mix musical
Falta de coesão não estraga o novo disco de Elvis Costello, “National Ransom”
por Caru Ares - 10 de novembro de 2010
São poucos os músicos com anos de estrada que podem se considerar verdadeiramente criativos e ambiciosos quando o assunto são álbuns inéditos. A verdade é que a grande maioria acaba se acomodando com seu sucesso do passado e limita-se a lançar coletâneas com os grandes hits de sua carreira nas mais diferentes versões, desde o famigerado acústico até edições ao vivo em alguma grande casa de espetáculos. Definitivamente, este não é o caso de Elvis Costello.LEIA MAIS: Amy Winehouse retoma sua carreira e confirma shows no Brasil
Com 33 discos em estúdio lançados em 40 anos de carreira, o cantor inglês mais americano de todos consegue se reinventar a cada novo trabalho, sempre inovando nos ritmos, arranjos e temas usados em suas letras, passando longe de qualquer estagnação musical. E não foi diferente em seu recém lançado álbum, “National Ransom”, que tem como foco principal o colapso financeiro que assola o mundo nos últimos anos.
O veterano do rock trouxe para este novo disco uma mistura de ritmos alucinante, que a primeira vista pode parecer totalmente sem nexo e coesão - e na verdade é -, contudo, cada faixa do álbum é executada com tamanho zelo e perfeição que Costello consegue se safar da tamanha falta de unidade do trabalho. E toda esta qualidade musical se deve não só ao talento do músico, mas ao fato de nomes como Vince Gill, Marc Ribot, Buddy Miller, Leon Russell e de membros da banda The Imposters and The Sugarcanes, terem participado das gravações.Algumas canções merecem destaque maior, como a faixa título, que descreve como a vida das pessoas se tornou precária depois do impacto da crise financeira; a melancolia criada através de trompetes e violinos em “Jimmie Standing in the Rain”; toda a habilidade de letrista do cantor em “Stations of the Cross” e a poética Dr. Waton, I Presume”.
Com letras que falam desde altas negociações em Wall Street, passando por gângsters dos anos 20 e terminando em religião e se aventurando pelas vertentes do bluegrass, R&B, rock, soul, country e muitos outros ritmos, Costello conseguiu transformar a miscelânea de “National Ransom” em um ótimo álbum, que merece ser ouvido.
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Últimos comentários
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Tati Lopatiuk - 14/11/2010 às 16:02:21
Cool
Excelente review, parabéns.
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