a tv é um perigo?
Polêmica sobre a sexualidade de Bob Esponja ofusca discussão sobre o preconceito e a influência da TV nas crianças

Ao menos de relance você deve ter passado por essa notícia na última quarta-feira (15): Bob Esponja é gay e um perigo para as crianças. A informação com pinta de conversa de boteco faz parte de um estudo comandado pela Comissão Nacional sobre assuntos para a defesa da moral ucraniana, que pede o banimento deste e de outros programas da TV local.
+ “Boardwalk Empire”: veja o trailer e saiba como será a terceira temporada
De acordo com o “The Wallstreet Journal”, um dos primeiros a divulgar a informação (a partir de um site católico ucraniano), o simpático e geométrico cozinheiro do Siri Cascudo não só promove a homossexualidade, como também o uso de drogas. Seriam essas conclusões por conta de sua amizade com a estrela do mar Patrick e da extrema felicidade ao trabalhar quase sem remuneração no preparo dos hambúrgueres de siri?
Outra atração televisiva em risco é o sempre polêmico grupo “Teletubbies”, que “deixa as crianças em uma espécie de transe e cria pessoas imbecilizadas sentadas em frente à TV com a boca aberta e prontas a engolir qualquer informação”. Além disso, há o já conhecido gosto de Tinky Winky por carregar algo que lembra uma bolsa quando, “na vida real, garotos raramente querem colocar roupas de mulher”.

+ "Go On": nova série de Matthew Perry, ator de "Friends", estreia com boa audiência
Ainda entram no quesito ameaça, segundo o relatório, a trilogia “Shrek”, que contém sadismo; e as animações da Disney, promotoras da pornografia. Entre os desenhos adultos (não separados dessa forma na divulgação preliminar do artigo), “South Park” ganha sinal vermelho por fazer propaganda da reencarnação – culpe as diversas mortes do pobre Kenny.
A voz da ciência
Para quem lê a notícia, o “alerta” ucraniano causa curiosidade e soa como uma má piada por conta de seu caráter preconceituoso e nada construtivo. Qual seria o problema se Bob Esponja ou Tinky Winky fossem mesmo gays? A política de aceitação das diferenças não seria mais adequada à formação de adultos tolerantes e inteligentes?

+ M. Night Shyamalan, de "O Sexto Sentido", dirige projeto para a TV paga
Enquanto esse tipo de informação circula na web e pouco contribui para a discussão sobre a influência da TV no desenvolvimento das crianças, universidades continuam avaliando seu poder. Uma rápida busca aponta diversas pesquisas ao redor do mundo, como a divulgada por pesquisadores da Iowa University no ano passado: os pequenos podem absorver e incorporar atitudes negativas de seus personagens preferidos, diz o trabalho.
Pode parecer preocupante, mas não precisa ser definitivo. Em entrevista à revista “Crescer”, Maria Ângela Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, diz que cabe aos pais administrar o que é assistido e aproveitar a experiência em conversas. “É por meio do diálogo que a criança vai aprender a refletir sobre o que é considerado mau comportamento e deve ser evitado ”, disse.
Gostou? Siga o Colherada no Twitter e no Pinterest!
Curta a página do Colherada no Facebook!
Palavras-chave:
Ressaltamos que nenhum estabelecimento foi incluido neste guia por ter feito publicidade em qualquer publicação nossa e que nenhum tipo de pagamento influenciou as resenhas. As opiniôes publicadas neste site são dos escritores do Colherada Cultural e são totalmente independentes


