queima de estoque

Fundação que detém as obras de Andy Warhol vai doar ou vender todo o acervo do ícone da pop art

por Anna Carolina Lementy - 6 de setembro de 2012
Uma das obras de Andy Warhol com Jacqueline Kennedy com personagem. Este é da década de 60/ Foto: acervo Christie's
Uma reportagem publicada pelo jornal "The New York Times" nesta quinta-feira (6) é motivo de alegria entre endinheirados e sortudos. A Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais vai doar ou vender toda sua coleção de "Warhols" por meio da famosa casa de leilões Christie's. A expectativa é de que sejam arrecadados US$ 100 milhões, aumentando o patrimônio da fundação e, consequentemente, o patrocínio às organizações que apoia.

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Entre as obras que ainda estão no acervo da fundação encontram-se desenhos, pinturas, gravuras e fotografias, nenhuma superfamosa como as serigrafias de Marilyn Monroe ou a série de latas de sopa Campbell, mas algumas guardam o valor do ineditismo. É o caso de "Three Targets", uma grande tela em preto e branco com alvos (a previsão é de que seja vendida por algo entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão); uma colagem com o rosto de Jacqueline Kennedy feita nos anos 1960 (deve ser arrematada por US$ 200 mil a US$ 300 mil); e uma polaroide do "Self-Portrait in Fright Wig", algo como "Auto-retrato com Peruca Assustadora", dos anos 1970, com valor de venda estimado em US$ 15 mil a US$ 20 mil.

Decidir vender essas obras para financiar novos projetos artísticos é uma decisão acertada. Afinal, fomentar a produção é crucial para que surjam novos talentos. Por outro lado, é lamentável que obras que poderiam ser apreciadas por muita gente em museus sirvam à fruição de poucos em salas de estar.

A polaroide Self-Portrait in Fright Wig/ Foto: acervo Christie's
Para a Christie's, é bom negócio, claro. Os preços baixos devem atrair um novo perfil de compradores, e a entidade pretende fazer até mesmo leilões online para beneficiar quem não conseguirá viajar a Nova York. "Remova as barreiras de localização e tempo e você ampliará seu público de compra", afirmou ao jornal americano Amy Cappellazzo, presidente de Desenvolvimento Pós-Guerra e Contemporâneo da Christie's. "Acho que se Andy estivesse vivo, ele teria gostado muito disso".

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Alguns discordam. É o caso de Alberto Mugrabi, cuja família detém uma das maiores coleções do mundo de Warhols. Ele teme pelo impacto de uma venda desse tamanho. Não pelo preço, que não deve cair, já que não existe nenhuma obra relevante de Warhol em jogo, mas porque "é irresponsável. É como mandar o gado para o abate". A Christie's confirma também que o valor das obras do artista não deve diminuir, porque o mercado tem condições de absorver tudo o que estará, em breve, à venda. "A Christie's vende agora mais Warhols por ano do que obras de qualquer outro artista".

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