20 anos da queda do muro
1939, 1969, 1989 - A dança dos anos terminados em nove
Por Martin Cezar Feijó*
por Mr. Fork - 9 de novembro de 2009
1939Em 1939 começou a II Guerra Mundial, mas também foi o ano em que morreu Sigmund Freud em Londres e foi criado, em Nova York, o super-herói Batman – dois grandes marcos do século no mesmo ano em que teve início o maior e mais dramático acontecimento da História. Trinta anos depois, em 1969, o homem chegou à Lua através de uma espaçonave norte-americana. Os Beatles gravaram seu último álbum – "Abbey Road" – cuja última música se chama "The End".
Mas também foi o ano em que uma parcela significativa dos que nasceram após a Grande Guerra – conhecidos como os da geração baby boom – resolveram mudar tudo: costumes, artes, vestuário e políticas, principalmente as culturais, através da contracultura.
1969 1969 foi o ano de Woodstock, que nem aconteceu em Woodstock. Aconteceu no mês de agosto em Bethel, no Estado de Nova York, mas Woodstock levou a fama. Mesmo assim, quase de tudo aconteceu no que conhecemos como Festival de Woodstock, até caso de amor romântico perenizado não só pela foto emblemática que foi capa do disco do evento, mas também pela trajetória do casal, que hoje constitui uma família monogâmica e feliz.
O livro de Elliot Tiber & Tom Monte – "Aconteceu em Woodstock" (Best Seller, 2009), que virou filme de Ang Lee, em cartaz nos EUA em setembro e previsto para chegar ao Brasil no início de 2010, próximo do Oscar – conta os bastidores de um festival de música que foi idealizado como um evento comercial, mas que se transformou no mais importante festival da história – não apenas em número de participantes ou pelos músicos de ponta, mas principalmente no que concerne ao público, mais de meio milhão de jovens reunidos pacificamente durante três dias de paz, amor e música.
1989 Já em 1989 ruía a maior utopia da Era dos Extremos: o Muro de Berlim, emblema trágico da Guerra Fria, que foi demolido por uma juventude exaltada com as possibilidades, enfim, de uma verdadeira liberdade: o direito de ir-e-vir, o direito a dizer e ouvir tudo sem censura. O direito de se reunir, nem que seja para ouvir e dançar suas músicas preferidas. O excelente livro de Michael Meyer – "1989 – O Ano que Mudou o Mundo" (Zahar, 2009) – conta tudo, sobre os bastidores, os personagens e as conspirações que permitiram o acontecimento decisivo do final do século passado.
Vale a pena uma citação profunda do livro do jornalista que estava presente aos acontecimentos não só em Berlim, mas também em Praga, em Varsóvia e em Bucareste:
"É provável que as revoluções nunca sejam o que parecem. Elas são misturas de mito, idealismo, oportunismo, política, intriga, exploração. O bom e o ruim, o nobre e o ignóbil, o puro e o impuro ficam tão entrelaçados que são indistinguíveis. Em nenhum lugar isso foi mais verdadeiro que em Bucareste, pois, no momento do discurso de Ceausescu, a revolução na Romênia transformou-se em duas revoluções. Uma era pública, vista na televisão: o povo levantando-se para derrubar o odiado ditador. A outra era mais particular, uma luta subterrânea pelo poder entre as elites que equivalia a um golpe." (p. 197)
2009
E 2009, o que conta? Do que se conta? Do que se contará no futuro? Da posse de Obama em janeiro? Do início da Era de Aquário em fevereiro? Da remontagem da ópera-rock "Hair" em maio? Da descoberta do pré-sal no Brasil? Do "Caminho das Índias"? Do balanço geral do século passado?Talvez 2009 seja marcado pelo aparecimento de um site cultural rigoroso e generoso: o Colherada Cultural, do qual me orgulho em participar da colaboração masculina (na coluna Mr. Fork, que divido com outros colegas) – mas não machista, espero – num site de origem exclusivamente feminina (e que assim se mantenha), para uma reflexão livre e solta, com toda responsabilidade possível e irresponsabilidade imaginária.
* Martin Cezar Feijó é historiador formado pela FFLCH-USP e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Professor de Comunicação Comparada na graduação na FACOM-FAAP e em cursos de pós-graduação, como Jornalismo Cultural na FAAP. É professor-pesquisador no Programa de Pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Presbiteriana Mackenzie (EAHC-UPM). Autor de vários livros.
Últimos comentários
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Thandara - 29/11/2009 às 09:11:01
=)
Gostei bastante.. não vamos perceber o q aconteceu em 2009 .. não agora só la na frente.. qdo nos darmos conta q o tempo passou.. e querer relembrar as coisas boas e ruins.. Gostei bastante do site!! Parabéns!
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