para assistir em casa
Cinco motivos para conferir "Toda Forma de Amor", com Ewan McGregor

Quando foi lançado, em 2010, "Beginners", traduzido no Brasil como "Toda Forma de Amor", quase passou batido. Talvez você não tenha sido um dos sortudos a assistir ao filme no cinema. Dê-se a chance de conferi-lo em casa. Listamos cinco motivos pelos quais você deve fazer isso:
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1) A história é original
O filme mostra a relação entre Hal (Christopher Plummer) e Oliver (Ewan McGregor), pai e filho, após o mais velho assumir que é gay. Detalhe: aos 75 anos, após um casamento bem-sucedido. Hal decide sair do armário quando a mãe de Oliver, Georgia (Mary Page Keller), morre. Ele então consegue se livrar das amarras sociais – quando jovem, antes do casamento, era obrigado pelas convenções a fazer sexo com outros homens às escondidas – e afetivas (o compromisso com Georgia). Passa a viver um delicado romance com um homem mais novo, Andy (Goran Visnjic). É impossível não se deixar encantar pelos dois. Oliver, por outro lado, assiste a tudo sem julgar, num constante exercício de doçura e afeto.
2) Christopher Plummer está sensacionalNão é à toa que o ator canadense ganhou o Oscar 2012 de melhor ator coadjuvante por sua atuação no longa. Seu personagem passa por dois momentos simbólicos, complicados de levar para a tela sem afetação. O primeiro é o renascimento da sexualidade na velhice, do tesão e do amor por outro homem. O segundo é o enfrentamento da morte justo quando a vida estava tão boa. No filme, Hal tem um câncer no pulmão e pouco tempo de vida. Esses dois lados tão díspares são mostrados sem pieguice ou drama excessivo. Pelo contrário, transborda humanidade, do jeito mais prosaico e menos cinematográfico. O personagem de Hal, aliás, é muito divertido. Quando descobre sua homossexualidade, descobre também a militância gay, o que parece muito hilário quando se trata de um senhor de 75 anos.
3) Há uma ponte entre cinema e pop art
O personagem de Ewan McGregor é um designer gráfico com boa memória e imaginação pulsante. Enquanto narra os acontecimentos de sua vida – tudo é visto pelos olhos de Oliver após a morte do pai –, relembra os fatos importantes dos anos em questão. Eles são divididos em quem era o presidente de época, como eram os bichos de animação, as estrelas no céu, como as pessoas se beijavam, o que era felicidade, o que era tristeza. A narrativa é entremeada por fotografias, pixações e ilustrações, tornando o filme ainda mais simpático, mais indie e mais artístico. A vontade é de comprar todos os quadros e desenhos de Oliver. Pena que eles não existem no mundo real.

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4) A trilha é linda de doer
Uma única música embala os momentos emocionalmente densos de "Toda Forma de Amor", e ela é bonita demais. Tocada só no piano, o tema do filme lembra o estilo das doces canções de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". É assinada por Roger Neill, Dave Palmer e Brian Reitzell. Johann Sebastian Bach também ganha um espacinho na trilha, prato cheio para quem gosta de música clássica.
5) Um cachorro fofo rouba a cena
Arthur, o cachorro de Hal, é adotado por Oliver após a morte do pai. Carente e expressivo, recusa-se a ficar sozinho e acaba sendo levado para todos os lugares pelo dono, de festas à fantasia (onde Oliver incorpora um ótimo Dr. Freud) a hotéis de luxo e escritórios. Como Oliver é calado, imagina-se sempre conversando com o cão. São diálogos imaginários, mas brilhantes. Vale dizer, ainda, que Oliver vive um romance com Anna (Mélanie Laurent, de "Bastardos Inglórios"). O amor entre os dois é carregado de expectativas frustradas, como se nunca se soubesse amar e fosse preciso reaprender. Por isso o título original, "Beginners" (iniciantes, em português), é tão melhor que a tradução. No filme, todo mundo está começando a viver coisas grandiosas, mas sem nenhuma experiência prévia.
E aí, ficou tentado a assistir?
Veja o trailer
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