inovação
“Kastelo” atualiza texto de Franz Kafka
Peça fica em cartaz em São Paulo até 14 de março
por Estela Cotes - 5 de março de 2010
Aos 49 anos e com carreira consistente, o cineasta Evaldo Mocarzel já dirigiu 13 longa-metragens e 12 documentários. Estes últimos produziu somente no ano passado tendo como objeto de trabalho peças de teatro criadas pelos grupos Os Satyros, Os Fofos Encenam e Grupo XIX de Teatro.A proximidade com os palcos foi tamanha que despertou sua veia dramatúrgica. Do contato com a companhia Teatro da Vertigem nasceu seu primeiro espetáculo, “Kastelo”, escrito em parceria com Sergio Pires. Inspirado livremente no livro "O Castelo" de Franz Kafka, a peça é encenada de maneira curiosa: os atores ficam suspensos em andaimes do lado de fora do prédio do SESC Avenida Paulista, em São Paulo.
O público acomodado em cadeiras espalhadas aleatoriamente na sala ouve tudo através de um sistema de som perfeitamente executado. A direção de Eliana Monteiro (a frente do Teatro da Vertigem) dá uma roupagem contemporânea à representação do castelo criado pelo original, ao jogar a encenação para o lado de fora. Na versão contemporânea do texto permanece a crítica ao funcionalismo e a uma sociedade burocrática e auto-destrutiva, tendo como ponto de partida o trabalho.
A telefonista, o limpador de janelas, a dona da empresa, o motoboy, o ascensorista e a responsável pelo arquivo narram suas rotinas e aflições deste cotidiano (muitos na plateia se identificam com uma situação ou outra!). Durante o trabalho, do lado de fora do “castelo”, contemplam o desconhecido, representando aqueles que também almejam um lugar do lado de dentro para pertencer a uma hierarquia.
A partir de frases e situações corriqueiras, Evaldo mostra a nossa realidade sob o prisma da imaginação, do delírio. Graças a esse distanciamento conseguimos refletir. A moral da história vem de alguma forma, mas aí vale a pena conferir ao vivo para sentir a experiência.
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