Pé na estrada

"É um disco imagético, totalmente ligado ao cinema", diz Céu sobre “Caravana Sereia Bloom”

Cantora lança o terceiro trabalho da carreira inspirado por suas viagens e o brega nordestino

por Larissa Saram - 10 de fevereiro de 2012
Foto que ilustra a capa no novo disco de Céu,
A caravana de Céu está pronta: na boleia do caminhão estão os amigos Pupillo, Curumin e Lucio Maia. O marido Gui Amabis e o pai Edgar Poças também integram o grupo musical. A trupe segue pela estrada, em direção ao Norte e ao Nordeste do país. Param nos bares, bebem cerveja, ouvem as músicas românticas tocadas num radinho de pilha. Brindam à simplicidade, ao amor, e voltam para a estrada...

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Estas imagens são a melhor descrição para “Caravana Sereia Bloom”, o novo disco da paulistana Céu, uma das vozes femininas da nova MPB. A cantora deixou em “Vagarosa” quase todo o reggae e ska e agora aposta em outras experiências sonoras, influenciadas pela música de seus amigos, sua vida na estrada, no cinema e na música brega.

O Colherada bateu um papo com a artista durante uma mini coletiva de imprensa, realizada em São Paulo. Durante a conversa, Céu falou dos elementos inspiradores do disco e como foi gravar em parceria com seu pai.

Filtros diversos foram usados nas imagens do novo clipe e na capa do disco para dar ao trabalho um ar cinematográfico C.C.: “Caravana Sereia Bloom” tem um gostinho de música brega. Qual é a sua ligação com esse estilo?
Céu:
Acho a música brega muito bonita, admirável. Um pouco antes de começar a gravar, descobri umas coisas do Alípio Martins, Eliane, esses cantores românticos bem conhecidos. Fui gostando daquilo e achei na internet vários sites com podcasts, coletâneas. Ouvia tanto que o pessoal lá em casa começou a ficar meio bravo comigo! (risos). Se alguém aí se interessar o site Radio Forró Brega é muito bom! (risos)

C.C.: É comum você incluir regravações no seu repertório. Dessa vez, entre algumas, você trás “Palhaço”, de Nelson Cavaquinho, em que canta com o seu pai, Edgar Poças. Como foi a escolha da música?
Céu:
Eu e meu pai sempre cantamos juntos informalmente. Ele quem me apresentou um estúdio musical, esse universo todo! Fiquei com medo de chamá-lo para participar do disco porque faz muito tempo que ele não toca violão, mas daí fiz o convite e pronto! Temos tanta familiaridade que gravamos num take só. E essa é uma música que eu amo, acho genial e as imagens circenses, de palhaço na estrada, têm tudo a ver com o CD. Tinha que colocar.

C.C.: Este é um disco muito imagético. Qual é a ligação de “Caravana Sereia Bloom” com o cinema?
Céu: A ligação é total. Sempre fiz muita música que depois foi parar no cinema, então esse meu vínculo com o cinematográfico é antigo. Esse trabalho tem muitas influências, a principal é o longa do Karim Aïnouz, “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”. Diria que é a inspiração central, é um road movie lindo. Durante a produção do disco, também assisti “Bye Bye Brasil”, de Cacá Diegues e filmes de Sérgio Machado.

C.C.: O seu clipe “Retrovisor”, por exemplo, ilustra bem essa pegada cinematográfica.
Céu: Sim, convidei o Renan Costa Lima e Ivo Lopes Araújo, dois cineastas, para dirigirem o vídeo. Aproveitamos que eu estava fazendo um show em Recife e encontramos uma locação que tinha tudo a ver com o que queríamos: um bar na beira da estrada, chão de terra batida, neons nas paredes. A ideia era passar o glamour que existe nessa estética, que é a cara do Nordeste e do Norte do Brasil. Aquela mulher do clipe pode ser tudo, é alguém que está cantando a dor de um amor. Ela é intrigante.

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