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A Mulher-Gato: de volta às telas, a nova versão da anti-heroína favorita das mulheres

Por trás da máscara, vestindo o poderoso macacão preto de látex, ela se faz de passiva e suave para seduzir sua vítima e, em um pulo, domina o homem-morcego ou qualquer outro que caia no seu olhar impiedoso. Símbolo sexual de independência e não-submissão feminina, a Mulher-Gato, um dos arquétipos mais clichês do imaginário masculino e um dos mais apreciados pelas mulheres, volta ao foco com a estreia de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, último filme da trilogia dirigida por Christopher Nolan, na pele da atual queridinha de Hollywood, Anne Hathaway.
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Usando apenas o poder da sedução e do figurino, sem superpoderes, a anti-heroína é de longe a mais próxima da realidade das mulheres. Alter-ego de Selina Kyle, a garota passou a infância em um orfanato e, ao sair, dizem as más línguas, virou prostituta no bairro natal, Eastside. Criada pela vida, a garota cresceu e virou uma inescrupulosa fora da lei. No entanto, quando conheceu Batman, se apaixonou, vestiu a roupa de dominatrix e passou a atuar como justiceira do seu bairro, só para encontrar com ele e provocá-lo nas quebradas de Gotham City. Com o fracasso do romance, ela o transforma em desafeto e aí começa a história de rivalidade.

Na década de 40, quadrinhos de super-heróis eram coisas de meninos. Quando Bob Kane criou "Batman", era meio óbvio o nascimento de uma personagem feminina que virasse a cabeça não só do herói, mas principalmente dos milhões de adolescentes que levariam aquelas revistinhas para casa e, quiçá, para o banheiro. Krane não imaginou, no entanto, que a moça viraria um dos ícones mais admirados pelas garotas.
Bob Kane criou a Mulher-Gato pensando nas atrizes da década de 30, como Hedy Lamarr e Jean Harlow. Nos anos 60, Julie Newmar foi a primeira a fazer o papel. Tim Burton e Michelle Pfeiffer deram vida à mulher gato mais forte de todas, nos anos 90. Halle Berry viveu uma versão mais sexy e menos intensa no filme solo da Mulher-Gato em 2004, tendo inclusive um dublê masculino para suas cenas de ação.

Longe de ser uma mulher gato como Michelle Pfeiffer, Hathaway não escorrega e se garante no papel. A atriz estrela de “O Diabo Veste Prada” e de várias comédias românticas dá vida a uma Mulher Gato sexy, decidida, que luta bem e usa os homens sem dó.
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Heroína ou vilã, a Mulher-Gato é uma personagem fermininíssima, e como toda a mulher, ambígua. Dona de um código ético e de moral próprios, ora a gata pratica o bem e a justiça, ora articula crimes, profundamente orgulhosa de sua astúcia. Não importa em que lado ela atue, a felina sempre sensualiza para conseguir o que deseja dos homens, inclusive dominá-los.
A força do arquétipo feminista é tamanha que basta uma festa à fantasia para você ver as mulheres-gato saindo de estudantes e profissionais recatadas por aí. Até comerciante de móveis populares, Sylvia Design, usa a roupinha da anti-herióna para marcar seu território em um mercado tipicamente masculino, o da movelaria.
Para que um avião invisível ou um disco voador se as mulheres podem explorar tal poder apenas vestindo um desejável e fetichista pretinho básico?
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