Revival fashion

Exposição contará a trajetória de Cristóbal Balenciaga, o mestre da modelagem arquitetônica

por Luty Vasconcelos - 10 de julho de 2010
As silhuetas impecáveis do estilista espanholO mestre das modelagens arquitetônicas da alta-costura do século 20 será homenageado ainda esse ano com uma exposição no Instituto Espanhol Rainha Sofía, em Nova York. O espanhol Cristóbal Balenciaga (1895-1972)  foi um dos mais importantes estilistas antes do advento do prêt-à-porter. Ele criou formas e volumes imortais, representados através de vestidos e trajes que lembram flores como a tulipa e a rosa desabrochada com suas pétalas recriadas por inúmeros plissados. Na retrospectiva intitulada "Balenciaga: Spanish Master", o costureiro basco terá exposto 60 peças, entre roupas e acessórios, além de um vestido de noiva e um traje de toureiro, tudo confeccionado pelo estilista.

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Com curadoria de Hamish Bowles, editor da "Vogue" América na Europa, a exposição promete fazer uma análise da influência da Espanha na obra de Balenciaga. Tanto que cogita-se a presença da própria Rainha Sofía da Espanha na inaugurar exposição, marcada para o dia 19 de novembro.



ENTRE PEIXES, AGULHAS E COROAS


O estilista Cristóbal BalenciagaCristóbal Balenciaga viveu o auge de sua fama e criação durante os anos 50. Propôs mudar a silhueta feminina ao eliminar a cintura e aumentar os ombros, num talhe mais acentuado. A perfeição nas proporções conseguida pelo estilista em seus modelos aproximava sua arte da arquitetura, inaugurando um estilo que hoje é badalado pelos mais importantes criadores de moda no mundo. Considerado o grande mestre da alta-costura, seu estilo elegante, severo e às vezes dramático tornaram inconfundíveis suas criações. As cores que usava nesta época eram sóbrias, como tons de marrom escuro.

Filho de um pescador com uma costureira, o menino aprendeu cedo as técnicas básicas da sua profissão. Aos 12 anos de idade, começou a trabalhar como aprendiz de alfaiate. Ainda adolescente, virou aprendiz da pessoa que seria sua musa e madrinha de carreira, a marquesa Llanzol de Casa Torres. Reconhecendo seu talento para a arte das tesouras e o natural bom gosto estético, mandou Cristóbal para Madri, onde recebeu treinamento profissional. A família real espanhola e a aristocracia passaram a vestir suas elegantes criações, mas quando explodiu a Guerra Civil o jovem estilista foi obrigado a fechar suas lojas e partir para Paris, onde abriu sua primeira maison em 1937.

Vestido de 1951 inpirado no típico Flamenco (à esq) Croqui de 1946Depois de 1950 seu nome cresceu a ponto de virar referência para outros grandes da moda como Oscar de La Renta, André Courrèges, Emanuel Ungaro e Hubert de Givenchy, este último para quem lecionou técnicas de modelagem. Em 1965, apresentou os primeiros impermeáveis transparentes em material plástico. Sua última coleção foi lançada na primavera de 1968 – ano em que se aposentou e fechou sua maison – e mostrou jaquetas largas, saias mais curtas, vestidos-tubo e muitas cores.

Balenciaga morreu em 1972, aos 77 anos, em Javea, na costa espanhola, deixando uma das mais consistentes obras da história da moda do século 20, impressionante por sua precisão técnica e apaixonante por sua sintonia com o espírito feminino revolucionário de sua época.

Se você está se programando para passar as festas de final de ano em Nova York, aproveita e inclua a exposição no seu cronograma de viagem. Ver a obra de Balenciaga de pertinho vai ser um belo presente, sem dúvida.

Serviço:
Exposição “Balenciaga: Spanish Master”
De 19 de novembro de 2010 a 19 de fevereiro de 2011 (datas previstas)
Onde: Instituo Espanhol Rainha Sofía, 684 Park Avenue, entre as ruas 69th e a 68th - Nova York.

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