suspense
Luiz Alfredo Garcia-Roza conta história de detetive no Rio de Janeiro em "Céu de Origamis"
por Martha Lopes - 26 de janeiro de 2010
Associar investigações de crimes intrincados, dignas de detetive, a locações como a Inglaterra é quase um clichê irresistível. Talvez por isso um dos maiores impactos de "Céu de Origamis" seja ver o delegado Espinoza encontrar testemunhas e vítimas de uma investigação entre chopes e passeios em Copacabana, no Rio de Janeiro.O personagem criado pelo escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza é quase um canastrão. De aparente meia-idade e solteiro convicto -- apesar de nutrir um namoro de algum tempo com a independente Irene --, ele se vê envolvido em um jogo sedutor comandado por duas mulheres: Adriana, mais velha e de beleza óbvia, esposa de um dentista desaparecido; e Cecília, uma jovem não tão bela, mas misteriosa, secretária do dentista.
É pelo mistério do desaparecimento de Marcos, no entanto, que o delegado se sente fascinado. Depois de procurado por Adriana, o profissional encontra um caso cheio de pistas e fatos conflitantes e ambíguos. E, à medida que eles são expostos, o autor constrói a tensão do texto com maestria, alternando os personagens em papéis de vítima e culpado, além de fortalecer a imagem das mulheres da trama, ora inocentes ora vilãnizadas.
Adiciona-se a esses elementos uma linguagem digna de tramas de suspense, com frases curtas e impactantes, costuradas umas a outras, conferindo um ritmo difícil de ser interrompido. Tão intrigante e surpreendente como um mistério de Sherlock Holmes -- ainda que ambientado entre as altas temperaturas e a malemolência do Rio de Janeiro.
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