novo fenômeno

Ageha Girls: garotas que se parecem com bonecas ditam moda e comportamento no Japão

por Luciana Borges - 10 de fevereiro de 2010
Tóquio pode não ser uma das mecas que influencia o Ocidente, como Paris ou Londres, mas não há como negar que é nela que se pode perceber com mais clareza a quebra de tradições típica da juventude. Nesse contexto de rápidas mudanças que envolve a metrópole japonesa, cabelos descoloridos para os homens e saltos altíssimos para as mulheres já se tornaram banais; nem mesmo as Harajuku Girls são mais novidade.

As meninas que gostam de se vestir como bonecas têm até uma loja que vende roupas exclusivamente para elas em Tóquio
O último fenômeno identificado por lá são as garotas que se vestem de forma a parecer verdadeiras bonecas vivas. O “The New York Times”, um dos primeiros a comentar o assunto, conta que existe todo um universo dedicado exclusivamente a essas meninas. De outubro de 2009 para cá, pipocaram diversas publicações sobre o gênero, como a revista “Koakuma Ageha”, por exemplo, cujo subtítulo anuncia, numa tradução livre, “um guia de sedução e desejo para garotas bonitas que querem parecer mais graciosas”.

Esse novo grupo que atinge meninas de 16 até 23 anos se divide em dois tipos. As “Forest Girls”, também conhecidas como “Mori”, teriam surgido na cena cultural pop japonesa na última primavera caracterizando-se por serem meninas que gostam de parecer frágeis e cultivam uma aparência romântica capaz de extenuar qualquer traço de sensualidade de sua imagem ou comportamento. Já as “Ageha Girls” gostam de namorar, usam enorme quantidade de maquiagem, apliques de cabelos, cílios postiços e roupas que transformam radicalmente seu visual original. Quem assume essa espécie de “personalidade” também assume um novo comportamento inspirado, em grande parte, na maneira como as mulheres tratam os homens em clubes de entretenimento exclusivamente masculino. Elas são capazes de paquerar timidamente, rir das piadas dos outros com discrição, mas quase nunca abrem a boca para falar nada.

Capa de uma das revistas voltadas para as Ageha GirlsO interesse em torno desse público é tão grande que até marcas de beleza passaram a olhar especificamente para ele – aproveitando-se também do fato de que as japonesas são conhecidas por seu horror às cirurgias plásticas. A Kanebo, bastante conhecida por lá, desenvolveu uma máscara para cílios capaz de deixar os fios mais longos (literalmente) ao menos por um curto espaço de tempo; já a Shiseido resolveu investir em produtos capazes tornar a pele o mais pálida possível, numa alusão direta a essa moda. 

Com seus cabelos de um dourado fake, suas roupas cor-de-rosa profundo e um ar premeditadamente pueril, elas são – para o bem ou para o mal – novos estereótipos femininos que vêm de encontro até mesmo à imagem da gueixa, comumente associada à figura da mulher japonesa, graças à artificialidade de sua concepção. É esperar para ver se esse é um comportamento de nicho ou se, nesse caso, a moda realmente pega.
Últimos comentários
  • Fernanda - 10/02/2010 às 12:37:42

    As novas gueixas

    Pela descrição essas meninas parecem mesmo ser as novas gueixas do Japão. Mas convenhamos, acho que a moda não pega não. A mulher moderna meio que cansou de andar toda montada deste jeito, a não ser que vc viva disso mesmo. Já imaginou ir trabalhar todos os dias com este visual? Nada prático. Tirando que num país tropical é quase impossível andar com tanta roupa e acessórios.

  • li - 07/03/2010 às 00:53:12

    Ageha

    É claro que elas não falam nada, não tem nada na cabeça mesmo!!! O Japão tá ficando bizarro! Valha-me Deus. (pior q a Lady Gaga kkkk)

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