numa folha qualquer

A valorizada linguagem do desenho artístico

"Desenho Ocupado", na Galeria Leme, expõe integrantes do ateliê Fidalga com suas múltiplas variantes sobre a técnica

por Adriana Guivo - 7 de dezembro de 2009
"Caneta Hidrocor Azul" (2008), de Carlos NunesDesenhar, durante muito tempo, era apenas esboço para grandes obras, fossem elas esculturas ou pinturas. Hoje, é um ato de escolha, uma forma vital de se expressar. Fazendo uso de materiais diversos, o mundo de opções experimentais para se realizar algo definido como desenho se multiplica ao infinito.

Na exposição “Desenho Ocupado”, sete artistas que freqüentam o ateliê Fidalga foram escolhidos pela Galeria Leme para exporem suas diferenciadas formas de traçar espaços. Três deles, em particular, se desdobram dentro de linhas de pensamento bastante peculiares.

Henrique de França trabalha a partir de antigas imagens fotográficas. Sobre grandes folhas de papel, desliza o grafite fazendo surgir ambientes fortemente contrastados pela luz do sol. As áreas que permanecem intactas, vazias, possuem tanta força quanto as que ganham casas, árvores ou o corpo de uma pessoa. Incompletos, os assuntos transferidos dos retratos parecem flutuar e pertencerem a um lugar de sonho, idealizado, o que nos faz lembrar as pinturas silenciosas de Edward Hopper.

Encontrar o limite da carga de um material é a meta de Carlos Nunes. Um giz de cera ou uma canetinha de colorir se gastam por inteiro em suas mãos, enquanto repete um mesmo movimento sobre uma folha de papel. Próximos do fim, o desenho ganha uma variação tonal, se esgarçando a ponto de tornar visível apenas o aspecto gráfico do seu gesto.

Em um tubo com cerca de 40 litros de nanquim diluída, Carla Chaim mergulha grandes folhas de papel, repetindo o gesto de 3 a 4 vezes seguidas. Na superfície já seca, ficam gravadas sensações líquidas impossíveis de se alcançar com os usuais pinceis para esse tipo de tinta. É como se houvesse diante dos olhos a representação de um aquário ou um depositório de águas impossíveis de se navegar.

É dela também a delicada instalação “Pássaros”. Em brancas folhas quadradas, evidenciou as marcas da dobradura de um pássaro, mantidas planas e emolduradas ao invés de representarem tridimensionalmente o animal. Da forma como foram dispostas na parede, se transformaram numa estática revoada.

Ana Pinheiro, Malu Saddi, Márcia de Moraes e Reginaldo Pereira são os demais desenhistas que transformam essa linguagem em objetos contempláveis, e de valor.

“Desenho Ocupado” até 19 de dezembro na Galeria Leme. Rua Agostinho Cantu, 88 – Butantã – São Paulo. Tel: (11) 3814-8184.
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