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"Garganta Profunda" completa 40 anos e a protagonista, Linda Lovelace, ganha filme

por Luty Vasconcelos - 28 de agosto de 2012
Linda Lovelace em Garganta Profunda

Linda era uma mulher infeliz. Depois de muita frustração com a sua incapacidade de atingir o clímax em suas relações sexuais, ela descobriu uma disfunção em sua anatomia: seu clitóris estava localizado em outro lugar, muito distante do habitual. Sua descoberta, no entanto, transformou sua forma de fazer sexo, o que influenciou a cultura erótica do século 20 com enredo do clássico “Garganta Profunda”. Em 2012, a película completa 40 anos sem perder seu posto de filme pornô mais lucrativo e polêmico de todos os tempos.

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Quando foi lançado na Manhattan de 1972, “Garganta Profunda” foi um escândalo geral. Era a primeira vez que uma produção cinematográfica exibia um ato de sexo explícito nas telas de Nova York. Além de tratar de uma anomalia bizarra - uma mulher que só tinha prazer com sexo oral, pois seu clitóris ficava localizado na garganta – o filme discutia a busca de uma mulher pela própria satisfação sexual, em uma época na qual, para a sociedade, a vivência da sexualidade plena era um mérito apenas das prostitutas.

Tanta polêmica junta acabou em um artigo no “New York Times”, escrito pelo jornalista Ralph Blumenthal sob o título “Porno Chic”. No texto ele dizia que discutir o filme havia virado moda entre as figuras das festas do jet set e que personalidades como Truman Capote, Frank Sinatra e Jack Nicholson eram vistos nas longas filas das salas de cinema que ousavam exibir o filme.

Linda sendo examinada pelo Dr. Young, personagem de Harry Reems

Em meio a onda de protestos e processos de censura, muita gente acreditava que a obra do diretor Gerard Damiano, assim como a enxurrada de filmes pornográficos feitos na sequência, incluindo outros 'clássicos' como “Emannuelle”, ajudariam a extinguir muitos tabus da época.

A história de Linda ecoou nas principais discussões daquela época, pegando embalo nas rodas feministas. A década de 1960 lançou a revolução sexual, mas foi nos anos de 1970 que as questões se aprofundariam. As feministas viam o filme como mais um golpe da indústria para reforçar a submissão da mulher aos prazeres masculinos, enquanto algumas jovens libertárias testavam a “profundidade” do seu orgasmo.

Nos anos 70, em vias de regra, os homens faziam sexo oral apenas com prostitutas, “boas mulheres” jamais praticariam tal "sujeira" em seus maridos. Hoje, passou a fazer parte das preliminares de qualquer casal saudável. Ninguém mais se envergonha em admitir a prática do sexo oral, muito pelo contrário, orgulha-se quem detém as manhas do melhor desempenho da tão polêmica técnica descoberta por Linda lá atrás.

Filmado com um orçamento de US$ 25 mil, "Garganta Profunda" arrecadou US$ 600 milhões e colocou o sexo oral na boca do povo, literalmente. Mesmo com o amadurecimento da indústria do cinema pornográfico, no qual pornstars chegam a ganhar mais que as divas de Hollywood, a produção de Damiano é um marco da história dos lucros do gênero. No entanto, nos dias atuais o filme provavelmente não excite ninguém. Talvez as cenas de humor incutidas pelo diretor rendam mais gargalhadas que gemidos.

 Gerard Damiano no set de Deep Throat

QUEM FOI LINDA LOVELACE?

Linda Lovelace, atriz homônima da personagem, terá sua história contada na íntegra no filme "Lovelace", dirigido por Rob Epstein e Jeffrey Friedman, com lançamento no Brasil previsto para novembro de 2012.

Ela foi uma das primeiras estrelas do pornô, junto com Marilyn Chambers "Atrás da Porta Verde" e Georgina Spelvin "O Diabo na Carne de Miss Jones", considerada a trindade de ouro do gênero daquela época.

Cartaz do filme Lovelave, com a atriz Amanda Seyfried

Damiano descobriu Linda numa festinha descolada, quando constatou a "habilidade oral" da moça – conquistada devido a uma passagem circense como engolidora de espadas.  Falecidos em 2002 e 2008, respectivamente, a atriz e o diretor que revolucionaram a linguagem do cinema nos anos 70, merecem ter essa história registrada em película.

A cinebiografia contará sobre os abusos sofridos por Linda na indústria pornográfica e também de seu marido, o fotógrafo Chuck Traynor. A intenção da dupla de diretores é passar uma mensagem sobre a violência contra as mulheres na indústria do entretenimento.

Amanda Seyfried, a loira de "Cartas para Julieta" e "Mamma Mia!", interpreta a "garganta profunda" do longa de Gerard Damiano. Peter Sarsgaard, James Franco, Sharon Stone e Sarah Jessica Parker estão no elenco.

Linda foi como um tipo de mártir da Revolução Sexual da década de 70. Expôs-se pela causa da liberdade feminina e acabou coagida pela indústria e pelo machismo, que até hoje ditam suas regras, mesmo que de maneira mais discreta.

Cartaz original de garganta Profunda, com Linda Lovelace

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