spfw verão 2011
Quinto dia: alegria foi a maior tendência do último dia da SPFW
por Luty Vasconcelos - 15 de junho de 2010
No último dia de desfiles o clima era de missão cumprida. Todos sorridentes, sabendo que a correria estava quase acabando. As reações ficam mais exageradas, risos mais altos, movimentos mais expansivos. Muita gente circulou tentando fazer as coisas que por quatro dias deixou para depois como se o tempo fosse muito maior. Entrar no lounge da marca X ou simplesmente andar na roda gigante que permaneceu ali por cinco dias em meio aos desfiles e aos papos com pessoas que só se vê na SPFW. Assim a Bienal se despediu: frenética e radiante. Algo que fica entre a necessidade de expurgar a tensão e a liberdade do não haver um "amanhã".
LEIA MAIS: Veja tudo o que rolou durante a SPFW
NAS PASSARELAS
Gloria Coelho
A estilista continua obcecada pela arquitetura futurista. Essa é a terceira coleção em que Gloria mantém as tiras de tecido estruturadas de forma orgânica, criando volumes nas silhuetas que lembram as obras do arquiteto Frankl Gehry. Dessa vez, ela inovou no material trabalhando com tecidos mais leves como organza e cetim de seda, numa cartela de cores que segue a tendência mor do verão, tons claros como rosés, bege, azul, branco e um lilás que deu um toque diferencial. Uma série de looks quebrou um pouco a estrutura arquitetônica lembrando armaduras modernas, feitas com um tipo de elástico especial numa silhueta meio anos 60 (que aliás foi a silhueta de Reinaldo Lourenço também, não?).Talvez Gloria precise esgotar um tema dentro de sua cabeça até não conseguir espremer mais nenhuma possibilidade estética daquilo para poder começar algo novo, como ela fez com o estilo vitoriano. A qualidade do corte e da modelagem é sempre indiscutível, e Gloria, repetitiva ou não, sempre apresenta belas coleções
Boa aposta: as joias de cristal swarovski que parecem "flutuar" nos pescoços e braços das modelos. Acessório leve para esse verão clean.
Alexandre Hertchcovitch (masculino)
Agora foi a vez dos rapazes. E Herchcovitch mais uma vez acertou na medida, conseguindo ser moderno, atual, possível e versátil. Inspirado em "Laranja Mecânica", o estilista escolheu uma referência que é senso comum entre várias tribos masculinas. Há pouco tempo, eu discutia com a nossa colher cinéfila Luciana Borges sobre a unanimidade desse filme. Herchcovitch foi assertivo, propondo um streetwear com um pé no costume clássico inglês, resultando em um esportivo chique, que cabe em qualquer situação. E modelos com uma pele clean, de quem toma leitinho regularmente, desfilaram muita alfaiataria em cortes clássicos, diferenciando nos macacões e em detalhes como o comprimento das mangas dos ternos, agora curtas, e uso do zíper como acabamento. Camisas com colarinhos, blazers compridos, calças e shorts curtos e justos, e bolsos grandes se destacam. O linho, o nylon, o tricoline e o tafetá compuseram bem esse homem versátil, que parece vestir alta tecnologia têxtil. Nas cores, o dourado abre o desfile e depois vai se diluindo em cinzas, caqui, marrom, preto e branco, pontuados por detalhes em vermelho e turquesa. Os sapatos são como uma sobreposição de alpercata sobre o clássico sapato social com cadarço, feitos em couro e em cores como vermelho preto e dourado. Os acessórios do estilista foram muito bem escolhidos: suspensório, cintos, luvas brancas e óculos de forma pequena e arredondada (olha o retrô aí), além do clássico chapéu-coco, das abotoaduras, clipes de gravatas e relógios. Alexandre englobou a todos e conseguiu vestir qualquer tipo de homem, do jovem ao mais maduro, independente da tribo, todos vão querer alguma peça dessa coleção.
Boa aposta: todos os acessórios da coleção. Macacão de nylon, calças e bermudas de alfaiataria, camisa de tecido com estampa do chapeuzinho, para não perder a referência, serão objetos do desejo.
Ronaldo Fraga
Dono de uma forte linguagem brasileira, o estilista Ronaldo Fraga parece escrever uma história à mão com a sua caligrafia muito própria. A história da vez é a do livro "Turista Aprendiz", do modernista Mario de Andrade, que traz mais de 600 fotos e histórias de viagens do escritor pelo Norte e Nordeste brasileiro. Os looks foram literalmente feitos à mão, produzidos em parceria com uma cooperativa de bordadeiras de Passira, pequena cidade do agreste pernambucano. Há muitas peças em linho, seda e algodão mais rústico, além de jacquards que imitam renda. O shape é em parte amplo e rígido - e lá estão as meias mangas bufantes clássicas da modelagem de Fraga. Há uma boa série de xadrezes azul-marinho, como nos minishorts balonês e no macaquinho com amarrações e laçarote na frente. O branco domina a cena – combinado, por vezes, com verde, rosa e amarelo claros. A flor vermelha, uma marca do estilista, apareceu estampando apenas um look, só para manter o protocolo. Branco, sobreposição, transparência, todas as tendências gerais estavam alí, na coleção em que Ronaldo Fraga exercitou o seu lado “minimal”.
Boa aposta: combinação de tule branco que vai por cima e por baixo das peças e é muito versátil. Muda o look completamente. Outro destaque foram as roupas com estampa impressa de renascença (renda típica do nordeste brasileiro).
André Lima
Se tem um estilista que sabe rebuscar uma silhueta feminina, esse é André Lima, com seus vestidos de festa voluptuosos imponentes, grandiosos, cheios de luz própria. André é mestre em enxertar volumes como os seus clássicos maxibabados ou as estruturas geométricas, que foram a novidade da vez. Desde os mínis tomara-que-caia de paetê, justos ao corpo, até os longos rodados com acabamento balonê, passando pelos curtos na frente com volumes gigantes terminando numa cauda elegante, a mulher de André seria debochadamente a melhor em qualquer tapete vermelho no mundo. Beyoncé merecia vestir André Lima. Florões amarelos sobre fundo preto, estampas geométricas em preto e branco, ou caleidoscópicas, misturando cores... Não à toa, André Lima encerra a semana de moda. O cara sabe fazer um show para deixar todo mundo satisfeito com a energia e o prazer do melhor, mais saboroso e sofisticado cafézinho.
Boa aposta: saber escolher, de tudo o que se viu nesses cinco dias, o que melhor combina com a sua atitude, com o seu estado de espírito. Afinal, a moda tem o poder de imprimir ânimo, memso que de maneira inconsciente. De acordo com as tendências das passarelas, o próximo verão é leve. Então relaxe e aproveite!
LEIA MAIS: Veja tudo o que rolou durante a SPFW
NAS PASSARELAS
Gloria CoelhoA estilista continua obcecada pela arquitetura futurista. Essa é a terceira coleção em que Gloria mantém as tiras de tecido estruturadas de forma orgânica, criando volumes nas silhuetas que lembram as obras do arquiteto Frankl Gehry. Dessa vez, ela inovou no material trabalhando com tecidos mais leves como organza e cetim de seda, numa cartela de cores que segue a tendência mor do verão, tons claros como rosés, bege, azul, branco e um lilás que deu um toque diferencial. Uma série de looks quebrou um pouco a estrutura arquitetônica lembrando armaduras modernas, feitas com um tipo de elástico especial numa silhueta meio anos 60 (que aliás foi a silhueta de Reinaldo Lourenço também, não?).Talvez Gloria precise esgotar um tema dentro de sua cabeça até não conseguir espremer mais nenhuma possibilidade estética daquilo para poder começar algo novo, como ela fez com o estilo vitoriano. A qualidade do corte e da modelagem é sempre indiscutível, e Gloria, repetitiva ou não, sempre apresenta belas coleções
Boa aposta: as joias de cristal swarovski que parecem "flutuar" nos pescoços e braços das modelos. Acessório leve para esse verão clean.
Alexandre Hertchcovitch (masculino)Agora foi a vez dos rapazes. E Herchcovitch mais uma vez acertou na medida, conseguindo ser moderno, atual, possível e versátil. Inspirado em "Laranja Mecânica", o estilista escolheu uma referência que é senso comum entre várias tribos masculinas. Há pouco tempo, eu discutia com a nossa colher cinéfila Luciana Borges sobre a unanimidade desse filme. Herchcovitch foi assertivo, propondo um streetwear com um pé no costume clássico inglês, resultando em um esportivo chique, que cabe em qualquer situação. E modelos com uma pele clean, de quem toma leitinho regularmente, desfilaram muita alfaiataria em cortes clássicos, diferenciando nos macacões e em detalhes como o comprimento das mangas dos ternos, agora curtas, e uso do zíper como acabamento. Camisas com colarinhos, blazers compridos, calças e shorts curtos e justos, e bolsos grandes se destacam. O linho, o nylon, o tricoline e o tafetá compuseram bem esse homem versátil, que parece vestir alta tecnologia têxtil. Nas cores, o dourado abre o desfile e depois vai se diluindo em cinzas, caqui, marrom, preto e branco, pontuados por detalhes em vermelho e turquesa. Os sapatos são como uma sobreposição de alpercata sobre o clássico sapato social com cadarço, feitos em couro e em cores como vermelho preto e dourado. Os acessórios do estilista foram muito bem escolhidos: suspensório, cintos, luvas brancas e óculos de forma pequena e arredondada (olha o retrô aí), além do clássico chapéu-coco, das abotoaduras, clipes de gravatas e relógios. Alexandre englobou a todos e conseguiu vestir qualquer tipo de homem, do jovem ao mais maduro, independente da tribo, todos vão querer alguma peça dessa coleção.
Boa aposta: todos os acessórios da coleção. Macacão de nylon, calças e bermudas de alfaiataria, camisa de tecido com estampa do chapeuzinho, para não perder a referência, serão objetos do desejo.
Ronaldo FragaDono de uma forte linguagem brasileira, o estilista Ronaldo Fraga parece escrever uma história à mão com a sua caligrafia muito própria. A história da vez é a do livro "Turista Aprendiz", do modernista Mario de Andrade, que traz mais de 600 fotos e histórias de viagens do escritor pelo Norte e Nordeste brasileiro. Os looks foram literalmente feitos à mão, produzidos em parceria com uma cooperativa de bordadeiras de Passira, pequena cidade do agreste pernambucano. Há muitas peças em linho, seda e algodão mais rústico, além de jacquards que imitam renda. O shape é em parte amplo e rígido - e lá estão as meias mangas bufantes clássicas da modelagem de Fraga. Há uma boa série de xadrezes azul-marinho, como nos minishorts balonês e no macaquinho com amarrações e laçarote na frente. O branco domina a cena – combinado, por vezes, com verde, rosa e amarelo claros. A flor vermelha, uma marca do estilista, apareceu estampando apenas um look, só para manter o protocolo. Branco, sobreposição, transparência, todas as tendências gerais estavam alí, na coleção em que Ronaldo Fraga exercitou o seu lado “minimal”.
Boa aposta: combinação de tule branco que vai por cima e por baixo das peças e é muito versátil. Muda o look completamente. Outro destaque foram as roupas com estampa impressa de renascença (renda típica do nordeste brasileiro).
André LimaSe tem um estilista que sabe rebuscar uma silhueta feminina, esse é André Lima, com seus vestidos de festa voluptuosos imponentes, grandiosos, cheios de luz própria. André é mestre em enxertar volumes como os seus clássicos maxibabados ou as estruturas geométricas, que foram a novidade da vez. Desde os mínis tomara-que-caia de paetê, justos ao corpo, até os longos rodados com acabamento balonê, passando pelos curtos na frente com volumes gigantes terminando numa cauda elegante, a mulher de André seria debochadamente a melhor em qualquer tapete vermelho no mundo. Beyoncé merecia vestir André Lima. Florões amarelos sobre fundo preto, estampas geométricas em preto e branco, ou caleidoscópicas, misturando cores... Não à toa, André Lima encerra a semana de moda. O cara sabe fazer um show para deixar todo mundo satisfeito com a energia e o prazer do melhor, mais saboroso e sofisticado cafézinho.
Boa aposta: saber escolher, de tudo o que se viu nesses cinco dias, o que melhor combina com a sua atitude, com o seu estado de espírito. Afinal, a moda tem o poder de imprimir ânimo, memso que de maneira inconsciente. De acordo com as tendências das passarelas, o próximo verão é leve. Então relaxe e aproveite!
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