colherada em portugal

Restaurante Fialho é uma preciosidade na cidade medieval de Évora

por Estela Cotes - 12 de novembro de 2011

A mesa de boas-vindas do Fialho vem repleta de antepastos típicos do Alentejo. Esta área é o subsolo do restaurante.Pela fachada simples, com toldo vermelho e uma vitrine de embutidos, não se imagina a preciosidade que esta casa guarda. No centro de Évora, cidade a 135 km de Lisboa, os irmãos Gabriel e Amor Fialho tocam o restaurante que é hoje considerado o melhor regional da Europa.

Fundado em 1948, o Fialho tem dois salões pequenos, sendo um localizado no porão da casa. As paredes são forradas por louças portuguesas e por quadros com fotos de visitantes ilustres, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para dar as boas vindas, a mesa é preparada com os antepastos típicos do Alentejo: paio enguitado, pastel de vitela, uma espécie de saladinha de orelha de porco preto e um queijo de cabra amanteigado, que em temperatura ambiente tem a textura de um requeijão. Aqui vale uma menção honrosa: este queijo é quase indescritível! Tem toque apimentado e textura incrível. É difícil parar de comê-lo combinado com o pão.

Uma das opções do cardápio do Fialho é o perdiz cozido e assado, recheado com cebola, servido com cogumelos e batata palha caseira.

Como entrada, a casa serve sopa de cação, uma das receitas mais antigas do lugar. O peixe é macio e o caldo, temperado com ervas, é encorpado com azeite. As oliveiras, aliás, compõem a paisagem do Alentejo, por isso é inadmissível vir até aqui e não provar os diferentes tipos de azeite. Um dos mais famosos é o Seleção, um tipo não filtrado feito pela Herdade do Esporão (que também é produtora de vinho).

Dentre as opções “pesadas” do Fialho, o perdiz recheado com cebola, cogumelos e batata palha caseira é a pedida mais famosa. A ave cozida e depois assada tem o sabor da caça fresca (se podemos classificar assim) e pede um acompanhamento simples, como a batata, para não sobrepor seu sabor.

O Leite Creme, uma espécie de crème brulê português, é um dos doces servidos no Fialho. Para não fugir às tradições nem na sobremesa, o chef Gabriel Fialho oferece um conjunto de "doces conventuais" – receitas criadas pelas freiras dentro dos conventos por volta do século 16. Tirando o marmelo, todos eles têm como base os ovos. Na lista estão o pudim de requeijão e o torrão de Évora com nozes.

Os pratos têm o cuidado e os sabores da comida caseira. A sensação de satisfação de comer em um restaurante tão bom, com ambiente familiar, sobrepõe à culpa da farta comilança. 

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