SPFW inverno 2010

O Colherada faz um panorama do primeiro dia de desfiles da SPFW

por Luty Vasconcelos - 18 de janeiro de 2010
Pela primeira vez na correria da semana de moda mais importante do país, o Colherada segurou o fôlego para trazer um panorama dos desfiles que aconteceram no dia de abertura da SPFW. Entre propostas comerciais e grandes apresentações de design de moda, o balanço foi positivo. Algumas tendências apareceram em mais de um desfile, como a corsetaria. A moda praia esteve por duas vezes nas passarelas de inverno, mostrando que o clima de caos da natureza refletiu na criatividade dos estilistas brasileiros. Mulheres exageradas, over, românticas e futuristas encheram os olhos do público causando desejo. E o desejo é o que move o mundo da moda


CAVALERA: FÁCIL E GOSTOSO COMO O ROCK'N'ROLL
 
Coleção A Cavalera abriu a temporada de desfiles da semana de moda num local que tem tudo a ver com a marca. Depois de interditar o Minhocão, agora foi a vez de usar a galeria do rock, no centro da cidade, com palco para a apresentação das  propostas para o inverno 2010. O Tema? Sexo, Moda e Rock’n’Roll.

Fácil como o rock’n’roll, a coleção veio dentro do estilo que já virou um clássico. Da tribo do rock, do punk nas calças skinny, nas tachas, as camisetas e é claro, no preto. O jeans, que também é outra grande força da referência, apareceu com tratamentos e lavagens em tons “empretecidos,” cinza, e resinado em tons metalizados.

O Sexo? As meninas da Cavalera são fetichistas. Corsetaria e bordados manuais combinados com renda dão o ar sexy à mulher rock’n’roll.  Vestidos e shorts curtíssimos mostraram que Alberto Hiar (O Gringo Loco), proprietário da marca, imagina um inverno um pouco mais quente para esse ano.
Nenhuma grande novidade na coleção que veio para acertar nas vendas e fazer o gosto do freguês.



PRISCILLA DAROLT: AR FUTURISTA E CORSELETARIA

Vestido corsetaria com detalhes em passadeiras de borracha, de Priscilla DaroltA estilista trabalhou uma coleção quase arquitetônica na sua modelagem. Com materiais inusitados como velcro, passadeiras de borracha, nastron e cadarços de algodão, ela foi montando, com técnica de moulage, vestidos com golas estruturadas e ombros armados.

Além desses vestidos conceituais, que deram um ar futurista ao resultado final das peças, ainda houve uma boa parte de corsetaria em seu desfile. Vestidos-corsets fetichistas foram montados em materiais diversos, como cetim de seda e tela de algodão, com amarrações nas costas e uma riqueza de detalhes de cortes que brincam com as formas do corpo feminino.

Um primor de trabalho que teve a consultoria da mestra da corsetaria no Brasil, Miss.Sher. A leveza da coleção ficou com as estampas de flores. Priscila escolheu orquídeas em tons de roxo, lilás e lavanda para a estamparia. O resultado foi uma coleção criativa, contemporânea e impactante. Tanto na escolha de materiais, como na modelagem impecável e nas silhuetas atualíssimas.





FAUSE HATEN: EXCESSOS EM PLUMAS E PAETÊS

 Mulher glamurosamente vestida por Fause HatenA grife FH, de Fause Haten, surpreende ao propor para o inverno uma coleção que prima por excessos, apesar de essa não ser a característica do estilista. Franjas, plumas, paetês, peles, tie-die, padronagem “pied-de-poule” (aquele tipo de xadrez em preto e branco muito usado pela Maison Chanel em seus tailluers de tweed), texturas e mais texturas em sobreposições improváveis e luxuosas criaram a imagem de uma mulher ousada e segura com as possibilidades de criar seu look sem deixar de ser chique, mas usando tudo ao mesmo tempo.

Meias calça com estampa de peles animais surgiram acompanhando vestidos e saias amplas em todos os comprimentos. Calças largas com saias sobrepostas e mais casacos e blusas apareceram várias vezes em combinações diferentes. De repente uma túnica longa toda em paetê dourado e sustentando uma estampa também em paetê, com a imagem de Obama (?). Brincando com o seu lado excessivo, o estilista ainda sustentou uma divertida performance cantando a trilha do próprio desfile. Acompanhado por músicos, o Fause cantou clássicos dos anos40.


MÁRIO QUEIROZ: INVERNO LONDRINO PARA ELES

Inspirado na Inglaterra, os homens de Mário Queiroz são O estilista que já trabalhou kaftans para homens e apresentou um ar sofisticado de luxo oriental para outra de suas coleções, agora vai à Inglaterra para propor um inverno 2010 mais bem humorado aos rapazes.

Seguindo uma linha mais jovem e comercial, Mário Queiroz apresentou várias referências e ícones do país inglês. A cartela de cores foi dos tons primários puros como amarelo e vermelho e azul, depois o preto e branco, a tons de vinho e mostarda. Quadriculado, como tabuleiro de xadrez, fez das camisetas e camisas de alfaiataria a composição com calças estilo limpador de chaminé, adornados com gravatas finas que lembram os quatro meninos de Liverpool nos anos 1950.

As peças em cores puras vieram em jaquetas, casacos e até calças de matelassê. Muita cor e muita estampa compõem um homem urbano com “humor”. Destaque para as peças de linha como cardigans, suéteres e camisas primorosamente trabalhadas em linha. Acho que em tempos de crise é importante vender. E Mário priorizou o apelo juvenil e urbano do momento para fazer moda. Coleção comercial e benfeitinha. 




OSKLEN: UMA IDENTIDADE ÚNICA QUE CONTINUA

Osklen apresenta inverno inspirado no verãoA Osklen consegue a cada temporada imprimir uma identidade forte sem deixar de surpreender nas propostas de moda e de conceito. Inspirado no verão, estação oposta, Oskar Metsavaht, dono e diretor criativo da marca, apresenta o desfile de inverno mais forte do dia.
A geometria das peças que abriram o desfile criavam volumes que desconstruíam a forma do corpo. Os modelos pareciam estar dentro de armaduras de algodão. O tema desenrolou a criatividade do estilista para roupas que lembravam biquínis, sungas e maiôs. Puro conceito. Depois do show de modelagem e construção arquitetônica de uma nova silhueta para o corpo humano, vieram as roupas realmente usáveis. Então foi muito fácil de se apaixonar pelas longas saias esvoaçantes e pelas segundas-peles estampadas com motivos entre o gráfico e o floral.
O maxitricô deu um ar de luxo artesanal para esse inverno, que mostra uma cartela de cores predominantemente neutras como preto, off white, marrom, caqui, pontuados por tons quentes como laranja, rosa, vermelho.
As sandálias e botas também carregaram uma rusticidade chique. Oskar mais uma vez mostrou que sua grife prima por conforto e sofisticação sem perder a inovação do design.  


ROSA CHÁ: ROUPA DE PRAIA PARA USAR COMO LINGERIE

Maiô com jeito de lingerie vintage de Rosa CháA Rosa Chá subverte a moda praia e se inspira em lingerie e roupas de mergulho para lançar a coleção de inverno 2010. Mas, se é inverno, bodies e sutiãs da marca, agora assinada por Alexandre Herchcovitch, podem servir mais para compor uma produção de roupa do que para ir à praia, certo?
O fetiche mais uma vez está presente nas passarelas, em maiôs, biquínis, vestidos, blusas e macacões na cor preta, com ar que ficou entre o romântico e a dominatrix. Mas romântico mesmo foram as peças em estilo vintage que imitavam lingeries antigas em tons de pele e detalhes estampados como se fossem rendas pretas.
Para quebrar um pouco o ar  “antiguinho” do design, o estilista optou por uma linha na qual misturou estampas aquareladas, rendas e modelagens estilo corsetaria.
Diferente? A cara de Alexandre Herchcovitch ousar, subverter a ordem e assinar seu nome.


COLCCI: MAIS CONSISTÊNCIA NA AUSÊNCIA DE GISELE

Os Viajantes urbanos de Colcci
A Colcci, que sempre investe muito nos modelos que desfilam a marca, desta vez teve de trocar a UberModel e agora "mamãe" Gisele Bündchen pela dupla Izabel Goulart e Alessandra Ambrósio. O ator Cauã Raymond foi a cara masculina da grife.
A coleção me surpreendeu por apresentar os viajantes urbanos num estilo folk mais criativo, saindo um pouco do lugar comum e comercial de uma das grifes favoritas dos jovens. Em relação às coleções anteriores, a marca parece ter feito um esforço maior no design para substituir a força da presença de Gisele.

Amadurecimento, talvez? Algumas peças em tricôs, como maxipullover, ponchos de lã,  e manguinhas soltas fazendo as vezes de luvas deram um toque no styling da marca, que não deixou de fora as tachas e babados que sempre traz na sua identidade. Colcci sem Gisele tem mais para mostrar do que apenas o frisson que a modelo causava no público.
Últimos comentários

Nenhum comentário para exibir, seja o primeiro a escrever um!

Faça o seu comentário

Vídeo

Publicidade
Colherada no Twitter
Ressaltamos que nenhum estabelecimento foi incluido neste guia por ter feito publicidade em qualquer publicação nossa e que nenhum tipo de pagamento influenciou as resenhas. As opiniôes publicadas neste site são dos escritores do Colherada Cultural e são totalmente independentes