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Nan Goldin: após polêmica, alguns motivos para que a exposição da fotógrafa aconteça no Brasil
Logo no início desta semana, um acontecimento gerou polêmica no universo cultural brasileiro. A crítica de arte e curadora, Lígia Canongia, divulgou em uma carta pública que a mostra sobre a fotógrafa norte-americana Nan Goldin, na qual vinha trabalhando há dois anos, havia sido censurada pela instituição que a abrigaria, o Oi Futuro, no Rio de Janeiro. “A direção e a curadoria dessa casa simplesmente não sabiam quem era Nan Goldin e o conteúdo de suas imagens", escreveu a curadora. Isso porque a exposição começaria em janeiro de 2012 e contaria com a presença da própria artista na abertura.+ “If You Leave”: solidão inspira livro com belíssimas fotos vindas de tumblr na internet
Tal manifesto espalhou-se rapidamente pelas redes sociais, mas o Oi Futuro não se “comoveu”. A única explicação veio em forma de carta à imprensa, dizendo que “a missão do Oi Futuro é a promoção da educação, e nesse sentido, o instituto tem a praxe de avaliar o material que será exibido em seus centros culturais para se assegurar que haja uma relação entre as obras e os programas educacionais”.
Ao reconhecer a importância da artista e a vinda de sua obra ao Brasil, Luiz Camillo Osorio, curador do Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro, ofereceu o MAM para abrigar a mostra entre fevereiro e abril de 2012. Enquanto não se desenrolam as cenas do próximo capítulo, o Colherada lista alguns motivos pelos quais a primeira individual da artista no Brasil deve ser exibida no país. Seu lugar na história da fotografia
Nan começou a fotografar nos anos 60, três anos após o suicídio de sua irmã. Na década seguinte, frequentou o curso de arte na Museum of Fine Arts, em Boston e, influenciada por Andy Warhol e o filme "Blow Up", de Antonioni, começou a introduzir cor em suas imagens. Sua primeira exposição, em 1973, já revelava o teor e os personagens que o acompanharia por toda a sua produção: travestis, gays, drogas e o amor em suas múltiplas formas. Além disso, as pessoas retratadas eram - e continuaram sendo - seus amigos, amantes e familiares.
Para capturar tais cenas de seu cotidiano, Goldin abriu mão de recursos elaborados de iluminação, estúdio e planejamentos, para trabalhar com a efemeridade do momento e olhares pouco pré-concebidos. Por tais opções, cedeu espaço para uma fotografia da intimidade, ou como afirmou Uta Grosenick na publicação "Woman Artists: mulheres artistas nos séculos XX e XXI": desenvolveu a estética do espontâneo, cuja intimidade e imediatismo são a marca de seu trabalho e revelam uma ligação emocional entre a fotógrafa e as pessoas a qual retrata.
Uma outra beleza americanaComo já dito, Nan Goldin direcionou os seus olhos para os outsiders da sociedade norte-americana, mas, mais do que isso, para os seus amigos que viveram com intensidade a época do "sexo, drogas e rock'n'roll" e o início da Aids. Considerada a sua grande obra, a série "Balada da Dependência Sexual", que esteve na 29ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, é um bom exemplo disso. Nela são retratadas reuniões de travestis, festas, um autorretrato da artista com o olho roxo, cenas de sexo hetero e homossexuais, pessoas se drogando, casando e velórios. Em muitos casos, os personagens se repetem, mostrando vários momentos da vida, e da morte, deles.
É importante ressaltar que a fotógrafa faz um diário da sua vida, ao mesmo tempo em que registra as manifestações culturais dos grupos excluídos, dos caminhos do amor e da sexualidade – temas ainda tão contemporâneos.
O Brasil nos seus registros
Ela continua a investigar tais temas, tanto que a sua vinda ao Brasil, independente da abertura da exposição, é para registrar o Natal de um grupo de travestis cariocas. Tais fotos farão parte do projeto "The Other Side", que também compõe a lista de obras selecionadas para a mostra, agora, no MAM-RJ.
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Últimos comentários
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Natalie - 21/12/2011 às 16:05:44
Dessa maneira,
Arte confessional total!
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Eli Proença - 12/09/2012 às 15:06:33
Dúvida
Acho que tem um erro no texto com relação a datas, já que a mostra não foi aprovada nesse ano e o MAM ofereceu fevereiro e abril do próximo ano, então seria 2013 e não 2012 como está escrito
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