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“Trabalho Interno” narra como crise da economia norte-americana já era uma tragédia anunciada

por Camila Martins - 15 de março de 2011
Pôster do documentário que levou o Oscar este ano15 de setembro de 2008: a data em si não é tão emblemática quanto aquele 11 de setembro de 2001, dia da queda das Torres Gêmeas em Nova York. É, no entanto, o marco da avalanche econômica que assolou o mundo a partir de então. Neste dia, o banco Lehman Brothers faliu e inaugurou a maior crise financeira desde o pós-guerra.

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Ainda é cedo para medir as consequências deste episódio, mas “Trabalho Interno”, documentário de Charles Ferguson vencedor do Oscar, ajuda a entender os fatos que fizeram a economia americana explodir em meio a hipotecas não pagas e ao ápice da especulação financeira.

E se a crise só se tornou pública, de fato, neste dia, o filme mostra que diversos especialistas e até a ONU tentaram avisar aos donos de bancos, durante os anos 2000, sobre os possíveis desdobramentos da política de Wall Street, em que o mercado é autorregulatório, livre de qualquer interferência do estado.

 “Trabalho Interno”, narrado por Matt Damon, em linhas gerais, traça o percurso de como os Estados Unidos, desde os anos 80, vestiu a camisa do neoliberalismo, propagou o capitalismo financeiro e caiu na sua própria armadilha. O filme até tenta ser didático através de infográficos que indicam o movimento entre seguradoras, investidores e bancos de investimento, mas a quantidade de termos técnicos faz o espectador leigo se perder no assunto.

Filme mostra como a especulação financeira quase faliu os Estados UnidosEntretanto, o filme vale a pena por ajudar a compreender como cresceu a bolha imobiliária que desencadeou a crise, gerada majoritariamente por empréstimos com altos juros oferecidos pelos bancos às pessoas que eles sabiam que não poderiam pagar por isso, e por mostrar como a economia corrompeu o meio acadêmico, fazendo com que professores das mais importantes universidades americanas escrevessem artigos dando respaldo para essa ideologia.

Isso sem contar a exibição de algumas curiosidades interessantes, como o fato do Citibank ter financiado 100 milhões de dólares para os cartéis de droga mexicanos, o Credit Suisse lavado dinheiro para financiar o programa nuclear iraniano e o presidente Obama manter os mesmos figurões que moldam a economia do país em sua equipe de governo.

Entre marolinhas e tsunamis devastadores, os reflexos da crise ainda se propagam pelo mundo. Resta saber o que os bancos e os homens de negócio vão aprender com isso. Pela impressão deixada pelo filme, essa lição não foi aprendida.

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