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A Mulher-Gato: de volta às telas, a nova versão da anti-heroína favorita das mulheres

por Luty Vasconcelos - 27 de julho de 2012
A Mulher-Gato de Anne Hathaway

Por trás da máscara, vestindo o poderoso macacão preto de látex, ela se faz de passiva e suave para seduzir sua vítima e, em um pulo, domina o homem-morcego ou qualquer outro que caia no seu olhar impiedoso. Símbolo sexual de independência e não-submissão feminina, a Mulher-Gato, um dos arquétipos mais clichês do imaginário masculino e um dos mais apreciados pelas mulheres, volta ao foco com a estreia de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, último filme da trilogia dirigida por Christopher Nolan, na pele da atual queridinha de Hollywood, Anne Hathaway.

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Usando apenas o poder da sedução e do figurino, sem superpoderes, a anti-heroína é de longe a mais próxima da realidade das mulheres. Alter-ego de Selina Kyle, a garota passou a infância em um orfanato e, ao sair, dizem as más línguas, virou prostituta no bairro natal, Eastside. Criada pela vida, a garota cresceu e virou uma inescrupulosa fora da lei. No entanto, quando conheceu Batman, se apaixonou, vestiu a roupa de dominatrix e passou a atuar como justiceira do seu bairro, só para encontrar com ele e provocá-lo nas quebradas de Gotham City. Com o fracasso do romance, ela o transforma em desafeto e aí começa a história de rivalidade.

Michelle Pfeiffer deu vida à anti-heroína nos anos 90
 
Na década de 40, quadrinhos de super-heróis eram coisas de meninos. Quando Bob Kane criou "Batman", era meio óbvio o nascimento de uma personagem feminina que virasse a cabeça não só do herói, mas principalmente dos milhões de adolescentes que levariam aquelas revistinhas para casa e, quiçá, para o banheiro. Krane não imaginou, no entanto, que a moça viraria um dos ícones mais admirados pelas garotas.
 
Bob Kane criou a Mulher-Gato pensando nas atrizes da década de 30, como Hedy Lamarr e Jean Harlow. Nos anos 60, Julie Newmar foi a primeira a fazer o papel. Tim Burton e Michelle Pfeiffer deram vida à mulher gato mais forte de todas, nos anos 90. Halle Berry viveu uma versão mais sexy e menos intensa no filme solo da Mulher-Gato em 2004, tendo inclusive um dublê masculino para suas cenas de ação.

Halle Berry não convenceu na pele de Cat Woman
Longe de ser uma mulher gato como Michelle Pfeiffer, Hathaway não escorrega e se garante no papel. A atriz estrela de “O Diabo Veste Prada” e de várias comédias românticas dá vida a uma Mulher Gato sexy, decidida, que luta bem e usa os homens sem dó.

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Heroína ou vilã, a Mulher-Gato é uma personagem fermininíssima, e como toda a mulher, ambígua. Dona de um código ético e de moral próprios, ora a gata pratica o bem e a justiça, ora articula crimes, profundamente orgulhosa de sua astúcia. Não importa em que lado ela atue, a felina sempre sensualiza para conseguir o que deseja dos homens, inclusive dominá-los.

A força do arquétipo feminista é tamanha que basta uma festa à fantasia para você ver as mulheres-gato saindo de estudantes e profissionais recatadas por aí. Até comerciante de móveis populares, Sylvia Design, usa a roupinha da anti-herióna para marcar seu território em um mercado tipicamente masculino, o da movelaria.

Para que um avião invisível ou um disco voador se as mulheres podem explorar tal poder apenas vestindo um desejável e fetichista pretinho básico?

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