mais do mesmo
Sandra Bullock remete a "Erin Brockovich" em "Um Sonho Possível"
por Martha Lopes - 23 de março de 2010
Quando Sandra Bullock agarrou a estatueta de melhor atriz na última cerimônia do Oscar, muita gente não entendeu. Diante de suas atuações anteriores e a conquista de um recente Framboesa de Ouro pelo papel no filme "Maluca Paixão", parecia ilógico premiar Bullock em vez de Meryl Streep e Gabourey Sidibe. No entanto, basta recorrer a outras atuações premiadas pela academia para entender esta. "Um Sonho Possível", filme que possibilitou a estatueta a Sandra, narra uma comovente e verídica história de superação. Ele conta o encontro entre Michael Oher, um garoto abandonado e com talento para o futebol americano, com Leigh Anne, uma mãe de família cristã, rica e altamente controladora. Leigh Anne acaba acolhendo o rapaz em sua casa em uma noite -- noite que se transforma em dias, em compras, em um novo quarto, em um carro etc.
LEIA MAIS: A renegada Sandra Bullock sobe ao Olimpo do Oscar
Ao assistir à produção e à atuação de Sandra Bullock, a sensação de deja vù é inevitável. O filme remete ao longa de 2000 "Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento", igualmente uma história verdadeira de superação que deu o Oscar de melhor atriz a Julia Roberts pelo papel da protagonista. Tal como Leigh Anne, Erin -- uma mãe solteira que precisa trabalhar para sustentar os filhos e se vê envolvida em uma batalha judicial contra uma companhia que comete crimes ambientais -- é uma mulher obstinada, geniosa e de personalidade forte. Ambas passam por cima de tudo e de todos pelo que acreditam.
Os papéis de mulheres intensas, entretanto, não parecem exigir muito dessas atrizes. Em nenhum dos casos, a atuação é rica e verdadeiramente emocionante, ficando no plano do correto, sem grandes surpresas. A chave para o mistério que conquista a academia talvez seja o fato de esses papéis estarem alinhados com o que se espera de uma mulher norte-americana nos dias de hoje: força, personalidade e superação -- o que pode ser personificado, inclusive, pela imagem da primeira dama Michelle Obama.Travestida de perua, Sandra Bullock reflete essas características com exatidão. Não brilha de forma excepcional em um filme que, através de sutilezas, critica a conservadora sociedade norte-americana, mas apela para sentimentalismos e clichês, como o retrato que se faz dos guetos e da própria elite. O grupo que escolhe os laureados ao Oscar tem provado, no entanto, que isso não tem lá muita importância.
Últimos comentários
Nenhum comentário para exibir, seja o primeiro a escrever um!
Leia também
Ressaltamos que nenhum estabelecimento foi incluido neste guia por ter feito publicidade em qualquer publicação nossa e que nenhum tipo de pagamento influenciou as resenhas. As opiniôes publicadas neste site são dos escritores do Colherada Cultural e são totalmente independentes


