pelas ruas do computador

"Arte Fora do Museu": site e aplicativo se tornam guias da arte em espaços públicos de São Paulo

por Camila Martins - 2 de novembro de 2011
Grafite na rua Augusta
A desculpa para não fazer programas culturais é sempre a mesma: eles são caros. E alguns são mesmo. Basta reservar alguns minutos do dia, entretanto, para descobrir alternativas acessíveis e muitas vezes gratuitas, como mostra o projeto "Arte Fora do Museu" (clique AQUI). O site e o aplicativo para iPhone, desenvolvidos pelos jornalistas Felipe Lavignatti e André Deak, catalogam mais de 100 obras públicas espalhadas por São Paulo e completam o serviço com falas de críticos, artistas e arquitetos que são referências no assunto.

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Duas telas do site"A obra de arte em espaço público pode ser vista a qualquer momento, sem pagar nada e nem todo mundo se dá conta", diz Felipe Lavignatti ao Colherada. Com essa facilidade, é ler a entrevista, fazer um tour virtual, ou sair munido de seu celular para ver e conhecer mais sobre as peças emblemáticas espalhadas por São Paulo.

Colherada Cultural: Como surgiu a ideia do projeto "Arte fora do Museu”?
Felipe Lavignatti:
Em 2006 visitei uma exposição na FAAP e lá dentro me deparei com umas esculturas do Aleijadinho, que nem sabia que existiam em São Paulo. Me questionei sobre outras "joias" escondidas pela cidade. Procurei o Fabio Cypriano, meu professor na época e crítico de arte, e disso surgiu uma listinha de alguns nomes de pintores, grafiteiros, escultores e arquitetos (essas eram obras de Brecheret, Niemeyer, Di Cavalcanti e outros). Assim nasceu o projeto: a ideia era fazer uma visita guiada, como as que existem em museu, mas pelo computador. No ano passado, um amigo jornalista veio com um plano de mapear os grafites de São Paulo, contei a minha experiência e a intenção de mapear todas obras de arte públicas na cidade. Inscrevemos o projeto em um edital da Funarte e conseguimos a bolsa que possibilitou a realização do site.  

C.C.: Por que falar sobre arte pública?
F.L.:
A proposta inicial era catalogar, algo que não existia. Você tem acesso ao acervo de museus, mas não existe onde buscar referências das obras que estão nas ruas. Com o decorrer do trabalho surgiram novas características que foram observadas, como a preservação, já que obras em espaços abertos sofrem com desgaste e o grafite é constantemente renovado. No mais, a obra de arte em espaço público pode ser vista a qualquer momento, sem pagar nada e nem todo mundo se dá conta quando passa em frente a alguma. O projeto "Arte Fora do Museu” tenta abrir os olhos para este lado artístico da cidade. 

Obra exposta na estação Clínicas do metrôC.C.: Como se deu o processo de catalogação das obras?
F.L.: C
hegamos a um número de pouco mais de 100 obras definidas pelos critérios: fácil acesso ao público, visitação gratuita, reconhecimento da crítica e obras modernas. Com essa lista feita, começamos o trabalho de sair às ruas e coletar dados, imagens e vídeos. 

C.C.: O site também sugere roteiros temáticos, como "Século XIX "e "obras de osgemeos". Como buscaram esses temas?
F.L.:
O projeto previa uma lista de roteiros desde o princípio (sempre quis ver uma seleção de todas as obras do Niemeyer em São Paulo, por exemplo), mas foi com a chegada do Diogo que isso se consolidou, pois a empresa dele, a SPBureau já fazia alguns desses roteiros propostos.  

C.C.: Por que lançar o "Arte Fora do Museu" como site e aplicativo?
F.L.:
O site era a ideia básica. Um catálogo online do acervo de espaços públicos da cidade. O aplicativo e a versão mobile do site surgiram para levar a experiência das visitas guiadas de museu para fora do museu, ou seja, você pode estar em frente a uma obra e obter informações ricas sobre ela ouvindo um especialista, ver fotos, ler curiosidades, tudo isso na rua. O uso de Internet nos celulares só cresce no Brasil, não podemos ignorar isso.

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