preciosidade literária

Contos fantásticos de Rudyard Kipling, autor de Mogli, ganham primeira tradução para o português

*Por Juliana Centini

por Colaborador* - 3 de abril de 2012
A capa do livro e uma das ilustrações feitas pelo próprio autor

Fantasiar com o desconhecido, permitir que a imaginação crie cenários singulares, que a mente dê vida a personagens, não é coisa exclusiva de gente grande. Fosse assim, Rudyard Kipling célebre escritor britânico não teria o Nobel de Literatura tendo dedicado sua obra a contos curtos e fantásticos para o público infantil. Quase 80 anos após a sua morte, algumas de suas histórias podem ser lidas pela primeira vez em português, traduzidas por Myriam Campelo no livro “Histórias Assim” (Editora Octavio, 232 páginas, R$ 45).

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Contos curtos e fantásticos sobre florestas, animais, inspirações culturais e históricas de povos antigos estão em 12 textos contidos no volume, acompanhados de 48 desenhos feitos a próprio punho pelo autor. E se Kipling encantava sua filha Effie com as fábulas na hora de dormir, cativar crianças, mesmo que de uma geração completamente diferente, é o grande trunfo daquele que criou um personagem imortal como Mogli, o menino lobo (oriundo da obra “The Jungle Book”, de 1894).

PARA QUE O ENCANTO NÃO SE ESVAIA

“Jogos verbais, aliterações, rimas, onomatopeias, analogias, trocas e supressão de letras e sílabas, deturpações de palavras do discurso infantil: é grande o repertório de Kipling em busca de uma fala pessoal”, aponta a tradutora ao refletir sobre “Just Stories”. A experiência com escritores de renome permitiu a Myriam manter figurações peculiares e cadência de trocadilhos.

A previsão e o conhecimento do universo infantil por parte de Kipling é visível já no prefácio, quando se preocupa em confortar os pais sobre o que as crianças podem pensar e sentir a respeito da obra. “As crianças não são todas iguais, claro. Mas se você se deparar com alguma Effie cansada e sonolenta no fim do dia e começar a ler em voz baixa, contando as histórias exatamente como as escrevi, verá que ela vai se enrodilhar e dormir”, diz Myriam.
 
Ainda há no prefácio outra delicadeza do autor, que se preocupa em direcionar a leitura informando: “Algumas histórias são feitas para ser lidas quietamente, outras devem ser contadas em voz alta. Umas servem só para manhãs chuvosas, outras para tardes longas e quentes, quando se está deitado ao ar livre.  Outras ainda são narrativas para a hora de dormir. Todas as histórias de Blue Skalallatoot são matutinas  (não sei por quê, mas é o que diz Effie). E todas as histórias sobre O. Sylvester Woodsey são vespertinas, geralmente contadas à sombra dos bosques.”. Inspirador, não?

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Últimos comentários
  • Pedro Souza - 19/11/2012 às 04:16:18

    RK já teve história traduzida antes.

    Corrigindo a informação, Rudyard Kipling já teve o livro "The Jungle Book" (O livro da Selva) traduzido para o Português por Monteiro Lobato em 1933.

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