o verão de uma cor só
Balanço inicial: os destaques dos primeiros dias de Fashion Rio para o verão 2011
por Luty Vasconcelos - 30 de maio de 2010
O Pier Mauá é um cenário e tanto para abrigar uma das semanas de moda mais fortes quando o assunto são tendências para a temporada de calor no Brasil. A Fashion Rio - verão 2011 começou agitada na quinta-feira (27) entre celebridades, fashionistas e curiosos, prometendo ferver o porto carioca até a próxima terça (1). Confira aqui os destaques desses primeiros dias do evento na opinião do Colherada Cultural:
PRIMEIRO DIA (27)
A passarela de Walter Rodrigues mostrou uma coleção étnica, misturando o interior de Pernambuco com a Etiópia, e me faz lembrar do conceito “creole-ization” (dito pelo blogueiro suíço Yvan Rodic, em minha entrevista com ele). A possibilidade de misturar referências culturais para criar algo novo, levou o estilista a apresentar uma coleção batizada de "Continente". Para o desfile, Walter Rodrigues montou um casting formado 100% de modelos negras, reacendendo a velha discussão sobre cotas nas semanas de moda.
A sala de desfile tinha várias portas de madeira coloridas, lembrando as casas do Nordeste das quais as modelos saíam ao som eletrônico. E após boas coleções de sobriedade, o designer revisitou a intensidade das cores em pulseiras, colares, turbantes e arranjos florais nos cabelos. As modelos exibiram vestidos de tecidos leves com prints tribais e conjuntos de túnicas e calças compridas, misturando estampas em tom-sobre-tom de areia, marinho e marrom.
Boa aposta: mix de peças mais neutras, somados a acessórios marcantes.
Outro destaque ficou com a grife Mara Mac, que apresentou a coleção “Catástrofes naturais” em uma proposta de estilo nada "catastrófica". Na cenografia assinada por Bia Lessa, caixas vermelhas pendiam do teto sobre a passarela, onde as modelos desfilavam saias retas, um pouco acima do joelho, além de transparências estrategicamente vazadas.
Tudo sintonizado com a elegância de paletós em tons de branco e nude, pontuados por vermelho, verde e muito preto. De repente, as caixas caíam, marcando a entrada de novos looks.
Boa aposta: o verão de Mara Mac é estável, criado para quem aposta na atemporalidade das roupas.
LEIA MAIS: O minimalismo dos anos 90 é a "novidade" da temporada
SEGUNDO DIA (28)
A grife de beachwear contemporâneo Redley apostou em andarilhos modernos preparados para ir da praia à cidade grande. Sobre uma passarela coberta de sal grosso, modelos mostraram roupas em clima de preocupação sustentável. Vestidos que variaram em comprimento, indo dos longos aos mini, e com golas aumentadas, chamaram a atenção.
A alfaiataria desconstruída e despretensiosa, com recortes geométricos triangulares (marca registrada da grife tanto para o guarda-roupa feminino quanto para o masculino) davam sensação de conforto. Os tecidos naturais em tons neutros foram combinados com peças de cor mais vibrantes, como o coral e o azul. A presença do vinil deu um toque oitentista à coleção.
Boa aposta: as sandálias de couro da Redley causaram um desejo quase incontrolável de sair caminhando mundo afora.
O último desfile da sexta-feira surpreendeu pelo refinamento e pela leveza da coleção. A moda praia da Lenny deixou a geometria recorrente em outras apresentações um pouco de lado focando agora em movimentos inspirados nas areias do deserto. E sob uma tenda fluída suspensa no início do desfile, as modelos passavam com biquínis e maiôs feitos para verdadeiras divas. Os recortes e modelagens traziam construções menos complexas e mais comerciais, deixando o diferencial para materiais e estampas pintadas à mão. Seguindo uma forte tendência, que não é tão nova, a grife apostou em tecidos nada convencionais para a moda praia como o georgete de seda e metalizados em tons terrosos pontuados por azuis que às vezes puxavam para o cinza, outras para a cor do céu.
Boa aposta: as peças amplas na parte de cima combinadas com amarrações resultaram em uma moda praia elegante e possível.
TERCEIRO DIA (29)
Sábado ensolarado, calor e talvez menos pessoas do que o esperado vestiam roupas de inverno para assistir ao desfile da Cantão, que levou o céu à passarela - estampada com nuvens azuis. A estamparia que também lembra as nuvens, dessa vez em fim de tarde, tinha tons rosados e de coral. Pregas e plissados que dominaram a modelagem não trouxeram muita novidade.
Tecidos inspirados no paraquedismo e misturados com metalizados que conferiam ares setentinha ao look apareceram em bermudas ciclistas, macaquinhos, vestidos e blusas com babados assimétricos, além das maximochilas, que lembram os próprios paraquedas. Uma coleção colorida e não muito impactante, mas comercial.
Boa aposta: as peças propostas chamaram a atenção pelas cores.
LEIA MAIS: Blogs de street style que democratizam as tendências de moda pelo mundo
Pelo que foi mostrado nesses primeiros dias, o verão 2011 vai se desenhando em roupas monocromáticas. Mesmo quando as estampas apareceram nas passarelas,surgiram em cores claras e desenhos discretos. Os tons contrastantes pontuam looks limpos e retos, na sua maioria. As cinturas continuam bem marcadas e as saias aparecem agora mais soltinhas da cintura para baixo. Nitidamente, as silhuetas estão mais largas do que na temporada passada. A alfaiataria veio muito forte, e blazers parecem ser o "must have" da estação em diversas variações: curtos, longos, de tecidos nobres ou materiais tecnológicos.
Seja no calor das áreas externas ou no frio congelante das salas de desfile, o Fashion Rio segue não tão badalado como no primeiro dia, mas ainda com muito estilo.
PRIMEIRO DIA (27)
A passarela de Walter Rodrigues mostrou uma coleção étnica, misturando o interior de Pernambuco com a Etiópia, e me faz lembrar do conceito “creole-ization” (dito pelo blogueiro suíço Yvan Rodic, em minha entrevista com ele). A possibilidade de misturar referências culturais para criar algo novo, levou o estilista a apresentar uma coleção batizada de "Continente". Para o desfile, Walter Rodrigues montou um casting formado 100% de modelos negras, reacendendo a velha discussão sobre cotas nas semanas de moda. A sala de desfile tinha várias portas de madeira coloridas, lembrando as casas do Nordeste das quais as modelos saíam ao som eletrônico. E após boas coleções de sobriedade, o designer revisitou a intensidade das cores em pulseiras, colares, turbantes e arranjos florais nos cabelos. As modelos exibiram vestidos de tecidos leves com prints tribais e conjuntos de túnicas e calças compridas, misturando estampas em tom-sobre-tom de areia, marinho e marrom.
Boa aposta: mix de peças mais neutras, somados a acessórios marcantes.
Outro destaque ficou com a grife Mara Mac, que apresentou a coleção “Catástrofes naturais” em uma proposta de estilo nada "catastrófica". Na cenografia assinada por Bia Lessa, caixas vermelhas pendiam do teto sobre a passarela, onde as modelos desfilavam saias retas, um pouco acima do joelho, além de transparências estrategicamente vazadas. Tudo sintonizado com a elegância de paletós em tons de branco e nude, pontuados por vermelho, verde e muito preto. De repente, as caixas caíam, marcando a entrada de novos looks.
Boa aposta: o verão de Mara Mac é estável, criado para quem aposta na atemporalidade das roupas.
LEIA MAIS: O minimalismo dos anos 90 é a "novidade" da temporada
SEGUNDO DIA (28)
A grife de beachwear contemporâneo Redley apostou em andarilhos modernos preparados para ir da praia à cidade grande. Sobre uma passarela coberta de sal grosso, modelos mostraram roupas em clima de preocupação sustentável. Vestidos que variaram em comprimento, indo dos longos aos mini, e com golas aumentadas, chamaram a atenção. A alfaiataria desconstruída e despretensiosa, com recortes geométricos triangulares (marca registrada da grife tanto para o guarda-roupa feminino quanto para o masculino) davam sensação de conforto. Os tecidos naturais em tons neutros foram combinados com peças de cor mais vibrantes, como o coral e o azul. A presença do vinil deu um toque oitentista à coleção.
Boa aposta: as sandálias de couro da Redley causaram um desejo quase incontrolável de sair caminhando mundo afora.
O último desfile da sexta-feira surpreendeu pelo refinamento e pela leveza da coleção. A moda praia da Lenny deixou a geometria recorrente em outras apresentações um pouco de lado focando agora em movimentos inspirados nas areias do deserto. E sob uma tenda fluída suspensa no início do desfile, as modelos passavam com biquínis e maiôs feitos para verdadeiras divas. Os recortes e modelagens traziam construções menos complexas e mais comerciais, deixando o diferencial para materiais e estampas pintadas à mão. Seguindo uma forte tendência, que não é tão nova, a grife apostou em tecidos nada convencionais para a moda praia como o georgete de seda e metalizados em tons terrosos pontuados por azuis que às vezes puxavam para o cinza, outras para a cor do céu. Boa aposta: as peças amplas na parte de cima combinadas com amarrações resultaram em uma moda praia elegante e possível.
TERCEIRO DIA (29)
Sábado ensolarado, calor e talvez menos pessoas do que o esperado vestiam roupas de inverno para assistir ao desfile da Cantão, que levou o céu à passarela - estampada com nuvens azuis. A estamparia que também lembra as nuvens, dessa vez em fim de tarde, tinha tons rosados e de coral. Pregas e plissados que dominaram a modelagem não trouxeram muita novidade. Tecidos inspirados no paraquedismo e misturados com metalizados que conferiam ares setentinha ao look apareceram em bermudas ciclistas, macaquinhos, vestidos e blusas com babados assimétricos, além das maximochilas, que lembram os próprios paraquedas. Uma coleção colorida e não muito impactante, mas comercial.
Boa aposta: as peças propostas chamaram a atenção pelas cores.
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Pelo que foi mostrado nesses primeiros dias, o verão 2011 vai se desenhando em roupas monocromáticas. Mesmo quando as estampas apareceram nas passarelas,surgiram em cores claras e desenhos discretos. Os tons contrastantes pontuam looks limpos e retos, na sua maioria. As cinturas continuam bem marcadas e as saias aparecem agora mais soltinhas da cintura para baixo. Nitidamente, as silhuetas estão mais largas do que na temporada passada. A alfaiataria veio muito forte, e blazers parecem ser o "must have" da estação em diversas variações: curtos, longos, de tecidos nobres ou materiais tecnológicos.
Seja no calor das áreas externas ou no frio congelante das salas de desfile, o Fashion Rio segue não tão badalado como no primeiro dia, mas ainda com muito estilo.
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