diva virtual
Cheio de hits, “Born to Die”, de Lana del Rey, alcança o topo das paradas
Recheado de repetições de suas próprias fórmulas, disco prova que a cantora nova-iorquina não será apenas um rostinho bonito na cena musical das divas

Precisamos falar sobre a Lana. Promessa da música emergida da internet (e do marketing potente arquitetado por sua gravadora, a Polydor) em 2010, a cantora norte-americana, candidata fortíssima a musa do hype 2012, acaba de lançar seu segundo trabalho (o primeiro foi o EP “Kill Kill”, quando ainda assinava com o seu nome de batismo, Lizzy Grant) “Born to Die”. E os números indicam que não importa se ela tem realmente talento ou não passa de um fake da indústria. Todo o prévio planejamento para sua carreira tem dado mais do que certo: 117 mil cópias do disco sumiram das lojas em sua primeira semana, tornando-se o mais vendido do ano até o momento. Lana também lidera a parada do iTunes em 14 países, como EUA, Reino Unido, Alemanha, Finlândia e até Luxemburgo.
+ Sucesso na internet, cantora Lana Del Rey divide-se entre a polêmica e o talentoO disco tem o que todo mundo já esperava: a voz sexy de Lana del Rey entoando canções cheias de samples, sonoridades vintages e momentos apoteóticos, quase teatrais. A introdução do single que dá nome ao álbum, “Born to Die”, parece ter saído da trilha sonora de um filme antigo. Canção linda, que depois parte para uma obscuridade que é a cara de Florence+The Machine. A faixa seguinte, “Off the races” tem um refrão que cairia muito bem na boca de uma cantora pop, como Beyoncé ou Katy Perry. As mais do que gastas “Blue Jeans” e “Video Games”, que alçaram Lana para a fama virtual, dispensam apresentação. Já “Diet Mountain Dew” é o hit. Ritmada, quase um rap, com pianos bem colocados e a letra de sempre: ele não é lá aquelas coisas, mas o quero mesmo assim.
Ali
ás, as letras excessivamente dramáticas e cheias de clichês são presença marcante em todo o disco. No entanto, a fraqueza é compensada com produções belíssimas como na balada “Million Dollar Man” e na animada “Lolita”. “National Anthem” é outra que carrega uma pegada de hip hop e tem muitas chances de ser mais um sucesso radiofônico.Parece que a montanha de entrevistas, matérias e críticas atrapalhou um pouco a concentração de Lana Del Rey. Mesmo com suas próprias fórmulas repetidas, a cada música a moça parece dialogar com uma referência diferente. Ao mesmo tempo, este é um disco que passa longe do tédio. Bom ou não, “Born to Die” já ganhou o coração e o toca-discos dos ouvintes. E isso é o que mais importa na carreira de um artista como Lana.
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