a estreia do ano?
"Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge": o que esperar do último ato com o herói dark recriado nos cinemas por Christopher Nolan

Ainda que no futuro alguém tenha a brilhante ideia de fazer uma releitura da saga de Batman, como aconteceu recentemente com o Homem-Aranha de Andrew Garfield e Marc Webb, será difícil acreditar que ela seja tão bem-sucedida em bilheteria e popularidade quanto a atual. Portanto, ir ao cinema assistir à “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” pode significar dar adeus ao herói mascarado da DC Comics de vez (ou ao menos por um bom tempo).
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Os fãs do personagem não irão se decepcionar. Tal como os filmes anteriores, a trama se desenvolve em camadas e atrai o espectador com diálogos bem pensados, efeitos especiais de tirar o fôlego e um elenco impecável. Christian Bale está de volta como Batman, bem como Michael Caine no papel de Alfred e Gary Oldman na pele do comissário Gordon. As novidades ficam com Marion Cotillard, que vive a ricaça Miranda Tate, Anne Hathaway e sua Selina Banks, a ladra Mulher-Gato, Tom Hardy, o brutamontes psicótico Bane, e Joseph Gordon-Levitt, como um policial novato.
Para saber o que o espera nos cinemas, o Colherada lista aqui seus pontos de vista sobre “Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge” e opina sobre os azes na manga de Christopher Nolan, o diretor-realizador da franquia, para o último ato.

BATMAN X BRUCE WAYNE
O filme começa oito anos após a morte de Harvey Dent que, no longa anterior, se transformou no vilão Duas Caras. Ao contrário do que poderia se esperar, no entanto, Dent fica imortalizado como o grande herói a salvar Gotham City naquela ocasião e Batman vira apenas o cara mau que o matou. Isso significou a aposentadoria do Homem-Morcego e Wayne, devastado com a morte de Rachel (Maggie Gyllenhaal), se torna um recluso em sua mansão. É assim, nem Batman, bem Bruce, que o protagonista surge, envelhecido, amargurado e fraco. Ponto para mais essa concepção do personagem, que reforça o alto preço pago desde o momento em que decidiu vingar a morte dos pais (em “Batman Begins”, de 2005) e proteger a cidade.

BANE X CORINGA
Logo nos primeiros minutos se conhece o grande vilão da vez – Bane (Tom Hardy). Mercenário forte e habilidoso, nos quadrinhos ele é o cara que deixa Batman paralítico. No cinema, deve-se dizer que o primeiro confronto entre ele e o alterego de Bruce Wayne deixa o herói pedindo arrego. Batman nunca apanhou tanto. Mas, ao contrário do que aconteceu em “O Cavaleiro das Trevas”, quando Christian Bale acabou eclipsado pelo Coringa de Heath Ledger, aqui ele assume o controle. Já no comparativo entre os vilões, Bane é mais previsível – e por isso, menos interessante. Com ele, a luta entre bem e mal deixa o campo do raciocínio lógico e volta para o campo de batalha – literalmente.
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BEM X MAL
Um dos grandes trunfos da trilogia criada por Christopher Nolan é jogar, o tempo todo, com os conceitos de bondade e maldade, do que é justiça e do que é vingança. Se no segundo filme essa dualidade já se mostra ligada a conceitos morais, aqui essa ideia se aprofunda. Selina Banks, a Mulher-Gato de Anne Hathaway é um exemplo disso. Em seu flerte com Batman ela acaba deixando-o à beira da morte. De outro lado, a primeira aparição do comissário Gordon, símbolo incorruptível de Gotham, o mostra em crise de consciência. Ele sustenta a mentira sobre a imagem de Harvey Dent como desculpa para “limpar” a cidade dos criminosos. Graças a uma lei homônima, bandidos considerados muito perigosos são imediatamente presos, sem direito à condicional durante julgamento. Seria a prisão negra uma menção à base militar norte-americana de Guantánamo, em solo cubano?

RICOS X POBRES
Se em 2008 “Batman – O Cavaleiro das Trevas” foi no cerne da questão do terrorismo (uma referência clara aos acontecimentos de 11 de setembro em Nova York), agora é a crise financeira mundial (a qual afeta fortemente os Estados Unidos) que dá as caras. Bane propõe a ruína dos figurões de Gotham City e o julgamento desses ricaços em um tribunal popular. Em uma das sequências mais violentas, o vilão Bane invade, com seus capangas, o prédio da Bolsa de Valores, centro-símbolo da especulação dos investidores em busca de dinheiro rápido. Selina Banks é outra que se aproveita do "excesso" de quem tem muito para garantir seu sustento roubando aqueles que pertencem à alta roda da sociedade. Novamente um acerto ao conseguir capitalizar sobre fatos da atualidade dentro de um contexto fictício o qual permite a Gotham enfrentar até mesmo uma ameaça nuclear.
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Últimos comentários
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Eduardo Pimenta Marrocos e Freitas - 01/08/2012 às 18:42:21
Selina Kyle e Joseph Gordon-Levitt
File excelente, emocionante como não seria de se esperar num filme de ação, com sacrifícios finais, resolução de conflitos e etc. A matéria também está muito boa, só tenho dois reparos: 1 - A Mulher-Gato é Selina Kyle, não Banks. E foi uma surpresa a interpretação de Anne Hathaway, que eu achei que ficaria excessiva por conta do cabelão, mas que foi realista e discreta o suficiente, inclusive pela não menção do nome "Mulher-Gato" ao longo do filme. 2 - O personagem de Joseph Gordon-Levitt é bem mais crucial para a trama do que parece, e inclusive foi excelente a opção do Christopher Nolan de não usar o nome do personagem original (que não ponho aqui pra não estragar a surpresa de quem não assistiu, mas seguem as iniciais: T. D.) Um último comentário, meu único senão ao filme, foi o uso de um truque usado no filme "true lies", que também não digo aqui para não estragar outra surpresa, mas que achei a única coisa excessiva a ponto de considerar o ponto negativo do filme. Parabéns,


