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Prada lança polêmico projeto "Made in..." e passa a produzir peças fora da Itália
por Luty Vasconcelos - 19 de outubro de 2010
Em meio à diversas discussões sobre a importância de centralizar e preservar a legitmidade do design de moda italiano, o "Made in Italy", a estilista Miuccia Prada mudou o ângulo de visão sobre o assunto e lançou uma proposta polêmica para a tradicional grife italiana Prada, da qual é a diretora criativa. A label de luxo passará a ter linhas produzidas em outros países e com direito a etiquetas que valorizam as origens das peças.
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O novo projeto, intitulado "Made in...", é direcionado para a valorização das técnicas e referências estéticas originais de cada lugar do mundo e já conta com quatro países para a sua primeira edição. Se a origem do tecido tartan nos mais variados e tradicionais tipos de xadrezez vem da Escócia, porque não agregar os altos valores dessas peças genuinas à grife? E assim a “Prada Made in Scotland” é uma coleção de kilts de tartan produzidos em oficinas especializadas nas técnicas centenárias de tecelagem e confecção. Os bordados indianos e se colorido de encher os olhos também ganharam uma linha com a etiqueta de luxo, “Prada Made in India” traz peças produzidas a mão com a técnica Chikan, tradicional da Índia muçulmana. Do Peru, por sua vez, vem uma série de cardigãs e blusas em malha de lã de alpaca, conhecida pelos incas como o "ouro dos Andes". O Japão, curiosamente, também entrou na lista com o jeans produzido pela Dova, considerada por Miuccia a fábrica de jeans mais sofisticada do planeta.
Acontece que essa visão de Miuccia vai de encontrou ao atual momento da moda italiana. A Itália, assim como a França, consideram a questão do vestuário como responsabilidade da segurança nacional, mantendo câmaras governamentais que legislam e arregimentam suas indústrias de moda a fim de manter os "segredos do design" e a valorização da mão de obra local, considerados verdadeiros tesouros nacionais. Por isso mesmo são os países mais resistentes à entrada de roupas estrangeiras.
Durante a crise econômica de 2008-2009, que atingiu dramaticamente a moda no Velho Continente, os países europeus tiveram que se render ao "gigante dragão oriental" e sua hegemônica potência em bens manufaturados. Muita gente na Europa ainda resiste em comprar produtos fabricados em outros países, principalmente na China. Uns por conta dos empregos europeus que foram perdidos, outros por desconfiarem que aquelas peças passaram por mãos infantis ou escravas; o que passa longe do consumo consciente.
Para se ter uma ideia da seriedade do assunto, um grupo de empresas italianas lançou no começo desta década um sistema de creditação de produtos autenticamente concebidos, desenvolvidos e manufaturados na Itália, para tentar fazer frente à concorrência desleal. A etiqueta "True Italy" procura garantir se o produto é genuinamente italiano, tão desejada pelo consumidor exigente. As etiquetas trazem um código de 20 dígitos que pode ser checado online antes da compra , comprovando sua autenticidade.
O novo projeto da Prada deve chegar às lojas no final de 2010 mostrando que todos merecem ter o seu devido valor reconhecido, não apenas as "neuróticas" mecas da moda mundial. Tacada de mestre de Miuccia Prada que, apesar disso, ainda mantém 85% da produção na Itália, permanecendo dentro dos padrões de legislação do país. Isso sem deixar de se fortalecer mais ainda em outros mercados lucrativos ao redor do mundo, como por exemplo o Japão. "Você precisa abraçar o mundo se quer viver agora”, disse Miuccia para a jornalista de moda Suzy Menkes, em matéria sobre o novo projeto.
O que não se sabe é se os artesãos estrangeiros estão recebendo financeiramente o mesmo tipo de valorização digna que a grife de luxo paga em terras italianas. Espera-se que a remuneração de tal mão de obra tão genuína seja diretamente proporcional ao marketing que está sendo trabalhado pela poderosa Prada.
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