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"Aqui é o Meu Lugar", estrelado por Sean Penn, explora laços de família rompidos

por Anna Carolina Lementy - 28 de julho de 2012
Em Aqui É o Meu Lugar, Sean Penn vive um astro de rock recluso, à beira da depressão
Andar arrastado, voz baixinha, maquiagem e um cabelo peculiar compõem Cheyenne (Sean Penn), um astro do rock que, no passado, abusou das drogas e agora vive recluso em uma mansão na Irlanda. É impossível não associá-lo ao vocalista do The Cure, Robert Smith. A aparência é idêntica e Cheyenne, como Smith, alcançou a fama compondo canções de cortar os pulsos.

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A diferença: Smith continua na ativa e Cheyenne mal consegue chegar perto de um violão – há boas razões para isso. Entediado e involuntariamente engraçado, passa os dias acompanhando o movimento das ações da Tesco, jogando pelota basca com sua mulher, Jane (Frances McDormand), e tomando café com uma amiga mais jovem chamada Mary (Eve Hewson).

Cheyenne e Jane jogam pelota basca dentro do que deveria ser uma piscina
Essa figura caricata, esquisita e que se revela tão pouco nas palavras pode incomodar. O ritmo do filme é mesmo lento, com peças que se juntam aos poucos. Não dá para saber exatamente aonde o diretor do longa, o italiano Paolo Sorrentino, quer chegar. Por fim, percebe-se que, ao contrário do título, não existe um lugar. Existem muitos. E é para todos esses que Cheyenne vai, numa jornada íntima e transformadora.

Mas a viagem também é literal. A Irlanda fica para trás quando Cheyenne descobre que o pai, com quem não fala há 30 anos, está à beira da morte e decide visitá-lo. Com medo de avião, vai de navio e, quando chega, o pai já morreu. Ele descobre então que o velho tinha uma verdadeira obsessão pelo nazista que o teria torturado em Auschwitz. Decide caçá-lo, talvez como uma forma de compensar a desunião com o pai em vida.

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Cenários absurdamente belos, de cores saturadas, personagens hilários – quase sempre despedaçados pelas relações familiares – e cenas tão delicadas quanto intensas marcam a viagem. Chega-se ao destino final para descobrir que algo além das paisagens ficou para trás. No caso de Cheyenne, é a infância que se dilui, embora ele já tenha boas décadas de vida.

David Byrne, Talking Heads e Arcade Fire
Não, o longa não tem trilha indie. O Arcade Fire só aparece para evidenciar a triste realidade de que um cover pode ser tomado por música original, caso de "This Must Be The Place", canção dos Talking Heads que acompanha Cheyenne em vários momentos. "This Must Be The Place", aliás, é o título original do filme. Bônus 1: David Byrne tem uma participação especial. Ótima, por sinal. Bônus 2: "The Passenger", clássico de Iggy Pop, também está na trilha.

Na trilha: Talking Heads, David Byrne e Iggy Pop
Referências
Espere um filme no mesmo estilo dos de Wes Anderson, especialmente "Os Excêntricos Tenenbaums", e de "Tudo Se Ilumina", de Liev Schreiber. Há cores vívidas, doçura extrema e uma fotografia intensa, até exibicionista. O melhor desses filmes, porém, é o modo como os diretores fazem brotar as emoções: elas jamais são escancaradas, mas, ainda assim, são arrebatadoras.

Veja o trailer


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