achados arqueológicos, únicos em suas espécies. Ainda mais porque juntamente com as fotografias vêm documentos atestando o local da descoberta, e uma série de dados científicos aparentemente incontestáveis. Entre 1985 e 1990, o artista deu vida a um número suficiente de criaturas montadas com ajuda de taxonomistas – como uma coruja com cabeça de macaco e um corno no meio da testa.

A estranheza dura o tempo de perceber o teor da brincadeira. Mas num primeiro lance de olhos, são tão incrivelmente reais que assustam. E provam que diante de tudo que se consegue com manipulação digital, nossos olhos ainda conferem a uma fotografia o teor de registro documental e o papel da verdade.

Walmor Corrêa desejou por anos ser biólogo. Dos exercícios de dissecar em aula, ficou a compreensão de uma anatomia interna. Segundo ele, ao estudar a obra dos artistas viajantes do século XIX, observou que muitas das narrativas relatadas como reais eram fruto de férteis mentes, que davam vida a figuras fantásticas. Inspirado neles, Corrêa se pôs a combinar diferentes espécies para criar uma terceira, através de desenhos.

Detalhe: todas essas novas formas de vida foram estruturadas para poderem existir de fato. Que tamanho teria o coração e toda organização interna, posicionamento dos órgãos e articulações, com direito a nome em latim e evolução descritiva. Suas fictícias combinações genéticas seriam reais, não fosse o fato de só serem encontradas em ilustrações à base de lápis de cor.

Atualmente, vem dissecando seres mitológicos, como sereias e homens-anfíbio. Não são exatamente amedrontadores, mas talvez não sejam figuras que se deseje encontrar à meia-noite, num ambiente ermo ou numa esquina sombria.
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