Falando sério

As muitas faces do terrorismo no cinema mundial

por Luciana Borges - 3 de maio de 2011
Cena do filme Voo 93 relembra os ataques ao WTCDesde que a organização Al Qaeda assumiu a autoria dos ataques às Torres Gêmeas do complexo World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, a palavra terrorismo foi elevada a outro patamar. Não significava mais a forma de ação de um grupo ou de um regime calcada, deliberadamente, no terror. Passou a constar no discurso de governantes do mundo todo como motivação para ações que foram desde o endurecimento de “regras de segurança” até se tornar justificativa para o início de guerras sangrentas como os combates do Afeganistão e do Iraque, iniciados em 2001 e 2003, respectivamente.

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Toda essa nova “Era do Terror” caiu na conta de Osama Bin Laden, o homem que durante mais de dez anos foi considerado o inimigo número 1 dos Estados Unidos e de muitos países ocidentais. Com sua morte confirmada pelo presidente Barack Obama após uma ação secreta dos norte-americanos no domingo (1), no Paquistão, encerra-se um capítulo absolutamente cinza da história mundial, no qual vítimas surgiram de todos os lados, e aquele rótulo capaz de identificar os “good guys” passou por mil mãos diferentes.

Michael Moore foi um dos primeiros a abordar o contexto político depois dos atentadosO cinema, nos últimos anos, não passou incólume por esse zeitgeist. O terrorismo foi parar nas telas nas mais variadas abordagens, servindo de argumento para filmes de ação, dramas de superação e thrillers envolvendo política e conspiração. Aqui, o Colherada faz uma breve lista de produções que tocaram (ou contornaram) esse assunto. É fato que não há uma cartilha eficaz para controlar o terrorismo, mas o cinema mostrou que os erros cometidos por quem dizia combatê-lo só fizeram aumentar esta ideologia.

O DOC DE MOORE
Um dos primeiros filmes a tratar do assunto depois do ataque ao WTC foi o documentário “Fahrenheit 11 de Setembro”, de Michael Moore. Lançando em 2004, ele mostrou os equívocos estruturais do governo norte-americano, que tinha informações sobre os atentados, mas nada fez, bem como criticou ferrenhamente a decisão de George W. Bush em declarar guerra contra o Iraque e o Afeganistão. Moore faz conexões entre o então presidente e o interesse de empresas petrolíferas, esvaziando, assim, as “desculpas” que o comandante da nação havia dado para colocar o país em combate.

TERROR NO AVIÃO
A ação em “Voo United 93” (2006) remonta, em tempo real, os acontecimentos dentro de uma das aeronaves sequestradas pelos terroristas que agiram em conjunto para promover o maior atentado da história dos Estados Unidos. O voo deveria atingir Washington, tal como aconteceu com as Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro. Em vez disso, porém, a tripulação consegue dominar os sequestradores e evitar o choque. Apesar de saber que não haverá sobreviventes deste voo, o espectador não deixa de se envolver no drama dos passageiros. O roteiro e a direção são de Paul Greengrass, de “A Supremacia Bourne”, e a produção é uma das que demorou a tocar na ferida ainda aberta dos atentados para os americanos. 

A PARANOIA DA SEGURANÇA
O anarquista V em cena do filmeEm “V de Vingança”, de 2006, a palavra terrorismo ganha outro significado. Na trama inspirada na graphic novel de Alan Moore, toda vez que o governo inglês deseja justificar sua caça aos “inimigos do sistema” trata seus opositores por esta designação. Dirigido pelos irmãos Wachowski, o filme mostra como um governo autoritário se instalou na Grã-Bretanha logo após um acontecimento traumático na sociedade. Com a desculpa de proteger a população, o presidente deste partido toma ares de ditador e passa a monitorar a todos. Cabe ao anarquista V (papel de Hugo Weaving), com a ajuda da jovem Evey (Natalie Portman), programar uma série de atos considerados “terroristas” em Londres para fazer a verdade vir à tona.

Pierce Brosnan e Ewan McGregor em cena de O Escritor FantasmaCONSPIRAÇÃO NO ALTO ESCALÃO
Roman Polanski terminou este ácido filme ainda durante sua passagem pela prisão na Suíça, em 2009, e mesmo longe do epicentro da paranoia antiterrorista, nos EUA, conseguiu retratar os bastidores das decisões que levaram homens e mulheres para o campo de batalha. Em “O Escritor Fantasma” (2010), Ewan McGregor interpreta um autor que aceita ser o ghost-writer do ex-primeiro-ministro britânico (Pierce Brosnan). Enquanto vai afundando na rede de relações que envolvem o político, descobre que interesses econômicos estão por trás de sua decisão de levar o país à guerra “contra o terror”, uma alusão direta a Tony Blair e seu apoio a Bush no Afeganistão e no Iraque. O suspense colabora para tornar o clima conspiratório da história ainda mais forte e fazer o espectador questionar: afinal, quem é o terrorista aqui?

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