alho, estaca de madeira e muita arte
"Drácula" ganha versão em graphic novel pelo traço de Luis Scafati

“Morto enquanto o sol percorre o dia iluminando o mundo, o conde Drácula aguarda o regresso das sombras que o despertarão; então, como um animal noturno, buscará novas vítimas que alimentem com sangue sua imortalidade”. Quem nunca ouviu falar da história do mais famosos de todos os vampiros? O artista plástico e desenhista argentino Luis Scafati transformou o clássico “Drácula” em um romance gráfico impactante e repleto de referências que fazem de seu livro uma bela obra.+ “Romeo and Juliet: The War”: Stan Lee coloca ciborgues e armas futuristas no clássico de Shakespeare
Escrita pelo irlandês Bram Stoker em 1897, a história do conde das trevas é o principal ponto de partida das mais diversas representações que permeiam o universo dos vampiros, seja na literatura, no teatro, na televisão ou nos cinemas ao longo dos séculos. Scafati explora uma narrativa coerente traduzida com primor em linguagem visual na qual o artista explora seu vasto conhecimento sobre a pintura e o desenho do século 20, o que resulta em uma aproximação da violência romântica original da obra ao caos estético dos tempos atuais.
Entre os traços finos e delicados, interferências fotográficas, carimbos e borrões de nanquim, é possível reconhecer diversas influências de artistas que revolucionaram a histórias da arte. O famoso quadro que deu início à revolução cubista, “Les demoiselles d’Avignon”, de Picasso, bem como “Guernica”e outros traços característicos do artista espanhol, se fazem presentes entre as cenas descritas por Scafati. O mesmo ocorre com obras do expressionismo alemão de George Grosz e do pós-expressionismo inglês de Francis Bacon ou mesmo da sensualidade dos desenhos de Toulouse Lautrec. Há também influência do cinema expressionista, como as deformações inclinantes dos cenários de “O Gabinete do Dr. Caligari”.Mantendo a característica epistolar do romance original de Stoker, ao optar pela utilização de trechos dos diários e cartas dos personagens, o artista reduziu a história a um esqueleto dramático com pequenas porções estruturantes da narrativa. Essa escolha criou um equilíbrio exato entre imagem e texto, não comprometendo a individualidade de cada linguagem. Sua objetividade textual torna a leitura rápida e também tensa, por contemplar a história de um dos mais importantes clássicos da literatura em contraste com a exuberância gótica das imagens do premiado desenhista Luis Scafati.

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