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Dicas de baladas imperdíveis em Nova York

por Malu Porto - 22 de abril de 2010
O club indie Home Sweet Home. Foto: Evan SungSe Frank Sinatra já dizia que gostaria de acordar na cidade que nunca dorme, melhor seria não dormir nunca.

A noite de Nova York é famosa pela cultura da "corda de veludo" e dos famigerados "doors", que ficam selecionando os VIPs dos "mortais" nas entradas dos clubs mais hypados da cidade. Essa prática antidemocrática teve seu auge nos tempos áureos do Studio 54 e segue firme até os dias de hoje.

Uma maioria de "posers" e "wannabies" continuam a fazer "carão" nas filas das boates do momento, em atitudes que beiram o constrangimento para conseguir uma noite entre os "chiques e famosos". No entanto, sabe a velha máxima de Groucho Marx, que pregava "não entrar para clubes que o aceitam como sócio"? Pois, essa deve ser a linha de raciocínio a ser seguida para fazer uma bela e autêntica balada nova-iorquina, em que atitude e despretensão contam mais do que carteiradas e sobrenomes.

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Seguem abaixo alguns achados que combinam os aspectos indispensáveis para uma balada inesquecível: estilo, boa música, baixo custo e encerramento tardio (todos às 4h da manhã):

Happy Ending, em ChinatownA balada Happy Ending (em Chinatown), que tem sua melhor festa às terças-feiras, capta a essência cool e inusitada da cidade. Antes de se transformar em um nightclub, a casa funcionava como um estabelecimento de massagem erótica e sauna. A tradução "final feliz" é um tipo de metáfora para aqueles que buscavam finalizar sua noite de maneira, digamos, bem satisfatória. Na fachada do lugar, foi mantido o letreiro original, em que está escrito "Xie He Health Club".

Na porta, apenas um simpático segurança argentino avisava os marinheiros de primeira viagem -- como eu e meu acompanhante -- que estávamos no destino certo. Sem entrada paga e tampouco crivo, entramos no sofisticado espaço de dois andares, lindamente iluminado, com um incrível teto rosa-shocking, bar espelhado e mesas disponíveis para qualquer um sentar e apreciar a cena -- nada de camarotes ou outras cafonices do tipo.

O público era composto de jovens, nas faixas entre 25/ 30 anos, que variavam entre hipsters, engravatados de Wall Street, gringos (na maioria europeu) e moderninhos. A música era animadíssima, superdançante, perpassando as décadas em uma miscelânea que ia de Michael Jackson a Friendly Fires, The Ting-Tings, Gossip e Lady Gaga. No subsolo, havia outro bar e lounge, e o som priorizava o eletrônico -- sendo que a pequena pista dava para uma das salas de "sauna". Os drinques variavam de preço, podendo ir de 6 dólares por cerveja até 14 para vodca com redbull.

A balada Union Pool, no Brooklyn, é um point interessantíssimo para quem quer buscar expandir os horizontes para além de Manhattan. Não é de hoje que a região deixou de ser marginalizada e tornou-se uma das mais valorizadas por artistas e descolados, em especial o bairro de Williamsburg.

A descolada área externa do Union Pool. Foto: site Michael FivisSendo assim, ao entrar no lugar (também de graça), pode-se sentir um clima diferente, uma áurea beatnik, mais underground, no melhor estilo "decadance avec elegance". Uma charmosíssima área externa, com direito a jovens sentados em volta de uma fogueira e iluminação feita por lamparinas penduradas por fios, remetia às bucólicas decorações de festa junina. O espaço da pista de dança, que também é palco de diversos shows de rock, era ambientado com mobília vintage e, na ocasião, embalado por animadas canções dos anos 1950. Os preços das bebidas saíam bem mais em conta -- uma dose de vodca, por exemplo, custava módicos cinco dólares.      

Para os fãs de rock indie, a casa Home Sweet Home, no Lower East Side, é a melhor pedida. De decoração kitsch e público descolado, o club subterrâneo é conhecido pela animação de seus frequentadores, que dançam sem pudor pela diminuta pista de dança. O valor dos drinques do cardápio mantinha os preços de baladas como Happy Ending e variava entre 10 e 15 dólares. Perfeito para curtir com os amigos depois de um jantar ou um "esquenta" em algum bar da boêmia vizinhança.

Outras dicas para os que cedo madrugam:

(Le) Poisson Rouge - A balada que acontece na galeria de arte tem entrada franca e é superdescolada. Os seguranças são amistosos e o público hipster, gay-friendly. Batidas eletrônicas ditam os sets dos DJs.

Baddies - A única noite com um "door" na entrada. No entanto, nada que uma jaqueta de couro e um pouco de atitude não resolvam. O ambiente é "wannabe" underground e decorado por velas, bonecos bizarros e divertidas caveiras. Ainda assim, o público é despretencioso. A música vai desde Madonna a Moby. A taça superbem-servida de prosecco custava 9 dólares.
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