quem é ela?
Kathryn Bigelow, diretora de “Guerra ao Terror”, é expert em lidar com o universo masculino
por Luciana Borges - 7 de fevereiro de 2010
É engraçado ver como a maioria dos jornalistas se referiu recentemente a Kathryn Bigelow, diretora do longa “Guerra ao Terror”, e indicada a nove Oscar este ano, incluindo o de Melhor Direção. Kathryn é, antes de mais nada, a ex-mulher de James Cameron. Trata-se de um elogio, certamente, já que ele está em mais um momento de ápice profissional, colhendo os frutos de “Avatar”. Mas a alcunha que liga o nome dos dois precede o gênio cinematográfico da californiana que topou arriscar sua reputação ao retratar uma das feridas recentes da história dos Estados Unidos – a malfadada ação do exército americano no Iraque sob as ordens de George W. Bush.
O filme, que estreou nos cinemas brasileiros na última sexta (5), conta a história de um esquadrão especializado em desativar bombas comandado pelo sargento James (papel do desconhecido Jeremy Renner). Seu personagem chega a Bagdá faltando 28 dias para ser dispensado do serviço militar e em meio a toda a tensão do trabalho só quer se manter vivo para voltar pra casa. A trama pode não parecer original à primeira vista, mas a crítica americana especializada enxergou na produção méritos que outros filmes do gênero não tiveram nos últimos tempos. O maior deles foi mostrar que a guerra não é o lugar em que surgem heróis, e sim para onde vão os jovens mais desfavorecidos da sociedade americana, aqueles que, sem perspectiva, tentam ascender na vida literalmente lutando por ela.
“Guerra ao Terror” também recebeu elogios pela condução que Kathryn deu à ação em um universo majoritariamente masculino. Mas desse assunto pode-se dizer que ela entende bem, afinal deixou sua marca desde que comandou o thriller “Caçadores de Emoção”, em 1991, um excelente jogo de gato e rato entre um ladrão de bancos que usa o dinheiro dos roubos para bancar seu gosto por surfe e um policial infiltrado encarregado de prendê-lo. Interpretados por Patrick Swayze e Keanu Reaves, respectivamente, o filme mostra a habilidade da diretora em retratar as relações masculinas de companheirismo e amizade.Nascida na pequena cidade de San Carlos, Kathryn é filha de uma bibliotecária e de um gerente de fábrica de tintas. Estudou na Universidade de Columbia, onde teve aulas com Susan Sontag e, posteriormente, também trabalhou como professora no Instituto de Artes da Califórnia. Também morou em São Francisco na época em que era somente pintora. Seu primeiro filme foi um curta-metragem de 20 minutos chamado “The Set-Up”, criado em 1978, e que falava sobre violência. O casamento com Cameron veio mais para frente e durou apenas três anos (de 1989 a 1991), tempo suficiente para os dois se tornarem parceiros em produções seguintes, como em “Strange Days”, de 1995, escrito e produzido por ele, mas com Bigelow no comando.
Kathryn é a primeira mulher a levar o prêmio do Sindicato dos Diretores de Cinema dos Estados Unidos, dado a ela no final de janeiro, batendo Quentin Tarantino (de “Bastardos Inglórios”) e Jason Reitman (de “Amor Sem Escalas”). A vitória nessa premiação coloca a diretora como a mais forte concorrente de Cameron ao Oscar, já que desde 1948, apenas seis dos vencedores do Sindicado dos Diretores não repetiram a dose na festa da Academia de Hollywood.
Com a indicação, entrou para a seleta lista de mulheres concorrentes ao prêmio, juntando-se a Lina Wertmüller por “Seven Beauties” (1976), Jane Campion por “O Piano” (1993) e Sofia Coppola por “Encontros e Desencontros” (2003). Pode ser, no entanto, a primeira delas a, de fato, ter chances reais de reconhecimento. Daí, quem sabe, James Cameron é que não passe a ser chamado de “o ex” da poderosa Kathryn.
Clique abaixo e confira o trailer do filme:
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