luto

“The Sea”, novo álbum de Corinne Bailey Rae, expõe seu sofrimento pela morte do marido

Mais pessoal e tocante, novo trabalho supera o disco de estreia da cantora

por Caru Ares - 12 de março de 2010
Corinne Bailey RaeQuando Corinne Bailey Rae surgiu com a música “Put Your Record On”, em 2006, o mundo conheceu uma nova cantora, com músicas de batidas leves e swingadas, que cantava sobre como se aceitar do jeito que você é e sobre o amor de forma doce.

Com seu primeiro álbum – que tem como título o nome da cantora – ela se posicionou como um dos novos nomes da atualidade. Com uma voz delicada e letras autorais, que intensificavam cada emoção e experiência de sua vida, ela conquistou fãs no mundo todo. Agora, com o recém-lançado “The Sea”, ela continua com todos esses atributos, mas muito mais intensa.

Isso porque, durante o processo de criação do disco, Corinne perdeu o marido, o saxofonista Jason Rae – com quem era casada desde 2001 – por conta de uma overdose de metadona e álcool, em março de 2008. E isso reflete bastante neste novo trabalho.Não tanto na melodia, que continua tranquila e com referências de jazz e soul, mas nas letras, que carregam um peso muito maior, um luto e sofrimento que transparece a cada canção.

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Capa do álbum As músicas falam em sua maioria sobre perda, como na última faixa “The Sea”. Uma belíssima canção que trata de despedidas, mas que apesar disso, não se refere a morte do marido, mas sim a morte de seu avô, que morreu em um acidente de barco. Também merece destaque “I Would Like to Call it Beauty”, essa sim escrita após a morte de seu companheiro. Uma balada tocante.

Outras como “Are You Here”, que tem uma melodia bastante singela, mas com uma letra densa e “Feels Just Like the First Time” que fala de quando o amor vai embora e deixa cicatrizes é preciso se redescobrir, também seguem o mesmo clima.

Mas, em meio a tantas músicas pesadas, existem aquelas mais animadinhas, que trazem um respiro a esse novo trabalho. “Paris Nights/New York Mornings” e “Paper Doll” são claramente o momento de alívio e alegria da cantora.

O disco fala sim, em sua maioria, sobre perda e luto, mas de alguma maneira se mostra também esperançoso em continuar vivendo da melhor forma possível. Corinne amadureceu não só pessoalmente, mas suas músicas se transformaram com o impacto que a perda do marido teve em sua vida. Mas isso soa de maneira positiva em seu trabalho, tornando-o mais consistente e pessoal.

Confira o clipe do primeiro single "I'd Do It All Again", que foi escrito após uma briga da cantora com seu marido, pouco antes de sua morte:

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