alô criançada

Hoje é Dia do Palhaço, é sim senhor!

A figura resiste a gerações, há três séculos

por Estela Cotes - 10 de dezembro de 2009
Palhaço Arrelia é um dos grandes nomes da área no BrasilChico Buarque e Edu Lobo versavam em 1983 que o circo é a “arte de deixar algum lugar/ quando não se tem para onde ir”. Debaixo da lona nômade malabares, mágicos, domadores e acrobáticos dividem a atenção com o homenageado deste 10 de dezembro, o palhaço.

Assim como a formação do circo paralelo às produções teatrais, o desenvolvimento do papel dos chamados clows também deve-se aos ingleses e franceses durante os séculos 18 e 19. Nesta época, no entanto, os palhaços não desempenhavam o mesmo papel que conhecemos desde o século passado.
As participações cômicas eram restritas a um número circense geralmente feito sobre um cavalo. Com o tempo o personagem passou a ser mais requisitado nos espetáculos e as principais características eram a “gratuidade de suas intervenções e a liberdade de improvisação”, segundo citação no livro “Palhaços”, de Mário Fernando Bolognesi.

Imagem de Joseph Grimaldi de 1837Ao tomar as ruas, com apresentações ambulantes, por volta de 1770, os clows incorporaram técnicas da commedia dell’arte. A corrente italiana de teatro acrescentou mímica, música e dança aos números – daqui aliás é que surgem os personagens Arlequim e Colombina. Essa fusão entre o que estava sendo produzido pelos ingleses com elementos da dell’arte resultaram no que conhecemos hoje como circo moderno.

A maquiagem com a base branca, uma boca gigante e colorida teve início, segundo Bolognesi, com Joseph Grimaldi no século 19. Filho de artistas ele uniu a máscara branca e pálida do Pierrô com a “agressividade avermelhada e pontiaguda do Arlequim”. O percurso é longo, mas daqui para frente você pode imaginar aonde chegamos.

Os números são atualmente distintos em grandes circos, como o Garcia e Orfei, frente aos menores – aqueles que passam pela cidade da sua avó no interior. No primeiro caso, os palhaços tem pequenas participações e ocupam intervalos na preparação do picadeiro. Já no segundo, a figura é o chamariz para o público.

A figura do palhaço encanta há centenas de anos talvez pela simplicidade ou até ingenuidade. Como mostrado na montagem “A Noite dos Palhaços Mudos”, que ficou em cartaz por quase um ano viajando pelo Brasil, o homem com andar bizarro, roupa chamativa e nariz vermelho saca o riso como o Bobo da Corte – aquele que parece ser o mais atrapalhado, bobão, que no fundo, no fundo é o mais sábio do reino.

APROVEITE

De quinta (10) a domingo (13), em São Paulo, no Tatuapé*, acontece o 4º Panorama Paulista de Circo. A mostra reúne espetáculos dos grupos Parlapatões, La mínima, Namakaca, Irmãos Becker, Circo de Natal e o Palhaço Picoly. Ao de Hugo Passolo e Picolino estes formam alguns dos principais nomes da cena circense, unindo-se aos saudosos Carequinha, Arrelia e Piolim.

No Youtube você também pode relembrar algumas cenas dos filmes dos Trapalhões que levaram para as telas números típicos do palhaço de circo. Relembrar o excêntrico Bozó, o lunático Krusty... opção não para este dia.


*Parque do Piqueri, Tatuapé – São Paulo. Quinta (10) e sexta (11), às 19h30.Sábado (12) e domingo (13), às 11h, 15h e 17. Grátis.
Últimos comentários
  • Michelle - 10/12/2009 às 13:50:44

    Parabéns!

    Esses artistas merecem muito a homenagem, esse dia especial, só para eles. Deixo aqui meus parabéns para todos os que ainda encantam o público com essa arte maravilhosa. Dois deles - Helena Figueira e Duba Becker - ensinaram-me que a magia e arte do circo ultrapassa, e muito, as barreiras dos picadeiros ou dos teatros. O circo une as pessoas como uma família! Parabéns a todos que ainda carregam essa magia em suas vidas! PS: Vale a pena participar desse encontro que acontecerá em Taubaté. Só tem fera participando!

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