um mergulho pelo gótico

Exposição de Tim Burton no MoMa mostra outras facetas do diretor como artista

por Luciana Borges - 26 de novembro de 2009
"Little dead ridding hood", de 1981, um dos desenhos expostos O Colherada já havia adiantado a informação para você: finalmente abriu no MoMa, em Nova York, no último dia 22 de novembro, a exposição que traça um panorama da trajetória profissional de Tim Burton mostrando que seu talento para criar mundos paralelos vai além do trabalho como cineasta.
 
São mais de 700 obras entre desenhos, maquetes, figurinos, cartazes, fotografias e animações que tratam de temas comuns ao seu universo, como a solidão e o sentimento de inadequação social, resultado de suas próprias experiências pessoais.

O programa é imperdível para quem der a sorte de circular pela cidade americana até o dia 26 de abril de 2010, data em que se encerra a exposição. Mas mesmo que você não tenha sequer previsão de passar por NY, é possível conferir, ainda que de longe, um pouco do material e saber das história contadas por essas imagens.

No dia da abertura, Burton compareceu ao lançamento ao lado da mulher, a estranhinha Helena Bohan-Carter, e recebeu a visita de seu alterego cinematográfico – Johnny Depp. O ator é a melhor encarnação da visão de mundo um tanto mórbida do diretor, mas mesmo antes dele emprestar seu rosto e seus trejeitos a detetives soturnos, barbeiros assassinos e criaturas com mãos de tesoura, Burton já inventava personagens marginais no papel mesmo. É com gravuras e desenhos feitos na infância que a exposição começa, passando em seguida pelo período em que ele foi animador da Disney no começo dos anos 90. 

"Blue girl with leg" (ä esq.) e "Blue girl with wine" (ä dir.)“Eu nunca mostrei essas coisas para ninguém, nunca considerei que fosse arte ou trabalho artístico. Talvez porque não foram realmente feitos para serem vistos. Era tudo parte de um processo quando eu estava tendo ideias, trabalhando em um projeto”, disse Burton sobre as obras expostas em uma entrevista disponível no próprio site do MoMa. Junto a essas imagens estão fotografias de seus personagens no cinema e de cenas-chave dentro de sua filmografia, da qual foram eleitos dezesseis longas a serem exibidos na ocasião.

Através dessa jornada por frames é possível perceber como Burton busca referências no expressionismo alemão para fazer seus próprios trabalhos. A dinâmica, a forma, o jogo de luz e sombra, tudo o inspira: “Como Fritz Lang, por exemplo. Eles realmente captam o espírito e a sensação de estar em um sonho ou dentro da mente de alguém”, completa ele, ainda na mesma entrevista.

A expectativa de público para a exposição é alta, bem como a repercussão na imprensa americana. E como o nome de Tim Burton é mundialmente popular, se cogita a possibilidade dessa mesma mostra ser apresentada no Brasil em 2010. De qualquer maneira, o ano que vem promete ser um marco em sua carreira por causa da estreia de “Alice No País das Maravilhas”, previsto para chegar por aqui em abril.

Criativo incondicional, Burton não se conteve e fez um desenho animado para convidar as pessoas a verem a exposição. O resultado de mais esse traçado você confere abaixo. Clique.

Últimos comentários
  • mII - 26/11/2009 às 16:58:53

    ...

    Adoraria que essa mostra viesse ao Brasil... Tim Burton é demais!!

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