olhar vagaroso

Beto Brant pensa o amor em filme experimental

É preciso ter paciência para “O Amor Segundo B. Schianberg”

por Estela Cotes - 26 de fevereiro de 2010
Uma câmera de vigilância na mão de baixíssima resolução, dois atores e um apartamento. Com esses três elementos o diretor Beto Brant construiu seu filme mais recente, “O Amor Segundo B. Schianberg”. A produção tem caráter experimental, deixa de lado seu interesse por temas sociais e policiais ("Os Matadores", 1997; "Ação entre Amigos", 1998 e "O Invasor", 2002) e o aproxima de “Cão sem Dono” (2007) e “Crime Delicado” (2005).

Exibido em capítulos na TV Cultura, o longa foi inspirado em reality show e confina um ator (Gustavo Machado) e uma videoartista (Marina Previato). Durante 80 minutos os dois divagam sobre as relações, tanto amorosas quanto humanas, e sobre a própria representação.

A interferência de Beto Brant como diretor era feita apenas por e-mail, mensagens via celular e eventuais encontros. As cenas são claramente improvisadas e ao tentarem não cair na indefectível DR (Discutir a Relação), o casal põe o tempo todo o amor em jogo. Desde a banal digressão sobre o que é um beijo técnico ao balanço de como gastam o tempo juntos.

Na história (se é possível apontar o enredo como tal), ela quer montar uma videoarte e pede ajuda a ele para se tornar uma atriz. Benjamin Schianberg, personagem criado por Marçal Aquino em “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios” para refletir uma relação caótica, é só um pretexto. O filósofo fictício aparece nas frases feitas, soltas em uma tentativa de abordagem profunda.

Em cartaz apenas em uma sala de cinema em São Paulo, “O Amor Segundo B. Schianberg” requer paciência. É preciso embarcar na proposta de Beto Brant e superar a péssima qualidade de som, que compromete a compreensão do que está sendo dito. Durante a sessão muitos não resistem e abandonam o filme.

Este ano a parceria com Aquino voltará ainda com “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”, livro titulo do próximo longa com roteiro assinado pelo autor. A produção volta ao cinema narrativo e à câmera de 35 milímetros. Será outra chance para o diretor colocar na tela, agora em formato mais comercial, suas impressões quanto ao amor. Resta esperar.






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