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Mariana Ximenes e sua participação especial em "Hotel Atlântico", filme de Suzana Amaral

Num papo exclusivo, a atriz e o protagonista, Julio Andrade, falam sobre a estreia

por Sarah Oliveira - 13 de novembro de 2009
DivulgaçãoEstreia nesta sexta-feira (13) "Hotel Atlântico", baseado no livro homônimo do escritor gaúcho João Gilberto Noll e dirigido pela cineasta Suzana Amaral. O longa conta a história de um ator desempregado e angustiado interpretado por Julio Andrade (um dos destaques de "Cão sem dono", de Beto Brant), que embarca em uma viagem meio que sem destino pela região Sul do Brasil. 

Do protagonista quase não sabemos nada, é um cara que não tem uma história ou um passado revelador, e o longa nem deixa claro porque ele foi fazer essa viagem. Ele não tem nome, é chamado apenas de Artista (leia a resenha aqui). Em sua trajetória, encontra várias personagens tão melancólicas e problemáticas quanto ele, uma delas vivida por Mariana Ximenes que faz uma participação pequena, embora marcante, como a adolescente Diana. Ela é a filha do médico mais poderoso de uma cidadezinha. Segundo Julio Andrade, a presença da atriz ali é fundamental: "Mariana está excelente".

A trama é feita de episódios. “Eu faço apenas o último episódio. O grande lance pra mim foi o convite da Suzana pra participar deste filme. Sempre fui fã e tinha curiosidade de trabalhar com ela.", me contou Mariana nesta entrevista. Ela, que viu o resultado pela primeira vez em sua pré-estreia no Festival do Rio em outubro, afirma que trabalhar com a cineasta e com um elenco de primeira como este (além de Julio, também atuam João Miguel, Gero Camilo e André Frateschi, entre outros) foi uma honra. Julio reitera: "Suzana me convidou pra fazer o filme porque tinha assistido ao 'Cão sem dono'. Eu topei na hora por ser ela. 'A hora da Estrela' (baseado na história homônima de Clarice Lispector) é um filme dela que marcou minha vida", diz ele.

Por ocasião do lançamento nesta sexta (13), Mariana Ximenes e Julio Andrade bateram um papo exclusivo comigo. Confira:

A diretora Suzana Amaral com os atores João Miguel e Julio Andrade no set de filmagemS: Como é a Suzana no set?
M: Espevitada. Para você ter uma ideia, ela não senta nunca, impressionante! É cheia de gás, comanda muito bem um set, coisa necessária. Não adianta ter apenas um olhar de direção criativo, tem que saber liderar.

J: Ela tem uma maneira diferente de trabalhar. Trabalha muito com a conversa. Ela não tranca a cena, não ensaia e, sim, te faz entrar num jogo. Para ela, o ator nunca pode entrar em cena vazio, tem que ter algum objetivo e isso propõe um jogo que te deixa aberto às possibilidades que o roteiro te traz.

S: E como foi o primeiro contato de vocês com o texto e com as personagens?
M: Sempre tem uma preparação para viver uma personagem, lógico, mas como esta foi apenas uma participação especial, para viver essa adolescente eu acabei me baseando muito no livro do João Gilberto Noll. Li para o filme.  E o resultado desta adaptação me encanta por se tratar de um filme autoral. Eu aprecio demais o cinema autoral, sabe, Sarah? Fora que acho que ele é um ótimo aperitivo pra quem não conhece a filmografia da Suzana Amaral, uma pessoa tão importante pro cinema nacional.

J: Eu conhecia o João Gilberto Noll, pois é meu conterrâneo, mas ainda não tinha lido "Hotel Atlântico". Ele, inclusive, me disse que foi a melhor adaptação feita de um dos livros dele.

Mais bastidores. Crédito: Ari PinyS: Mari, você estava começando a gravar a novela e ficou um tempo em São Paulo pra preparação da Lara (personagem dela em "A Favorita") e se dividia entre isso e as filmagens com Suzana no interior da cidade, não?
É verdade. Filmamos "Hotel Atlântico" em Amparo, em São Paulo, e lembro-me que, na época, até deixei minhas unhas com esmaltes coloridos e descascados, caracterização bem teen mesmo (risos). Ficava escondendo as unhas o tempo todo.

S: Vocês falaram da admiração que têm pela Suzana e pelos atores que participam do filme. Julio já tinha trabalhado com André Frateschi na televisão e Mariana já conhecia Gero Camilo. E como foi este encontro de vocês com João Miguel? Já o conheciam? 
M: Não, a gente se conheceu na leitura do filme. Mas sempre admirei muito este baiano sensacional em todos seus papéis no cinema, assim como fiquei fã do Julinho, este gaúcho que vi pela primeira vez em "Cão sem dono". Foi ótimo contracenar com ele. João, Julio e Gero Camilo são atores maravilhosos. Realmente isso fez toda a diferença no filme.

J: Vou te contar uma coisa curiosa. Quando eu vi "Cinema Aspirinas e Urubus", fiquei tão bem impressionado com a atuação dele no filme que pensei comigo: 'Eu quero ser amigo deste cara'. Quando soube que João Miguel iria participar do filme, pedi o telefone dele, liguei na hora e disse: "João: tenho vontade de ser seu amigo e acho que essa é uma grande oportunidade". Ele ficou feliz (risos). E tem outro ponto bacana: meu personagem só quer viajar e, quando ele encontra o do João Miguel saca na hora que é preciso acreditar nas pessoas, que a solidão não funciona. Acho interessante, pois é o único personagem com quem ele cria essa relação.

S: Você que participou do filme e do processo todo do começo ao fim, o que acha que vai chamar mais a atenção do público, Julio?

J: Por se tratar de um filme de episódios, ele tem um ritmo, então não cansa. Confesso que não o considero um filme comercial, ele tem uma linha mais alternativa, pois não é feito em cima de clichês, por exemplo.Tem sempre encontros novos, acho que para o público isso é o que o mantém sentado ali. Imagino que muita gente deve ficar tentando digerir aquele final, aquelas maluquices todas, mas quando o filme te toca de alguma maneira não é fácil entender de imediato. A pessoa pode entrar na viagem. É um filme jovem, atual. Você não acredita que é feito por uma senhora. (Suzana Amaral não afirma sua idade real, mas sabe-se que tem mais de 75 anos. Começou a carreira aos 37 anos no final dos anos sessenta quando, já mãe e quase avó, fez faculdade de cinema na Escola de Comunicação e Arte da USP e depois pós-graduação em direção em Nova Iorque).

S: Mari, aproveitando nosso papo aqui, você tá se preparando fisicamente (Mariana voltou a malhar e começou a fazer aulas de surfe), pois logo mais começa a gravar uma personagem da pá virada pra próxima novela das 9 (de Silvio de Abreu), certo?
M: A gente começa com os workshops, preparações e leituras de texto mês que vem e acredito que começamos a gravar em janeiro. O nome da minha personagem é Bianca. Não sei muito sobre ela ainda, Sarah, apenas que será uma vilãzona daquelas (risos).

DivulgaçãoMariana Ximenes é sem dúvidas um dos maiores expoentes de sua geração de atrizes. Sempre conciliando tevê e cinema, ela filmou este ano também o longa-metragem "Quincas Borba" (baseado na clássica obra homônima de Machado de Assis) no qual ela contracena com outra fera: Paulo José. "A gente ficou muito amigo. Ele é de uma sensibilidade... Convivi por quatro meses com o Paulo, em Salvador. Ficamos por lá dois meses inteiros de preparação e dois filmando. Ele pra mim sempre foi um ídolo. Constatar o quanto  é generoso e parceiro foi uma experiência maravilhosa na minha vida que quero guardar pra sempre!" 

O filme ainda não tem previsão de estreia, mas Mariana volta ao Colherada Cultural para falar dele e de seus próximos trabalhos em breve na minha coluna. Aguarde!
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