oscar 2010
"Um Homem Sério", dos Irmãos Coen, trabalha particularidades e estereótipos judeus
por Martha Lopes - 19 de fevereiro de 2010
"A mãe italiana diz ao filho: come, se não eu me mato. A judia fala: come, se não eu te mato." Piadas, filmes e obras literárias se debruçam sobre manifestações ou estereótipos típicos de cada cultura. A judaica não ficou de fora dessa área de interesse, tendo sido objeto de estudo -- e piadas -- de cineastas como Woody Allen. Na literatura, um dos destaques é "O Complexo de Portnoy", em que Philip Roth apresenta um personagem criado sob a repressão da mãe judia, o que culmina em uma sexualidade libertina, mas cheia de culpas."Um Homem Sério", produção dos Irmãos Coen, que estreia em 19 de fevereiro, é mais uma obra que se dedica a discutir padrões de comportamento da cultura judaica. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme e roteiro original, ele apresenta, em meio aos anos 60, Larry Gopnik, um professor universitário que se vê diante de inúmeros problemas: filhos adolescentes frívolos, um irmão meio abobado que se hospeda em sua casa, a chantagem de um aluno coreano e a insatisfação de sua esposa, que declara um caso com um viúvo judeu.
Em meio a tantos conflitos, o homem se vê impassível. Atesta o tempo todo que é um homem sério, não faz nada pra gerar toda a confusão e se afunda -- e é afundado -- cada vez mais nos problemas. Na trama, o protagonista é pintado como um homem fraco diante de uma mulher controladora, dentro desse estereótipo de relação dos gêneros no judaísmo.
A produção expõe ainda, com a ironia e o nonsense marcados dos Coen, um questionamento do personagem com sua crença religiosa. Ao longo de seu percurso tragicômico, ele busca o encontro com rabinos, que lhe oferecem soluções totalmente sem sentido.
Através da história complicada, os Coen aludem às particularidades da comunidade judaica, recaindo sobre os estereótipos com ironia. Compõem, assim, um filme intrigante, de múltiplas camadas. Prato cheio para Oscar.
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