spfw inverno 2010

Estilos bem diversos marcaram quarto dia de desfiles da SPFW; leia panorama

por Luty Vasconcelos - 21 de janeiro de 2010

Uma grande diversidade de estilos apareceu nas passarelas do quarto dia da SPFW. De mulheres luxuosas que vão às festas mais glamurosas do país, até mulheres sombrias com ar caótico, passando pelas moderninhas, descoladas, cool. Um show de estilo em bons desfiles.

GLÓRIA COELHO: AINDA IDEALIZANDO O SEU FUTURO
 
Glória seguiu na sua viagem espacial. No ultimo verão, a estilista apresentou uma de suas melhores coleções “ever”, inspirada nos projetos futuristas do arquiteto norte-americano Frank Gehry e no espaço sideral.

Para o inverno, algumas coisas se mantêm. Os vestidos continuam curtos, feitos em tiras de tecido encorpado, dessa vez intercalando com tiras de tecido transparentes igualmente armados. Todos os tecidos carregaram certo brilho, do branco ao dourado, que apareceu de  maneira sóbria.

As cores predominantes foram o branco, o cinza, passando pelo rosa e pelo caqui chique. Já os sapatos continuaram imitando patas, desta vez, feitos em cores fortes como vermelho, laranja e verde, além de trazerem saltos menos elaborados.


ERIKA IKEZILI: ILEGÍVEL INTELIGÍVEL

Com esse nome significativo, Erika partiu das obras dos artistas plásticos Mira Schendel, Kumi Yamashita e Fred Eerdekens para criar peças com volume nos ombros e com pontas, acompanhando na modelagem os elementos geométricos que também apareceram nas estampas abstratas que fazem parte da coleção. Aplicações de adereços em letras metálicas nas costas e nas palas dos vestidos com decotes profundos que formavam combinações leves e plissadas.

As cores claras como verde-água, cinza, rosa, lilás e pêssego predominaram, porém a estilista Erika não ignorou o preto, dominante nas passarelas, e o tom de vinho, que dialogou bem com os recortes da modelagem. As calças são mais curtas, assim como no macacão com ar de conforto, que valoriza as ankleboots. Essas com solado em tons de terracota, quase vermelho. As franjas apareceram mais uma vez em metal, mas agora nas bolsas a tira-colo. A proposta pareceu ser para uma mulher moderninha e elegante que tem um pé nas artes visuais.


AMAPÔ: EM CLIMA DE AMIZADE

Mais que uma ótima coleção arrojada, inspirada também nas artes plásticas, no cubismo, no caos das tintas, o clima da sala de desfile da grife foi diferente. As estilistas Carolina Gold e Pitty Taliani exibiram sua coleção de inverno sob os aplausos e os gritinhos de torcida e orgulho dos amigos Dudu Bertholini e Cia, animados em ver o que foi uma das melhores propostas jovens da temporada.

Fernanda Lima, bela e descontraída, abriu o desfile com vestido feito de tiras de vários tons de jeans, unidas por zíperes dourados que também apareceram em casacos, calças, saias e bermudas oversize, essas seguradas por suspensórios grandes -- para ele e para elas. Os zíperes meio abertos criavam vazados interessantes com cara de quem constrói, desconstrói e reconstrói sua própria essência. Muito Bom.

Casacões do tipo sobretudo, totalmente unissex, que fechavam com laços grandes deram vontade de vestir, mesmo com todo esse calor. E as estampas? Xadrezes e jornais como se estivessem sujos de tinta, tecidos coloridos como pinturas e até a bandeira do Brasil veio com colarinhos brancos, como quem tira um sarro do país.

Outra coisa que chamou a atenção foram as saias, bermudas e calças feitas a partir de camisas amarradas. Onde eu vi isso? Comme des Garçon? Karla Girotto? Não importa. O importante é que foi muito benfeita na mistura de estampas ou em preto e tinha tudo a ver com a construção, ou desconstrução, do look e da juventude dos dias de hoje. Deu mesmo vontade de vibrar pelo acerto. 

HUIS CLOS: MAIS UMA COLEÇÃO BELÍSSIMA

Clô Orozco, como diretora de criação, e Sarah Kawasaki, a estilista responsável, pensaram numa mulher muito refinada para o inverno 2010. Vestidos justos ou levemente soltos, e fluidos delicadamente e enfeitados por franjas, plumas ou peles, apareceram com um clima de total identidade com a marca. Tecidos ricos, da melhor qualidade, como algodão, lã, cetim e musselini de seda pura deram forma para um shape elegante e sofisticado demais.

Entre os detalhes que davam personalidade às peças estavam  decotes em V profundos e preenchidos por transparências. As cores escolhidas foram off white, nude, marrom, cinza, prata e preto. O dourado apareceu nos maxibordados em lantejoulas de metal que tilintavam de tão volumosas, mas pareciam leves. Belas.

Destaque ainda para os acessórios como as luvas longas em tule fino francês e os turbantes de tafetá. Para grandes festas refinadas, seus vestidos e mantôs na altura do joelho pareceram direcionados para uma mulher madura e socialmente bem posicionada. Não teve calça comprida, bermuda, nenhuma roupa mais esportiva.

2ND FLOOR:  DETETIVES DESEJÁVEIS

A 2nd Floor trouxe os detetives de Londres à la Sherlock Holmes na passarela. Inspirada na obra do escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle, a estilista Adriana Bozon recriou os clássicos trench coat, dessa vez de lã, para eles e para elas.

O jeans, elemento forte da marca, apareceu num belo dark blue e de efeito desgastado. A modelagem masculina, skinny, ou reta com a barra dobrada. As garotas também usam as skinny e as vezes o oversize. Outro modelo de calça que apareceu foi com pregas, com cós largo, cheio de volume, de alfaiataria.

Os vestidos, curtinhos e com aplicações de pedraria com brilho, deixaram a coleção sofisticada -- sem perder o ar descolado. Nos acessórios, destaque para os óculos arredondados, que de longe lembra o Ray Ban Wayfarer. Um tipo de street wear fino, comercial e cobiçável.

ANIMALE: MAD MAX CONTEMPORÂNEO

Me lembra um pouco o filme em que Tina Turner é uma forte guerreira e sobrevive no meio do caos do planeta. Em meio a enormes engrenagens surge Raquel Zimmermann, a top número 1 do mundo, em um vestido vermelho curto com recortes e um degradê de vermelho claro para escuro no comprimento dos braços.

Depois, mais mulheres vestindo muito couro recortado, estampas caóticas, também de engrenagens, em vestidos curtinhos e shorts. Nos acabamentos, elementos pontiagudos nos ombros, nas golas, nas laterais.

As cores foram desde o cinza-azulado com lilás, passando pelo rosa-salmon, marrom, vinho, vermelho e preto. O brilho esteve nos tecidos e acabamentos em couro. As anquinhas marcadas apareceram nessa mulher em clima de caos da Animale. Caos também foi a apresentação da coleção. Com mais de uma hora de atraso e vaias do público impaciente, a grife começou seu desfile. Será que foi proposital? Não sei, mas teve tudo a ver com a exibição.

Últimos comentários

Nenhum comentário para exibir, seja o primeiro a escrever um!

Faça o seu comentário

Vídeo

Publicidade
Colherada no Twitter
Ressaltamos que nenhum estabelecimento foi incluido neste guia por ter feito publicidade em qualquer publicação nossa e que nenhum tipo de pagamento influenciou as resenhas. As opiniôes publicadas neste site são dos escritores do Colherada Cultural e são totalmente independentes