Oscar 2010
“Educação” prova o talento de Carey Mulligan ao narrar trajetória de amadurecimento feminino
por Luciana Borges - 19 de fevereiro de 2010
Sagaz, bela e sonhadora, Jenny, de apenas 16 anos, tem em seu espírito o “joi de vivre” francês, apesar da vida comum que leva em Londres enquanto termina os estudos para entrar na universidade. Interpretada pela queridinha do momento na Inglaterra, a atriz Carey Mulligan, a personagem principal de “Educação”, que estreia nesta sexta-feira (19) nos cinemas brasileiros, é uma heroína avant-guard que cede ao romance.
Ambientado em 1961, o filme apresenta a jovem inglesa de família de classe média que, sob pressão do pai (Alfred Molina, o vilão Dr. Octopus de “Homem-Aranha 2”), se dedica aos estudos para conseguir ser aceita em Oxford. Interessada por artes, livros e por um estilo de vida boêmio, ela acaba se envolvendo com David (papel de Peter Sarsgaard), um trintão que conhece casualmente durante uma tarde chuvosa, e se torna o passaporte para levá-la ao mundo que sempre quis conhecer: o da boa gastronomia, dos concertos e óperas e, claro, das viagens a Paris.
Formado na “escola da vida”, como ele mesmo diz à garota, David representa a fuga do tédio da escola, do namoradinho emberbe e das pressões familiares sobre seu futuro. Sedutor e bom de papo, ele não só consegue conquistar Jenny como também os pais da garota, que estranhamente não oferecem resistência ao entregar a filha adolescente ao relacionamento com um homem bem mais velho.
Logo o namoro se mostra um divisor de águas que a faz descobrir a maquiagem, os vestidos longos, o cigarro e, claro, o sexo. Mas a maturidade não seria completa se a heroína não passasse seus maus bocados. Claro que David não é tudo aquilo que parece ser, a começar pela maneira obscura com que ganha a vida, a qual Jenny, de fato, nunca compreende a gravidade.
Com roteiro escrito pelo famoso autor Nick Hornby (de “Alta Fidelidade” e “Um Grande Garoto”), e direção de Lone Scherfig (de "Italiano para Principiantes"), “Educação” mostra o embate entre a jovem que deseja conquistar o mundo, se vestir de preto e caminhar pela margem do Sena, e a mulher que se apaixona a ponto de abdicar dos estudos para seguir seu amado por salões de festa intermináveis. A batalha entre a educação formal, que se aprende nos livros, e aquela que só se descobre vivendo é o grande atrativo da trama, crível graças à inconseqüência típica da juventude, época em que tudo é possível e não se mede os tombos pela altura dos desafios.
Indicado ao Oscar 2010 em três categorias – Melhor Filme, Atriz (para Mulligan) e Roteiro Original (para Hornby), em nenhum momento “Educação” questiona valores éticos ou morais – seja pelo jeito como David ganha a vida, seja pela ligação entre uma adolescente e um homem maduro. Tal como uma Mallu Magalhães (com muito mais perspicácia e carisma, é verdade), Jenny antecipa com suas escolhas o que uma das décadas mais culturalmente ricas de nossa História estava prestes a nos dar: a liberdade.
Clique abaixo e assista ao trailer:
Últimos comentários
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Giulia - 19/02/2010 às 22:29:39
gostei
ainda não vi o filme, mas achei interessante a discussão sobre educação formal/não formal. e a história da garota que se apaixona por viagens a paris me fez lembrar 'sabrina' da audrey hepburn.
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Valéria Silva - 19/03/2010 às 16:22:01
Anos Rebeldes!
Eu já consigo associar Jenny à Holly Golightly através de uma cena que a adolescente usa um vestido preto e um penteado que se assemelham ao de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo. Analogias à parte, Educação traz uma história envolvente, uma trama regada a romance, festas e muita boemia. Jenny conhece um homem mais velho que lhe apresenta o glamour de uma vida anticonformista. O que fazer agora? Continuar com sua vida entediante ou mergulhar de cabeça em um mundo convidativo, mas desconhecido? A atriz Carey Mulligan é hipnotizante, mas não posso deixar de falar de Rosamund Pike (Helen) que interpreta uma “talvez” nonsense, que arrasa em roupas luxuosas que deslumbram a personagem Jenny – nessa interpretação ela rendeu boas risadas. O filme prende do início ao fim e tem uma levada tão agradável que induz o apoio à protagonista. Um filme charmoso que não polemiza apesar do assunto tratado, um filme pra saborear. Uma produção que vale a pena ser vista! Bjs.









