Elenco talentoso encabeçado por Daniel Day-Lewis, fotografia e figurinos belíssimos, uma história interessante baseada em um musical de sucesso da Broadway que faz homenagem ao clássico “8 ½” de Federico Fellini. Dá para perceber que o diretor Rob Marshall tinha tudo para fazer de “Nine” um filme memorável, mas apesar de tantos predicados, o longa fica bem aquém do que se poderia esperar.
O musical conta a história de Guido Contini (Daniel Day-Lewis com um sotaquezinho forçado que beira o irritante), um famoso cineasta italiano que sofre de um tremendo bloqueio criativo ao iniciar as filmagens – sem ter nenhuma página sequer de roteiro – de seu novo projeto, “Itália”. Para piorar, seus últimos lançamentos foram fracassos de crítica e, por isso, ele sofre com as pressões do estúdio e da imprensa. Estressado, o diretor fictício tenta achar um norte nas mulheres importantes em sua vida. É aí que os problemas começam, pois Guido não é um personagem carismático e muitas vezes seu egoísmo beira a vilania. As tais mulheres que desfilam pela tela – e no caso de algumas a passagem é tão rápida que elas apenas desfilam mesmo – não ficam na história tempo suficiente para criar identificação com o espectador.
Rostos conhecidos não faltam à trama. A figurinista e confidente Lili (Judi Dench), a amante cheia de carências Carla (Penélope Cruz), a mulher resignada e infeliz Luisa (Marion Cotillard),a jornalista atirada Stephanie (Kate Hudson) e a musa inspiradora de seus filmes Claudia (Nicole Kidman) dividem espaço com “fantasmas” do passado de Guido como sua mãe (Sophia Loren) e a prostituta Saraghina (a cantora Fergie, do Black Eyed Peas). Todas têm seu número de canto e dança garantido, mas nem sempre acertado. Algumas canções parecem totalmente deslocadas do drama de Contini – os melhores momentos sonoros ficam por conta de Kate Hudson, com a animada música “Cinema Italiano”, e Fergie, que transformou o tema “Be Italian” em um destaque – talvez devido a ruptura brusca entre os diálogos e as cantorias.
Se não ganha muitos pontos por cantar e dançar com primor, Marion Cotillard comove como a mulher do cineasta que anula sua vida e uma promissora carreira de atriz em nome da felicidade do egocêntrico marido. Ela é a única a conseguir conferir humanidade e profundidade ao papel coadjuvante. A atriz francesa prende a atenção em todas as cenas em que surge, mas não consegue salvar a história.
Ao sair do cinema certamente o que fica na cabeça do espectador não é o dilema de Guido Contini ou a dor e os desejos de suas mulheres, mas o refrão de "Be Italian". Uma pena.
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